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'Sem Reis': Protestos contra o governo Trump se espalham pelos EUA e pelo mundo | Collector
'Sem Reis': Protestos contra o governo Trump se espalham pelos EUA e pelo mundo
Jornal O Globo

'Sem Reis': Protestos contra o governo Trump se espalham pelos EUA e pelo mundo

Em grandes cidades e pequenas vilas ao redor do mundo, manifestantes se reuniram neste sábado para protestar contra o presidente dos EUA, Donald Trump, e suas políticas e ações. O objetivo declarado do grupo é combater o autoritarismo. Manifestantes, incluindo autoridades eleitas e líderes comunitários, entoaram mensagens de desafio e carregaram cartazes feitos à mão que condenavam a guerra no Irã, as ameaças aos direitos de voto e a campanha de deportação em massa da Casa Branca, entre outros temas. Guerra no Irã: Governo Trump avalia envio de mais 10 mil militares de ação terrestre ao Oriente Médio, diz jornal 'Horror profundo': ONU cobra investigação rápida dos EUA sobre ataque a escola iraniana Os manifestantes marcharam pelas ruas principais e avenidas de pequenas cidades, muitos agasalhados para suportar horas em temperaturas que variavam entre 4°C e 10°C. Os participantes de pequenos grupos, incluindo um em Richmond, no Kentucky, agitavam bandeiras americanas enquanto os motoristas demonstravam seu apoio buzinando. Em Atlanta, cidadãos gritavam pelo fim das batidas policiais contra imigrantes. Os organizadores esperam que as manifestações nos Estados Unidos atraiam tanto pequenos grupos quanto multidões de centenas de milhares de pessoas, incluindo cidadãos comuns e celebridades internacionais, que se manifestarão contra o que consideram abusos de poder do governo Trump em áreas como imigração, eleições, saúde, meio ambiente e guerra. Manifestações semelhantes, com foco na denúncia de políticas conservadoras, estão planejadas para todo o mundo. Organizado por uma coalizão de grupos ativistas sob a bandeira “Chega de Reis”, este é o terceiro protesto nacional desse tipo nos últimos 10 meses, em um momento em que a guerra contínua no Irã desencadeou uma crise energética global, interrompeu componentes críticos da cadeia de suprimentos alimentares e fez as ações despencarem. Contra o racismo: Milhares de pessoas protestam contra avanço da extrema direita no Reino Unido O protesto também ocorre em um momento em que os legisladores no Capitólio permanecem em desacordo em uma longa disputa sobre o financiamento das operações de fiscalização da imigração. Essa paralisação parcial do governo significa que os agentes de segurança dos aeroportos não estão recebendo seus salários, levando muitos a faltarem ao trabalho ou a pedirem demissão, causando horas de espera nos postos de segurança de muitos aeroportos. Uma porta-voz da Casa Branca, Abigail Jackson, disse em um comunicado na quinta-feira que “as únicas pessoas que se importam com essas sessões de terapia para transtornos mentais de Trump são os repórteres que são pagos para cobri-las”. Os organizadores afirmaram que os protestos não têm uma reivindicação específica, mas buscam canalizar energia para uma ampla gama de queixas em relação ao presidente americano e suas políticas. Em Minnesota — onde o governo Trump implementou sua mais recente repressão à imigração durante o inverno — esperava-se que os protestos deste sábado contassem com a presença de muitas celebridades. Os cantores Bruce Springsteen e Joan Baez devem se apresentar em um comício no Capitólio do estado, em St. Paul. A atriz Jane Fonda, ícone do ativismo na época da Guerra do Vietnã, também deve discursar para a multidão. Springsteen inicia sua turnê "Land of Hopes and Dreams", que ele anunciou como uma turnê de protesto, no Target Center, em Minneapolis, nesta terça-feira. No site No Kings, a guerra com o Irã e as batidas da imigração são apresentadas com destaque para atrair pessoas aos protestos. O site se refere às patrulhas de imigração como "polícia secreta mascarada que aterroriza nossas comunidades" e ao conflito com o Irã como "uma guerra ilegal e catastrófica que nos coloca em perigo e aumenta nossos custos", declarando que "Trump quer nos governar como um tirano". Initial plugin text ; Política anti-imigração, guerra no Oriente Médio e tendências autoritárias Em Nova York, Valerie Tirado disse que decidiu participar de uma manifestação anti-Trump pela primeira vez porque seu filho, um fuzileiro naval, seria enviado para o Oriente Médio. — Trump está usando esses militares como peões, só para se exibir — afirmou a mulher de 60 anos, eleitora registrada do Partido Democrata. O casal Michael Bianco e Susan Draper contou que participa de manifestações de rua por causas que apoiam desde 1968. O que mais os impressionou na manifestação deste sábado foi a quantidade de pessoas da mesma faixa etária nas ruas. — Quero expressar meu desprezo — declarou Susan, de 77 anos, professora aposentada de antropologia urbana da Universidade de Nova York. Eileen McHugh, de 59 anos, viajou uma hora de sua cidade, de tendência republicana, no condado de Westchester, para participar de um protesto na Columbus Circle. — Está ficando cada vez pior — disse ela. — Trump tem sangue nas mãos. Todo o Partido Republicano tem sangue nas mãos. Bombardear barcos na Venezuela e escolas no Irã é assassinato. Embora a política de imigração tenha sido o foco de protestos anteriores do movimento "No Kings" em Atlanta, os manifestantes de sábado chamaram a atenção para a guerra no Irã, o impacto da paralisação parcial do governo nas viagens aéreas e um projeto de lei defendido pelos republicanos para endurecer as regras de votação. — Eles continuam testando os limites todos os dias para ver até onde podem levar seu regime — pontuou Alan Reed, de 72 anos, que participou do protesto usando um andador e com uma bandeira do arco-íris nas costas. — Para ver quanta autoridade podem acumular, até conseguirem cancelar nossas eleições. Em uma manhã fria, manifestantes contrários aos Kings se reuniram no parque do Píer A em Hoboken, às margens do Rio Hudson. Um cantor folk local, Ed Fogarty, tocou a clássica canção de protesto de Bob Dylan, "Blowin' in the Wind". Noah Schwartz, de 54 anos, um dos organizadores de uma marcha de Jersey City a Hoboken, usou um megafone para liderar a multidão em um cântico. — Não vamos parar nossa diversão, nossa alegria, nossa democracia. Digam uma vez, digam duas vezes! Não vamos tolerar o ICE! — gritava para mobilizar os manifestantes. O movimento No Kings estreou em fevereiro de 2025, no Dia dos Presidentes. A coalizão descentralizada teve uma participação mais expressiva em junho passado, no dia em que Trump comemorou seu aniversário ordenando que os militares realizassem um grande desfile em Washington, D.C. Os grupos relataram uma participação ainda maior em outubro. Do outro lado do Atlântico Em Londres, manifestantes carregavam bonecos carrancudos do presidente americano, da primeira-dama, Melania Trump, e do vice-presidente, JD Vance. Caricaturas de Elon Musk, Stephen Miller e Kristi Noem também pairavam sobre a multidão. Carmen Kingston, uma nova-iorquina que vive na Grã-Bretanha há uma década, carregava um cartaz com os dizeres “Massacre de Minab”, em referência ao ataque a uma escola primária no Irã que matou pelo menos 175 pessoas, a maioria crianças. A guerra, disse ela, “faz parte de um clima político interno que inclui a erosão das instituições democráticas, das salvaguardas democráticas e a violência impune”.

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