Jornal O Globo
A baleia jubarte encalhada no Mar Báltico completou nesta segunda-feira (30) uma semana em situação crítica, agora nas águas rasas da baía de Wismar, no norte da Alemanha. As informações são da cobertura ao vivo da emissora alemã NDR, que acompanha a operação desde os primeiros dias do encalhe. Segundo especialistas citados pela emissora, o animal apresenta forte deterioração do estado geral e sinais de vitalidade cada vez mais reduzidos. De acordo com o Ministério do Meio Ambiente de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, com o Museu Oceanográfico Alemão e com registros do Greenpeace mencionados pela NDR, a baleia não exibe mais movimentos significativos de nadadeiras e deixou de vocalizar. A frequência respiratória, antes registrada a cada dois ou três minutos durante a permanência em Niendorf, caiu para intervalos de cerca de quatro a cinco minutos na baía de Wismar, o que pode indicar exaustão ou inatividade extrema. Assista: ONG diz que esperanças para baleia jubarte encalhada na costa alemã estão diminuindo Quadro clínico e sinais de piora O ministro Till Backhaus (SPD) confirmou que o estado do animal é considerado grave. Segundo os especialistas do Museu Oceanográfico Alemão, que não conseguem realizar uma avaliação direta, a condição é inferida por observação à distância. Em comparação com o dia anterior, houve piora, com redução clara de atividade na superfície. A NDR relata ainda ausência de sons nesta manhã e imobilidade quase total a cerca de dois metros de profundidade. Além disso, aves marinhas continuam pousando sobre o corpo do animal e bicando sua pele, já fragilizada pela baixa salinidade do Mar Báltico. Uma corda ainda permanece presa à boca da baleia, embora tentativas de remoção não tenham sido bem-sucedidas até o momento, segundo o Instituto de Pesquisa da Vida Selvagem Terrestre e Aquática (ITAW), citado pela emissora. Janela crítica e decisão em aberto O pesquisador Burkhard Baschek, diretor científico do Museu Oceanográfico Alemão em Stralsund, afirmou à NDR que a elevação do nível da água prevista para esta tarde pode representar uma última oportunidade natural de deslocamento. Entre 14h e 18h (horário local), a maré pode subir cerca de 30 centímetros, o que, em tese, permitiria que a baleia se reposicionasse ou alcançasse águas mais profundas. Ainda assim, ele classificou a possibilidade como incerta e arriscada. Segundo a emissora alemã, às 13h (horário local) autoridades estaduais, cientistas e representantes de organizações ambientais, incluindo o Greenpeace, devem apresentar novos encaminhamentos sobre o caso. A organização afirmou, por meio de sua representante Franziska Salmann, que “desistir não é uma opção”, mesmo diante do estado avançado de debilitação do animal. Operação reduzida e monitoramento contínuo A NDR informou ainda que, no momento, não há novas operações de resgate ativas no local. A estratégia atual é permitir que a baleia recupere forças por conta própria, na expectativa de que consiga sair da área de águas rasas. Equipes de polícia marítima e ambiental chegaram a se aproximar do animal em bote inflável e realizar estímulos sonoros na água, mas sem resposta significativa. Segundo o repórter Mike-Oliver Woyth, da NDR, a decisão é manter distância para reduzir o estresse do animal. Ainda assim, o comportamento observado preocupa: a resposta aos estímulos externos diminuiu progressivamente ao longo dos últimos dias. Uma semana de incerteza no Mar Báltico O caso mobiliza autoridades, cientistas e organizações ambientais desde o início do encalhe, há uma semana, após o deslocamento do animal entre Niendorf, no estado de Schleswig-Holstein, e a baía de Wismar, em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental. A situação segue sem desfecho, com chances consideradas mínimas de sobrevivência, mas sem definição sobre encerramento da operação ou eventual intervenção mais direta.
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