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Inquérito das Fake News e proteção aos ladrões de aposentados: dois capítulos de um mesmo livro | Collector
Inquérito das Fake News e proteção aos ladrões de aposentados: dois capítulos de um mesmo livro
Revista Oeste

Inquérito das Fake News e proteção aos ladrões de aposentados: dois capítulos de um mesmo livro

A ira ensandecida com que Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Flávio Dino e cia se lançaram sobre a CPMI do INSS para, qual uma matilha de lobos sobre a lebre indefesa, despedaçá-la a dentadas, desmascara o mito fundador da presente juristocracia: a mentira indecorosa da “defesa das instituições democráticas”. A proteção dispensada pela ralé de toga aos ladrões de aposentados e pensionistas é uma espécie de corolário lógico do famigerado Inquérito das Fake News , sempre apresentado como mecanismo excepcional para a salvaguarda do Estado de Direito, mas desde o início voltado à autoproteção dos magistrados e de seus familiares. + Leia mais notícias de Política em Oeste Convém lembrar que, além da investigação que se fazia à época sobre o “amigo do amigo” do pai de Marcelo Odebrecht, a abertura do Inquérito das Fake News também se relaciona à investigação então aberta pela Receita Federal sobre o patrimônio de Gilmar Mendes, noticiada pela revista Veja em fevereiro de 2019 . Ali, o Brasil iria começar a compreender o que acontece quando, ainda que timidamente, uma instância externa voltava os seus olhos para dentro da cúpula do Judiciário. Gilmar Mendes, por óbvio, não tratou o episódio como um procedimento administrativo ordinário, desses que qualquer cidadão está sujeito a enfrentar. Ao contrário, reagiu de maneira furibunda, espumando pela boca (e eventualmente choramingando), denunciando abusos, insinuando ilegalidades e colocando sob suspeita os próprios mecanismos de fiscalização estatal. Já se anunciava claramente, ali, o vociferante inimigo da Lava Jato e da atual CPMI. A mera possibilidade de se investigar eventual corrupção praticada pela casta togada começava a ser tratada como tem sido até hoje: como um “ataque à democracia". Ministro Dias Toffoli foi citado em e-mail de Marcelo Odebrecht: 'Amigo do amigo do meu pai' | Foto: Carlos Moura/SCO/STF Quando se observam em conjunto a investigação da Receita, o episódio da CPMI e o pano de fundo do Banco Master, o padrão se torna mais nítido. O Inquérito das Fake News foi, de fato, o AI-5 da juristocracia, que normalizou o estado de exceção sob a desculpa esfarrapada — à qual a velha imprensa conferiu ares de legitimidade — de salvaguarda institucional. Que a maioria da Suprema Corte hoje atue em conjunto para a obstrução de justiça, no âmbito dos escândalos de corrupção mais indecentes da história nacional, é o desenrolar natural daquela farsa judicial inaugural. O boicote à CPMI do INSS — e às investigações sobre o Banco Master — é o capítulo avançado de um livro cujo prólogo é o Inquérito das Fake News . No fim das contas, a questão central permanece relativamente simples, embora raramente formulada de modo direto: quem, exatamente, pode investigar aqueles que concentram em si mesmos as funções de investigar, acusar e julgar? Enquanto essa pergunta continuar sem resposta efetiva, qualquer instrumento criado em nome da proteção institucional tenderá, mais cedo ou mais tarde, a se converter em mecanismo de autopreservação. O Inquérito das Fake News é, até aqui, o exemplo mais acabado desse processo. E Gilmar Mendes é o rosto desse embuste... Leia também: A insolência do chefe da turma , artigo de Augusto Nunes publicado na Edição 315 da Revista Oeste O post Inquérito das Fake News e proteção aos ladrões de aposentados: dois capítulos de um mesmo livro apareceu primeiro em Revista Oeste .

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