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Brasileiros têm dificuldade para identificar plataforma ilegal
Jornal O Globo

Brasileiros têm dificuldade para identificar plataforma ilegal

Cerca de 36% dos apostadores brasileiros jogam como forma de entretenimento. Porém, quase empatados (35%) estão aqueles que tentam principalmente ganhar dinheiro com as apostas. A constatação é da H2 Gambling Capital, que realizou pesquisa apresentada no ICE Barcelona 2026 — um dos maiores eventos do mundo — detalhando o peso que os apostadores dão à legalidade das empresas que atuam no mercado de quota fixa. — Estamos tentando mostrar para eles que apostar é uma diversão, não uma maneira de ganhar dinheiro — comenta Plínio Lemos Jorge, presidente da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL). A maioria dos entrevistados pela pesquisa — cerca de 53% — diz que joga em casas de apostas licenciadas. No entanto, 29% não sabem verificar a autenticidade da empresa, ou não notam diferença, e 18% afirmam que não checam se a operadora é legal, mas saberiam como identificar. — Os apostadores estão começando a entender que precisam se divertir de maneira regulamentada. O uso de plataformas ilegais oferece risco a eles próprios, como não receber o prêmio e ser objeto de fraudes — alerta Lemos Jorge. O estudo mostra que a principal justificativa para não se preocupar com a legalidade do operador é a oferta de bônus ou prêmio de boas-vindas (26%). Em seguida vem a percepção de melhores preços (21%). São 9% os que não querem pagar imposto sobre ganhos, e 7% optam pelo mercado ilegal porque estão bloqueados pelas empresas licenciadas. — O jogador brasileiro procura muito a oferta de bônus. Como as operadoras regulamentadas não têm esse atrativo, muitos buscam isso nas plataformas ilegais, que também têm mais facilidade no acesso — avalia o presidente da ANJL. Esse perfil é diferente do que prevalece nos mercados maduros, embora o combate à ilegalidade seja um desafio mundial. Plínio acredita que as maiores diferenças entre os jogadores brasileiros e os de outros países estão ligadas ao tempo de regulamentação. — Nossa regulamentação é muito recente. Nos outros lugares, é mais antiga, o público está acostumado com as apostas, o limite de idade está bem definido. A regulação lá fora já deu certo, na maioria dos casos. Saúde expande ações de proteção ao jogador Serviço de teleatendimento em saúde mental, recém-lançado, tem parceria com o Hospital Sírio-Libanês O segundo ano do mercado regulado de apostas de quota fixa no Brasil começou com novas iniciativas de proteção à saúde do apostador. O Ministério da Saúde anunciou, no dia 3 de março, o início da oferta de teleatendimento em saúde mental para pessoas com problemas relacionados aos jogos. O objetivo é ampliar o acesso ao serviço, que ainda tem demanda pequena na modalidade presencial. A iniciativa tem como parceiro o Hospital Sírio-Libanês, que vai atender pessoas com 18 anos ou mais e oferecer apoio às famílias. A expectativa do governo é que sejam atendidas, inicialmente, 600 pessoas por mês. O cadastro para acessar o serviço pode ser feito 24 horas por dia, através do aplicativo Meu SUS Digital. A equipe é formada por psicólogos e terapeutas ocupacionais e conta com apoio de psiquiatras, além de assistência social e medicina de família para integração com serviços locais. O convênio faz parte do acordo de cooperação firmado entre os ministérios da Saúde e da Fazenda, em dezembro do ano passado. O documento propôs a execução de ações integradas e estratégicas voltadas à prevenção, à redução de danos e ao cuidado com a saúde de pessoas com problemas relacionados às apostas de quota fixa. Uma das ferramentas disponibilizadas a partir do acordo é a autoexclusão. Até fevereiro de 2026, 326 mil brasileiros haviam encerrado suas contas. Só em dezembro de 2025, primeiro mês de funcionamento da ferramenta, foram 217 mil pedidos de autoexclusão. Desse total, 73,39% são de exclusão por tempo indeterminado e 18,9% por 12 meses. Os motivos são diversos. A justificativa de 33,83% dos solicitantes para a autoexclusão foi a perda de controle sobre o jogo. Em segundo lugar, com 24,48%, está o desejo de impedir que os dados pessoais sejam usados em plataformas de apostas.

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