Jornal O Globo
O presidente americano Donald Trump afirmou que a guerra entre os EUA e Israel contra o Irã provocou uma mudança de regime na República Islâmica e assegurou que um acordo para encerrar o conflito, que já dura mais de um mês, está próximo. Sua declaração buscou acalmar os mercados, nervosos com a falta de um fim claro para o conflito que afetou os mercados globais, com os preços do petróleo ultrapassando US$ 100 o barril. Blog: Após duas décadas, EUA usam religião para justificar 'guerra santa' contra Irã Veja tropas já mobilizadas: governo Trump avalia envio de mais 10 mil militares de ação terrestre ao Oriente Médio, diz jornal "Acho que vamos chegar a um acordo com eles, tenho quase certeza... mas já tivemos uma mudança de regime", disse Trump a repórteres a bordo do Air Force One, destacando o número de líderes iranianos mortos na guerra que já dura um mês. "Estamos lidando com pessoas diferentes de todas com quem já lidamos antes. É um grupo de pessoas completamente diferente. Então, eu consideraria isso uma mudança de regime", disse Trump. O presidente dos EUA também garantiu que o Irã permitiria a passagem de 20 petroleiros pelo Estreito de Ormuz, uma importante via navegável por onde passa 20% da produção mundial de petróleo. O Irã mantém o estreito bloqueado desde o início do conflito. O preço do petróleo bruto West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, subiu 3,23%, para US$ 102,86, nas negociações da manhã na Ásia, enquanto o petróleo Brent, referência global, subiu 2,95%, para US$ 115,89. Horas antes da declaração de Trump, o Irã acusou os Estados Unidos de planejarem "secretamente" uma ofensiva terrestre, enquanto buscavam publicamente esforços diplomáticos para encerrar a guerra. Enquanto isso, os militares israelenses afirmaram ter bombardeado um importante local de produção de mísseis no Irã, além de relatarem um ataque a uma área industrial no sul de Israel. "As pessoas acordam todos os dias preocupadas com um futuro incerto", disse Farzaneh, uma iraniana de 62 anos, à AFP na cidade de Ahvaz. E, enquanto isso, "ninguém realmente quer guerra", lamentou ela. Um apagão afetou Teerã e várias áreas vizinhas na noite deste domingo, após ataques à infraestrutura elétrica. Tropas americanas em solo iraniano? Poderia este conflito, que está impactando severamente as populações civis na região e abalando a economia global, escalar ainda mais? Especula-se muito sobre um possível envio de tropas americanas para o solo iraniano. O próprio Trump permanece um tanto ambíguo quanto a essa possibilidade. De acordo com o The Washington Post, que cita autoridades americanas anônimas, o Pentágono está se preparando para realizar várias semanas de operações terrestres que não seriam uma invasão em grande escala, mas sim incursões em território iraniano por forças especiais. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, descartou essa hipótese na sexta-feira, afirmando que os "objetivos" da guerra no Irã poderiam ser alcançados sem o envio de tropas terrestres. Leia mais: guerra no Irã empurra grandes consumidores de volta ao carvão Planos da Defesa: Pentágono se prepara para semanas de operações terrestres no Irã, diz jornal Um navio de assalto anfíbio americano, liderando um grupo naval que inclui cerca de 3.500 marinheiros e fuzileiros navais, chegou à região na sexta-feira. "Publicamente, o inimigo envia mensagens de negociação e diálogo enquanto, secretamente, planeja uma ofensiva terrestre", disse o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, em um comunicado. "Nossos homens aguardam a chegada das tropas americanas em solo iraniano para atacá-los e punir seus aliados regionais de uma vez por todas", alertou. Enquanto isso, os esforços diplomáticos continuam na tentativa de pôr fim à guerra que eclodiu em 28 de fevereiro com a ofensiva conjunta israelense-americana contra o Irã. Líbano sob ataque Os ministros das Relações Exteriores de Turquia, Paquistão, Egito e Arábia Saudita se reuniram neste domingo em Islamabad, capital paquistanesa, para conversar sobre o conflito. O ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Ishaq Dar, afirmou que seu país está preparado para mediar e sediar "conversas substanciais" entre os Estados Unidos e o Irã para pôr fim ao conflito, e destacou o crescente apoio aos seus esforços de paz. Apesar da previsão de Trump de um acordo iminente para encerrar o conflito, o Irã continuou seus ataques a instalações de energia e produção em seus vizinhos do Golfo. De forma semelhante, Israel atacou uma fábrica em Teerã onde o Ministério da Defesa do Irã produz componentes essenciais para mísseis balísticos. A Guarda Revolucionária do Irã alegou ter bombardeado um complexo industrial no sul de Israel com mísseis balísticos em resposta a "ataques do eixo EUA-sionista contra centros industriais" no país. No Líbano, os ataques israelenses resultaram em 1.238 mortes desde o início da guerra, em 2 de março, incluindo 124 crianças. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ordenou neste domingo que o exército expandisse a zona de segurança no país vizinho para neutralizar a ameaça representada pelo movimento xiita Hezbollah. A Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL) anunciou nesta segunda-feira a morte de um de seus soldados de paz após um projétil atingir uma de suas posições no sul do país. No Líbano, os ataques israelenses resultaram em 1.238 mortes desde o início da guerra, em 2 de março, incluindo 124 crianças. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ordenou no domingo que o exército expandisse a zona de segurança no país vizinho para neutralizar a ameaça representada pelo movimento xiita Hezbollah. A Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL) anunciou nesta segunda-feira a morte de um de seus soldados de paz após um projétil atingir uma de suas posições no sul do país.
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