Jornal O Globo
Uma idosa do estado do Tennessee, nos Estados Unidos, passou 108 dias presa após ser erroneamente associada, por um sistema de reconhecimento facial, a um caso de fraude bancária ocorrido em Dakota do Norte,estado que, segundo ela, nunca havia visitado. Três pessoas são presas após tentativa de atentado a bomba em Paris Vídeo: Incêndio atinge boate na Alemanha e provoca evacuação de centenas de pessoas Angela Lipps, de 50 anos, foi detida em 14 de julho de 2025 por agentes federais em Elizabethton, enquanto cuidava de quatro crianças em casa. Segundo relato divulgado, nesta semana, em uma campanha de arrecadação de fundos, a abordagem ocorreu sob mira de armas. Ela permaneceu presa sem direito a fiança por mais de três meses antes de ser transferida para Dakota do Norte, acusada de crimes como furto qualificado e uso indevido de informações pessoais, de acordo com a CNN. A investigação em Fargo buscava identificar um suspeito de fraude bancária que teria usado uma identidade falsa ligada ao Exército dos Estados Unidos para sacar milhares de dólares entre abril e maio de 2025. O nome de Lipps surgiu após a aplicação de ferramentas de reconhecimento facial em imagens do caso. Provas ignoradas e falhas na investigação Documentos judiciais obtidos pelo News Channel 9 indicam que a defesa apresentou registros bancários e de localização que colocariam Lipps no Tennessee nos mesmos horários em que o crime teria ocorrido a mais de 1.900 quilômetros de distância. Mesmo assim, ela permaneceu detida por meses antes de ser interrogada formalmente em dezembro. Segundo a própria Lipps, a conversa com investigadores durou poucos minutos e teria sido suficiente para desmontar as suspeitas. Ela foi libertada na véspera de Natal, após promotores, polícia e um juiz concordarem em arquivar as acusações sem prejuízo, permitindo a continuidade das apurações. Reconhecimento de erros e revisão do sistema O chefe de polícia de Fargo, Dave Zibolski, reconheceu falhas na condução do caso, embora não tenha formalizado um pedido de desculpas à mulher. Em entrevista coletiva, ele afirmou que houve erros de comunicação entre departamentos e na interpretação de dados de reconhecimento facial, incluindo o uso de software interno por outra cidade, West Fargo. Segundo ele, informações foram compartilhadas entre departamentos sem a devida checagem, o que levou à associação indevida. Zibolski também disse que o sistema falhou ao não encaminhar corretamente imagens de vigilância a um centro estadual especializado em reconhecimento facial. As autoridades locais informaram ainda que estão revisando protocolos, ampliando treinamentos e discutindo restrições ao uso da tecnologia entre diferentes departamentos policiais. Os advogados de Lipps afirmam que o caso evidencia a ausência de investigações básicas antes da emissão do mandado de prisão. Em nota, eles disseram que a prisão foi resultado de um “atalho tecnológico” que substituiu verificações tradicionais, levando à detenção de uma pessoa inocente. Enquanto isso, Lipps relata impactos profundos após o período na prisão, incluindo perda de moradia, bens pessoais e renda, além de abalos emocionais. “Não sou mais a mesma mulher”, disse ela em declaração divulgada por sua defesa. Segundo seus advogados, o caso agora também é analisado sob a perspectiva de possíveis violações de direitos civis.
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