Jornal O Globo
A 15ª COP das Espécies Migratórias, realizada pela primeira vez no Brasil, terminou neste domingo (29) com a aprovação de dezenas de resoluções e a inclusão de mais 40 espécies, subespécies ou populações na lista oficial dos animais ameaçados de extinção. Essa listagem exige cooperação internacional de conservação. Semana Santa: Quinta-feira é feriado? Veja como ficam as folgas e os próximos feriadões de 2026 Leia mais: Sexta-feira Santa é feriado ou ponto facultativo? Assim como a Conferência do Clima, que aconteceu ano passado em Belém (PA), a Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS) é um evento da ONU. Mas com um objetivo mais específico: a preservação da biodiversidade mundial. O foco é implementar estratégias para proteger espécies que cruzam fronteiras, chamadas de espécies migratórias. Na redição realizada semana passada no Pantanal do Mato Grosso do Sul, foram aprovadas 15 Ações Concertadas e 39 resoluções, além da inclusão de mais 40 espécies na lista de animais ameaçados. João Paulo Capobianco, secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente e presidente da COP15, celebrou a aprovação de uma resolução voltada à mobilização de recursos para países em desenvolvimento. — Os debates também destacaram a necessidade de proteger e fortalecer a conectividade, as rotas migratórias, os corredores ecológicos e os habitats saudáveis. Esses elementos não são apenas caminhos geográficos, mas verdadeiras linhas de vida que sustentam a biodiversidade e o equilíbrio ecológico, e protegê-los exige não apenas vontade política, mas também ação coordenada entre diferentes jurisdições, setores e atores — explicou. Das 40 espécies incluídas na lista de animais migratórios ameaçados, 16 ocorrem no Brasil: os peixes surubim-pintado, cação-cola-fina, e as aves maçarico-de-bico-torto, maçarico-de-bico-virado, e caboclinho-do-pantanal, além de 24 espécies de petréis e grazinas. Saiba mais sobre elas: Surubim-pintado A inclusão do surubim-pintado veio de uma proposta apresentada pelo Brasil, pois a espécie, típica de grandes bacias sul-americanas, é considerada estratégica para a segurança alimentar e a economia de comunidades tradicionais e ribeirinhas. Cação-cola-fina O cação-cola-fina sofreu um colapso populacional estimado em mais de 80% nas últimas três gerações. Agora, com a proteção oficial, essa espécie passa a contar com um mecanismo de cooperação que pode estimular a adoção de medidas conjuntas de monitoramento, mitigação de capturas incidentais, proteção de áreas críticas e troca de informações científicas. Petréis e grazinas Aves marinhas, as petréis e grazinas cruzam 64 países, mas se reproduzem em áreas restritas. Uma das subespécies, a grazina-de-trindade só se reproduz na Ilha da Trindade (ES), por exemplo. Além disso, sofrem ameaças por diferentes fatores, como acidentes com linhas de transmissão de energia elétrica e torres de comunicação, aumento do nível do mar e inundações, e poluição marinha. Maçarico-de-bico-torto Essa ave se desloca por longas distâncias entre áreas de reprodução no Alasca e no Canadá e áreas não-reprodutivas na América do Sul, em mais de 30 países. Sua inclusão na lista tem o objetivo de fortalecer a cooperação internacional para conservação dos seus habitats. Maçarico-de-bico-virado Essa espécie circula por 60 países e tem uma das migrações mais longas entre aves terrestres. Ainda assim, sofre com a perda de hábitat, desde áreas do interior para agricultura até pressão da pesca e caça. Caboclinho-do-pantanal Pequena ave ainda pouco conhecida. Sua inclusão na lista servirá para aumentar o conhecimento científico sobre a espécie. Lista completa de espécies incluídas na lista de animais migratórios ameaçados Mamíferos 1. Acinonyx jubatus (guepardo) - App I e II 2. Hyaena hyaena (hiena-listrada) - App I e II 3. Pteronura brasiliensis (ariranha) - App I e II Aves (Petréis) 4. Pterodroma baraui (petrel-de-Barau) 5. Pterodroma cervicalis occulta (petrel-de-Vanuatu) 6. Pterodroma hasitata (petrel-de-capuz-negro) 7. Pterodroma madeira (petrel-da-Madeira / Zino’s petrel) 8. Pterodroma magentae (petrel-magenta) 9. Pterodroma incerta (petrel-atlântico) 10. Pseudobulweria macgillivrayi (petrel-de-Fiji) 11. Pseudobulweria aterrima (petrel-das-Mascarenhas) 12. Pseudobulweria becki (petrel-de-Beck) 13. Pterodroma leucoptera (pop. Austrália e Nova Caledônia) 14. Pterodroma brevipes (petrel-de-colar) 15. Pterodroma defilippiana (petrel-de-Masatierra) 16. Pterodroma longirostris (petrel-de-Stejneger) 17. Pterodroma cookii (petrel-de-Cook; pop. Austrália e NZ) 18. Pterodroma pycrofti (petrel-de-Pycroft) 19. Pterodroma axillaris (petrel-de-Chatham) 20. Pterodroma neglecta juana (petrel-de-Kermadec chileno) 21. Pterodroma arminjoniana (grazina-de-Trindade) 22. Pterodroma alba (petrel-fênix) 23. Pterodroma cervicalis cervicalis (petrel-de-pescoço-branco) 24. Pterodroma externa (petrel-de-Juan-Fernández) 25. Pterodroma feae (petrel-de-Cabo-Verde) 26. Pterodroma deserta (petrel-das-Desertas) 27. Pseudobulweria rostrata (petrel-do-Taiti) Aves (outras): 28. Ardenna carneipes (pardela-de-pata-rosada) 29. Numenius phaeopus hudsonicus (maçarico-de-bico-torto) 30. Limosa haemastica (maçarico-de-bico-virado) 31. Tringa flavipes (maçarico-de-perna-amarela) 32. Bubo scandiacus (coruja-das-neves) 33. Sporophila iberaensis (caboclinho-do-pantanal) Peixes 34. Alopias pelagicus (tubarão-raposa-pelágico) 35. Alopias superciliosus (tubarão-raposa-de-olho-grande) 36. Alopias vulpinus (tubarão-raposa-comum) 37. Mustelus schmitti (cação-cola-fina) 38. Sphyrna lewini (tubarão-martelo-recortado) 39. Sphyrna mokarran (tubarão-martelo-gigante) 40. Pseudoplatystoma corruscans (pintado)
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