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ONU: 40 novas espécies migratórias receberão proteção internacional
Jornal de Brasília

ONU: 40 novas espécies migratórias receberão proteção internacional

A Convenção das Nações Unidas sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS, na sigla em inglês) aprovou neste domingo (29) a inclusão de 40 novas espécies sob proteção internacional, após sua 15ª reunião (COP15), realizada esta semana no Brasil. A lista inclui a coruja-das-neves (Bubo scandiacus), famosa graças à saga Harry Potter, cujos seguidores conhecem como Hedwig. Esta espécie perdeu um terço de sua população mundial nas últimas três décadas. "A mudança climática e a e a superexploração estão entre as principais causas do declínio de sua população, e evidenciam claramente a vulnerabilidade da espécie, apesar de seu caráter emblemático", explica a convenção da CMS em comunicado. Também está na lista o maçarico-de-bico-virado ou maçarico-café (Limosa haemastica), uma ave de bico longo ameaçada de extinção que percorre 30 mil quilômetros por ano ao longo do continente americano. Assim como o tubarão-martelo-gigante (Sphyrna mokarran) e mamíferos terrestres como a hiena-listrada (Hyaena hyaena) e aquáticos como a ariranha ou lontra-gigante (Pteronura brasiliensis). Segundo um relatório publicado pouco antes da COP15, quase metade (49%) das espécies incluídas na lista da CMS apresenta queda populacional. E quase uma em cada quatro está ameaçada de extinção em nível mundial. Colapso A reunião, com representantes de 133 membros (132 países e a União Europeia), aconteceu em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, no Pantanal, uma das áreas de maior biodiversidade do planeta. A Convenção é juridicamente vinculante, o que significa que os países têm a obrigação legal de proteger as espécies classificadas como ameaçadas de extinção, conservar e restaurar seus habitats, minimizar os obstáculos à sua migração e cooperar entre si para garantir essa conservação. Outro relatório, publicado na terça-feira, alertou para o "colapso" das migrações essenciais para a sobrevivência de espécies de peixes de água doce, como as enguias, causado pela degradação dos habitats naturais, pela sobrepesca e pelas barragens. A COP comemorou os avanços nesta frente. "Essa convenção, além de aprovar e discutir espécies que passam a contar com a proteção ou com o que a gente chama de esforço de ações concertadas, também avalia as ações em desenvolvimento, discute protocolos, analisa vários assuntos que, direta ou indiretamente, afetam a passagem migratória", disse à AFP João Paulo Capobianco, presidente desta COP15. Essas espécies sofrem principalmente com a degradação de seus hábitats naturais, a poluição e também a mudança climática. "Você tem espécies que estão mudando o período de migração em função de mudanças nas estações e também o problema das espécies que chegam em um determinado local e, por terem mudado o momento da migração, não encontram determinados alimentos que deveriam se justificar, por exemplo, naquele momento do ano", explica Capobianco. O Brasil já havia sediado a COP30, a conferência climática da ONU, em novembro do ano passado em Belém do Pará. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também destacou a importância da conservação das espécies migratórias para "a vida no planeta". "A Convenção sobre Espécies Migratórias nos lembra uma mensagem simples, mas poderosa: migrar é natural. Ao cruzarem continentes conectando ecossistemas distantes, essas espécies revelam que a natureza não conhece limites entre Estados", declarou Lula em seu discurso de abertura há uma semana. AFP

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