Vogue Brasil
Em meio à explosão de cafés conceituais, menus sazonais e grãos de origem única que tomaram conta das grandes cidades, visitar um dos estabelecimentos mais antigos do mundo pode ser a experiência mais surpreendente da sua próxima viagem. Muito antes de qualquer hype, alguns endereços já serviam intelectuais, revolucionários e aristocratas com a mesma naturalidade com que hoje recebem turistas e moradores locais. Sobreviveram a guerras, revoluções, mudanças de regime e a chegada do café em cápsula sem piscar. Prontos para uma viagem com muito mais história do que qualquer guia de tendências consegue oferecer? Confira os nove cafés mais antigos do mundo que ainda estão de portas abertas, e o que pedir em cada um deles. Selecionar uma imagem Le Procope (Paris, França, 1686) Le Procope (Paris, França, 1686) Divulgação Fundado pelo siciliano Francesco Procopio dei Coltelli, o Le Procope é o café mais antigo de Paris ainda em funcionamento — tombado como Monument Historique desde 1962. Localizado na Rue de l’Ancienne Comédie, no coração do Quartier Latin, o espaço serviu como quartel-general intelectual para figuras como Voltaire, Diderot, Rousseau e Benjamin Franklin. O ambiente preserva uma atmosfera de museu: o papel de parede data de 1830, e entre os itens históricos em exposição estão correspondências originais da época de Richelieu, a sineta de Jean-Paul Marat e o chapéu deixado por Napoleão Bonaparte como garantia de uma dívida. No cardápio atual, a casa opera como brasserie clássica. Entre as entradas, destacam-se os Œufs Mayonnaise du Procope e a Terrine de Canard com pistaches. Nos pratos principais, o Coq au Vin permanece como carro-chefe, ao lado do Paleron de Bœuf ao molho de pimenta e do Risoto de Cogumelos com trufa de verão. As sobremesas incluem a Crème Brûlée de baunilha Bourbon e o Moelleux au Chocolat, além de sorvetes e sorbets artesanais — receitas que remetem à tradição glacière do fundador, que introduziu os primeiros sorvetes em Paris no século XVII. Desde 2024, o Procope conta com uma sala de café e chá, aberta do meio-dia à meia-noite, com infusões, cafés de origem e acompanhamentos de confeitaria. @restaurantprocope1686 Caffè Florian (Veneza, Itália, 1720) Caffè Florian (Veneza, Itália, 1720) Divulgação Inaugurado em 29 de dezembro de 1720 com o nome “Alla Venezia Trionfante” e rapidamente rebatizado em homenagem ao seu fundador, Floriano Francesconi, o Florian é o mais antigo café da Itália em funcionamento contínuo. Debruçado sobre a Piazza San Marco, suas salas (como a Sala del Senato e a Sala degli Uomini Illustri) são decoradas com afrescos, espelhos dourados e veludos que atravessaram séculos, tendo recebido desde Casanova, nos primeiros anos, até Lord Byron no século XIX. O café mantém o serviço em prataria e orquestra ao vivo nas tardes. O menu contempla duas modalidades: ao balcão e à mesa. Destacam-se o lendário Chocolate Quente Florian – denso e aveludado, servido em prataria desde o século XVIII –, blends exclusivos de chá, o Spritz veneziano, macarons de pistache e o brunch La Colazione di Casanova, bandeja com seleção de quiches, cornettos caprese e acompanhamentos. As sobremesas incluem Tiramisù e parfaits artesanais preparados diariamente pelo laboratório próprio do café. @caffeflorian Al-Nawfara (Damasco, Síria, séc. XVII) Al-Nawfara Divulgação Posicionado nas imediações da Grande Mesquita dos Omíadas, no coração da Cidade Velha de Damasco, o Al-Nawfara é o café mais icônico da Síria e um dos mais antigos do mundo árabe, com origens que remontam a séculos antes das estimativas popularizadas. É mundialmente reconhecido por preservar a figura do Hakawati, o contador de histórias que, do alto de uma cadeira ornamentada, narra lendas épicas e epopeias como As Mil e Uma Noites aos clientes reunidos. O cardápio reflete a tradição da hospitalidade síria: café árabe com cardamomo, chá preto forte servido em pequenos copos de vidro, bebidas à base de anis e limonadas locais. Para acompanhar, são servidos doces damascenos tradicionais e castanhas torradas. @al_nawfara_coffee Confeitaria Colombo (Rio de Janeiro, Brasil, 1894) Confeitaria Colombo (Rio de Janeiro, Brasil, 1894) Divulgação Fundada pelos imigrantes portugueses Joaquim Borges de Meireles e Manuel José Lebrão, a Colombo é o maior expoente da arquitetura Art Nouveau no Brasil e Patrimônio Cultural e Artístico do Rio de Janeiro. Seus imensos