Jornal O Globo
A modelo e apresentadora Juju Salimeni decidiu compartilhar, recentemente, uma decisão importante com os fãs: iniciar o processo de congelamento de óvulos aos 39 anos. "Pois é, bem tarde! Já deveria ter feito há muito tempo", comentou em vídeo publicado no Instagram. O procedimento é uma das principais estratégias de preservação da fertilidade para mulheres que desejam adiar a gestação. Como a fertilidade feminina diminui com a idade, apresentando queda significativa nas chances de gravidez após os 35 anos, é comum que as pacientes levem uma dúvida aos consultórios: Até quando é possível realizar um procedimento do tipo? "Quanto mais jovem a mulher, maior será a chance de o óvulo gerar um bebê", afirma o médico Rodrigo Rosa, especialista em reprodução humana da clínica Mater Prime. "O ideal é que seja feito até os 35 anos, visto que, a partir dessa idade, há uma queda acentuada não apenas na quantidade de óvulos, mas também na qualidade. Mas é possível congelar os óvulos até 41 ou 42 anos. Após os 43, a probabilidade de o óvulo gerar um bebê é muito reduzida. Não é impossível, mas cada caso deve ser avaliado individualmente." Initial plugin text O processo de congelamento - ou criopreservação - consiste em manter os óvulos em nitrogênio líquido a -196°C, inativando o metabolismo sem prejudicar a viabilidade. Todo o ciclo leva cerca de três semanas. "Além de uma bateria de exames para verificar a qualidade dos óvulos, a mulher deve inicialmente usar pílulas anticoncepcionais por uma a duas semanas para desativar temporariamente os hormônios naturais", detalha o médico. "Mas, em casos de urgência, como antes da terapia contra o câncer, essa etapa pode ser ignorada. Em seguida, realizamos injeções de hormônios por cerca de 10 dias para estimular os ovários e amadurecer vários óvulos. Só após amadurecerem adequadamente os óvulos são coletados, sob sedação, por meio de uma pequena agulha inserida na vagina e guiada por um transdutor até os ovários, e imediatamente congelados." Apesar da segurança do procedimento, alguns efeitos colaterais são esperados. "Devido aos hormônios usados na estimulação ovariana, a mulher pode apresentar sintomas como dor de cabeça, instabilidade emocional, inchaço, náusea e dor muscular. Mas esses sintomas, semelhantes aos da TPM, desaparecem após o término da estimulação e podem ser aliviados com acompanhamento médico", acrescenta Rodrigo. Uma vez congelados, os óvulos podem permanecer preservados por tempo indeterminado. Quando a paciente estiver pronta para engravidar, é realizada a Fertilização In Vitro (FIV). "Na Fertilização In Vitro, o óvulo é fecundado com o espermatozoide em laboratório, formando o embrião, que, após certo tempo de desenvolvimento, é transferido para o útero da mulher", relata o especialista. É importante destacar que o congelamento não garante gestação futura, pois fatores diversos podem interferir na viabilidade: "Alguns óvulos podem não sobreviver ao degelo, enquanto outros podem não ser fertilizados com sucesso. A idade da mulher também influencia, já que, apesar dos óvulos estarem congelados, ela continua a envelhecer e precisará lidar com os desafios da gravidez na idade em que se encontra”, alerta Rodrigo. As taxas de sucesso da FIV estão principalmente relacionadas à idade dos óvulos. “Mulheres com até 35 anos, se congelarem pelo menos 20 óvulos, têm 80% de chance de conceber pelo menos um filho. Entre 35 e 37 anos, a chance cai para 65%. Já entre 38 e 40 anos, a probabilidade de ter pelo menos um filho é de 55 a 60%", observa. O custo do procedimento depende do protocolo de estimulação ovariana, da dose total de hormônios, da quantidade de óvulos coletados, do procedimento de vitrificação e do tempo de armazenamento. "Os valores podem variar de clínica para clínica, mas é importante planejar todo o processo, incluindo medicações, coleta, armazenamento e futura fertilização in vitro", diz o médico. Mais do que a técnica, o planejamento é essencial: envolve a escolha de um médico experiente, a definição da quantidade de filhos desejada e a preparação financeira. "Com o devido planejamento e acompanhamento, o congelamento de óvulos torna-se uma ferramenta poderosa de ampliação de possibilidades de maternidade e garantia de liberdade de escolhas. Hoje, a mulher pode decidir quando quer engravidar, sem precisar escolher entre carreira ou família, preservando a fertilidade enquanto constrói sua estabilidade profissional, financeira e afetiva, e, mais tarde, utilizar esses óvulos para ter uma gravidez bem-sucedida", conclui.
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