Revista Oeste
Enquanto as consequências do escândalo do Banco Master impactam o setor de turismo, a BeFly se vê pressionada a dissociar sua imagem das investigações que envolvem Daniel Vorcaro e seus fundos, como o B10 e o TT, principais financiadores da estratégia de expansão da holding . + Leia mais notícias de Economia em Oeste Fundada em 2021 por Marcelo Cohen, a BeFly consolidou-se rapidamente depois da aquisição da Flytour, tradicional agência de turismo corporativo. Antes da pandemia, a Belvitur, empresa de Cohen, faturava em torno de R$ 800 milhões, enquanto a Flytour chegou a ultrapassar R$ 6 bilhões, mas acumulou dívidas durante a crise sanitária, conforme mostrou o jornal Folha de S. Paulo. Nos anos seguintes, Cohen ampliou o portfólio da BeFly com a compra de empresas como Queensberry, voltada ao turismo de luxo, e STB, referência em intercâmbio. O hotel Botanique, em Campos do Jordão, também foi adquirido em parceria com Vorcaro. Em 2022, o empresário projetava faturamento acima de R$ 10 bilhões para o grupo. Escândalo do Banco Master e pressão sobre a BeFly O avanço das investigações e a liquidação do Banco Master, que levou à prisão preventiva de Vorcaro, intensificaram o escrutínio sobre as operações da BeFly. Atualmente, Cohen enfrenta uma disputa na Câmara de Arbitragem de São Paulo , desde dezembro de 2025, relacionada à aquisição da Flytour, cuja primeira sessão ocorreu na quinta-feira 26. https://www.youtube.com/watch?v=5sZwke8P7Ig Com 2,3 mil funcionários e cerca de 8 mil clientes corporativos, a BeFly embarca milhares de passageiros mensalmente. Agora o desafio é provar que a estrutura financeira da holding não foi afetada pelos desdobramentos do caso Master. A assessoria de Cohen declarou que o Master "não detinha participação societária na BeFly" e atuava apenas como parceiro financeiro, fornecendo linhas de crédito para aquisições realizadas entre 2021 e 2022, além de recursos próprios. A nota afirma que a empresa segue cumprindo seus compromissos. Do exterior, Eloi D’Avila de Oliveira, fundador da Flytour, acompanha a disputa sobre o passivo da empresa, envolvida em recuperação extrajudicial. "Temos cláusula de confidencialidade. Não posso disponibilizar qualquer informação sobre a venda do Grupo Flytour e o fundo B10", disse por WhatsApp ao jornal Folha de S.Paulo . "De imóveis à minha poupança para a aposentadoria, tudo foi para dentro da empresa para não ter de mandar funcionários embora." Nos anos da pandemia, a chegada de Cohen e do capital de Vorcaro foi vista como salvação diante das dívidas de R$ 350 milhões da Flytour. Detalhes das operações financeiras e expansão da BeFly O site da Titan, empresa de Vorcaro, destaca que, durante o período de aeroportos fechados, Cohen recorreu ao Banco Master para capitalizar a Belvitur e adquirir cerca de 30 empresas em dificuldades a partir de 2020. Isso permitiu que a BeFly crescesse enquanto concorrentes sofriam os efeitos da crise do setor. https://www.youtube.com/watch?v=WX2CGIxH5h0 Segundo executivos do mercado, que pediram anonimato, a consolidação promovida por Cohen passou a ser vista como injusta depois da revelação dos desvios no Master, já que parte dos recursos veio de Vorcaro. Antes do colapso, Cohen exaltava o parceiro financeiro e detalhou sua estratégia em outubro de 2024, em entrevista a Sandra Chayo. "Peguei o capital que tinha e minhas economias de fora, vou para o tudo ou nada neste projeto. Trouxe o Banco Master, que é um parceiro meu hoje, para fazer investimento junto comigo. Compramos 36 empresas em 30 meses." Sobre os riscos assumidos, Cohen afirmou: "Eu sempre entendi que depois da tempestade vem a bonança. Não seria diferente depois da Covid." No entanto, as investigações da Polícia Federal , incluindo a Operação Compliance Zero, resultaram na prisão de Vorcaro e Fabiano Zettel, acusados de fraude bilionária e outros crimes. Estruturas de fundos investigados e vínculos societários Estruturas financeiras em camadas, como o fundo B10 administrado pela Trustee, surgem no ecossistema da BeFly. O B10, anteriormente Otisu, aparece no contrato de compra e venda da Flytour e é alvo das operações Carbono Oculto e de investigações sobre vínculos com o PCC. O litígio arbitral sobre a Flytour pode envolver questões de preço, ativos não provisionados ou garantias, já que fundos sob suspeita de fraudes estão sendo investigados. A Queensberry, outra empresa do grupo, ainda tem o B10 como sócio, conforme dados da CVM. A carteira do B10 integrava o fundo Leal, ao lado do Arleen, fundos citados em reportagens sobre relações entre o ministro Dias Toffoli (STF) e Zettel, envolvendo também o Tayayá Resort. O Arleen chegou a deter ações da Tayayá Administração e Participações até 2025, com Zettel como cotista por meio do Leal. Nos registros da Receita Federal, o telefone do B10 coincide com o do Master, assim como os endereços apresentados. Já o TT Fundo de Investimento em Participações, com ações da BeFly Travel Part, compõe o portfólio do Astralo 95, um dos fundos apontados pelo Banco Central como parte do esquema de fraude atribuído a Vorcaro e investigado por ligações com o PCC. Relações pessoais e explicações oficiais Marcelo Cohen mantém proximidade com a família de Vorcaro; ambos já atuaram como guias turísticos na Disney. Além disso, dados oficiais mostram que Cohen e Zettel são administradores da FSW, que reúne Belvitur e Moriah, holding do cunhado de Vorcaro. A FSW possui um jatinho Falcon 2000, avaliado em cerca de R$ 30 milhões, segundo informações da Anac. Em nota, Cohen explicou: "Trata-se de um ativo estruturado em cotas, modelo usual nesse mercado. Uma de nossas empresas é detentora de uma cota, por meio de uma SPE, e essa participação não está à venda." Ele também negou sociedade de Vorcaro e Zettel na BeFly: "Ressaltamos que as pessoas mencionadas não mantiveram qualquer vínculo societário com a BeFly, não tendo também exercido quaisquer funções de gerência ou administração na companhia." A nota finaliza ressaltando que a BeFly "mantém padrões rigorosos de governança e compliance, além de seguir adimplente com seus compromissos financeiros". Leia também: “Os tentáculos do Master" , artigo de Carlo Cauti na Edição 305 da Revista Oeste O post BeFly enfrenta pressão para se afastar de escândalo do Banco Master apareceu primeiro em Revista Oeste .
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