espelhos de cristal trazidos de Antuérpia, o piso de mosaico português, as mesas de mármore e o mobiliário em jacarandá criam um cenário de sofisticação da Belle Époque que recebeu Getúlio Vargas, Olavo Bilac, Chiquinha Gonzaga, Villa-Lobos e a rainha da Inglaterra. A sede da Rua Gonçalves Dias abriga quatro espaços: o Bar Jardim, o Restaurante Cabral no mezzanino, o Restaurante Cristóvão no segundo andar e o salão principal de confeitaria. O cardápio conta com mais de 60 preparações. Os destaques são o Pastel de Nata — herança portuguesa dos fundadores —, o Quindim de gema brilhante, a Coxinha de Frutos do Mar, as Tarteletes de Nozes e a Mil-folhas de creme. O Café Colombo Triplo, item mais elaborado do menu, inclui croissant, mini baguete, queijo, presunto, geleia da casa, manteiga, torrada, mini bolo Colombo, petit four, salada de frutas com iogurte e granola e suco de laranja. @confeitariacolombo New York Café (Budapeste, Hungria, 1894) New York Café (Budapeste, Hungria, 1894) Divulgação Eleito o café mais bonito do mundo em competição internacional em 2011, o New York Café impressiona pela arquitetura eclética — colunas de mármore, afrescos dourados, estuques elaborados e lustres de cristal numa composição que mistura renascentismo italiano, barroco e Art Nouveau. No início do século XX, era o reduto de escritores e editores húngaros, com a lenda de que as chaves foram lançadas ao Danúbio na noite de inauguração para que o café nunca precisasse fechar. Integrado hoje ao hotel Anantara New York Palace, o menu equilibra herança austro-húngara e cozinha europeia contemporânea. Entre os pratos salgados, o Goulash tradicional servido em pão escavado e o Chicken Paprikash com spätzle são os maiores clássicos. Nas sobremesas, a Torta Dobos (camadas de pão de ló com creme de chocolate e cobertura de caramelo crocante, criada em Budapeste em 1885) divide destaque com o Strudel de maçã e canela e os bolos vienenses da confeitaria própria. O chá da tarde completo inclui scones, financiers, eclairs e sandwiches de pepino com cream cheese, servidos em prataria do hotel. @newyorkcafebudapest Café Majestic (Porto, Portugal, 1921) Café Majestic (Porto, Portugal, 1921) Divulgação O Majestic é uma joia do Art Nouveau português, localizado na movimentada Rua Santa Catarina. Com interior adornado com espelhos flamengos monumentais, talha dourada e figuras esculpidas em madeira, o café evoca o glamour dos anos 1920 e é considerado um dos mais belos da Europa — frequentado, entre outros, por J.K. Rowling nos anos em que viveu no Porto e escreveu os primeiros rascunhos de Harry Potter. O menu atual é famoso pela Rabanada à Majestic, versão luxuosa do doce português, embebida em leite e ovos, frita e finalizada com calda de frutos secos e sorvete de baunilha. O chá completo inclui uma seleção de sanduíches finos, scones com creme e compota, bolos de pastelaria e infusões premium. Entre os pratos salgados, a Francesinha, ícone da gastronomia portuense, é servida aqui em versão refinada, com molho apurado no próprio café. O menu de brunch de fim de semana inclui ovos Benedict, iogurte com granola artesanal e sumos naturais. @majestic_cafe Pellegrini’s Espresso Bar (Melbourne, Austrália, 1954) Pellegrini’s Espresso Bar (Melbourne, Austrália, 1954) Divulgação Embora seja o mais jovem da lista, o Pellegrini’s é o pilar da renomada cultura de café australiana. Esteve entre os primeiros estabelecimentos de Melbourne a operar uma máquina de espresso italiana autêntica, transformando radicalmente o paladar do país. O ambiente é deliberadamente despretensioso - balcões de fórmica, azulejos originais e um letreiro de neon na fachada que se tornou patrimônio histórico da cidade. O menu é direto e nostálgico, servido da mesma forma há décadas. O espresso é curto, encorpado e intenso, extraído em máquinas vintage italianas. A granita de melancia é um clássico para os dias quentes, e as massas caseiras (lasanha, espaguete à bolonhesa e fettuccine ao pesto) são preparadas diariamente com receita inalterada desde a abertura. Os gelatos artesanais, em sabores como baunilha, pistachio e stracciatella, fecham o menu com a mesma singeleza que define o lugar. @pellegrinisespressobar Mais em Globo Condé Nast Canal da Vogue Quer saber as principais novidades sobre moda, beleza, cultura e lifestyle? Siga o novo canal da Vogue no WhatsApp e receba tudo em primeira mão!
Go to News Site