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8 de Janeiro: exposição na UFF com acervo inédito de fotos revisita atos antidemocráticos
Jornal O Globo

8 de Janeiro: exposição na UFF com acervo inédito de fotos revisita atos antidemocráticos

A invasão e a depredação das sedes dos Três Poderes, em Brasília, no dia 8 de janeiro de 2023, será revisitada a partir de um conjunto inédito de imagens na exposição “Subterrâneos a céu aberto”, que estreia terça-feira no Centro de Artes da Universidade Federal Fluminense (UFF), em Icaraí. A mostra reúne registros produzidos e compartilhados pelos próprios participantes dos atos e propõe uma reflexão sobre memória, apagamento digital e os desafios à democracia no Brasil contemporâneo. Água na Boca: Gastronomia de Niterói tem novidades para celebrar a chegada do outono Após teto de escola desabar: Grêmio denuncia uma série de problemas no colégio Brasil-China, em Niterói Três anos após o episódio, a exposição aborda a construção da narrativa em tempo real nas redes sociais e o desaparecimento acelerado desses conteúdos. Com poucos registros profissionais disponíveis, vídeos e fotografias feitos por manifestantes dominaram a circulação de imagens, muitos deles apagados pouco depois da invasão. Coordenador da curadoria da exposição, Marcelo Alves, que é professor do Departamento de Comunicação da PUC-Rio e pesquisador associado ao Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Disputas e Soberanias Informacionais da UFF, destaca que o processo de recuperação desse material evidenciou a rapidez com que conteúdos digitais podem desaparecer. — Chamou a atenção como esse apagamento acontece rápido. Começamos essa análise na própria noite do 8 de Janeiro e, entre a noite e a manhã seguinte, já havia muito conteúdo apagado. Esse processo foi muito acelerado e passou a ser organizado pelas próprias pessoas, de forma sistemática, o que foi impactante para nós. Foi aí que intensificamos os esforços de preservação desse material, documentando essas imagens para evitar o máximo possível que esse conteúdo se perdesse, dada a lógica efêmera das mídias digitais — conta. A bandeira nacional foi usada como principal símbolo no 8 de Janeiro Divulgação/Arquivo 8 de Janeiro O trabalho deu origem a um acervo com mais de um milhão de publicações coletadas entre o fim de 2022 e os meses seguintes aos ataques. De acordo com o pesquisador, o monitoramento e o arquivamento seguem em curso e ajudam a compreender a permanência desses discursos no cenário atual. — Demos seguimento a esse processo até hoje, acompanhando a política nacional. Esse é um fenômeno muito característico da extrema direita brasileira, de continuar esses discursos autoritários por meio de estratégias para tentar apagá-los ou fugir da responsabilidade sobre eles. Há uma continuidade dessas práticas; elas não se localizaram somente em 2023 — diz. A exposição também se insere em um contexto mais amplo de discussão sobre democracia e memória. Para Alves, revisitar o 8 de Janeiro é fundamental diante do avanço de discursos autoritários em diferentes países. — Isso é importante num contexto em que vemos o crescimento de discursos autoritários e de práticas extremistas e um retrocesso democrático em vários países que tinham instituições consideradas sólidas — afirma. Estruturada em quatro ambientes — Labirinto, Mosaico, Acampamentos e Caverna —, a mostra propõe uma experiência imersiva, em que o visitante pode circular livremente entre diferentes instalações. As imagens coletadas foram organizadas em recortes e composições que exploram tanto o volume quanto a fragmentação do material. Além do acervo documental, três obras de artistas convidados integram a exposição e funcionam como um segundo eixo narrativo. Em comum, elas utilizam elementos da bandeira nacional, símbolo amplamente presente nas manifestações daquele dia. Reitor da UFF, Antonio Claudio da Nóbrega afirma que a iniciativa reforça o papel da universidade na preservação da memória e no estímulo ao debate público: — A universidade tem o compromisso de enfrentar o apagamento e promover reflexão crítica sobre acontecimentos recentes. Ao articular pesquisa, arte e tecnologia, iniciativas como essa ajudam a garantir que episódios como o 8 de Janeiro sejam compreendidos em sua complexidade. Com entrada franca, a exposição fica em cartaz até 10 de maio, na Galeria de Arte UFF. Initial plugin text

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