Jornal O Globo
O Papa Leão XIV criticou neste sábado a desigualdade social durante visita a Mônaco, ao denunciar “abismos entre pobres e ricos” em discurso no principado conhecido pela concentração de riqueza. Responsável por interpretar leis da Igreja: Papa Leão XIV designa bispo de diocese australiana pouco conhecida como novo chefe jurídico do Vaticano Vídeo: Papa Leão XIV recebe camisa do Flamengo durante audiência no Vaticano e saúda brasileiros na Praça São Pedro Em sua primeira fala no país, o Pontífice afirmou que há “configurações injustas do poder” e “estruturas de pecado que abrem abismos entre pobres e ricos, entre privilegiados e descartados, entre amigos e inimigos”. — Cada talento, cada oportunidade, cada bem depositado em nossas mãos tem um destino universal, uma exigência intrínseca de não ser retido, e sim redistribuído — disse, em francês, língua oficial de Mônaco. O Papa também fez referência a conflitos globais ao afirmar que “a ostentação da força e a lógica da prevaricação prejudicam o mundo e ameaçam a paz”. Leão XIV chegou ao principado pela manhã, após viagem de helicóptero desde Roma, e foi recebido pelo príncipe Albert II e pela princesa Charlène. Em seguida, discursou da varanda do Palácio do Príncipe diante de milhares de fiéis. Cobrança por solidariedade em país de alta renda O Pontífice destacou que viver em Mônaco “representa para alguns um privilégio e, para todos, um chamado específico a questionar o seu lugar no mundo”. O príncipe Albert II reconheceu o “imperativo de solidariedade por parte daqueles que têm mais recursos” e afirmou que “os pequenos Estados também podem contribuir para melhorar o mundo”. Moradora do principado, Marge Valentino reagiu: “Nós somos privilegiados, sim, mas as responsabilidades são de todos, inclusive daqueles que não desfrutam desses privilégios”. Visita inclui missa e agenda religiosa Durante a visita, Leão XIV também se encontrou com a comunidade católica na catedral da Imaculada Conceição e seguirá para a igreja de Santa Devota, padroeira local. O Papa celebrará ainda uma missa ao ar livre no Estádio Louis II, com público esperado de cerca de 15 mil pessoas. A visita ocorre às vésperas da Páscoa e serve como termômetro da popularidade do Pontífice, que sucedeu Francisco e adota perfil mais discreto. Em Mônaco, um dos poucos países europeus onde o catolicismo é religião de Estado, cerca de 8% da população se declara praticante.
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