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Casos de antissemitismo se espalham nas redes sociais
Revista Oeste

Casos de antissemitismo se espalham nas redes sociais

Por décadas, o Brasil cultivou a imagem de um país relativamente imune ao antissemitismo. Contudo, esse cenário mudou de forma expressiva nos últimos anos. O relatório Antissemitismo no Brasil, apresentado nesta segunda-feira, 30, pela Confederação Israelita do Brasil (Conib), mostra que o país entrou em um “novo normal” de hostilidade contra judeus. Segundo o documento, o Brasil registrou 989 ocorrências de antissemitismo em 2025 , número 149% superior ao de 2022 , mesmo após a redução em relação ao pico de 2024. A média é de 2,7 casos por dia. Para a Conib, esse cenário configura um “novo normal” de hostilidade contra judeus no Brasil. Relatorio_Antissemitismo no Brasil 2025 FULL_30032026 Baixar As plataformas digitais se tornaram o principal vetor de propagação do antissemitismo. Em 2025, 80,9% das ocorrências foram registradas em ambientes digitais, cerca de 800 dos 989 casos. O ataque terrorista do Hamas em 7 de outubro de 2023 funcionou como catalisador de uma nova onda de antissemitismo. Esse fenômeno acontece em nível mundial. A chamada “globalização do ódio” faz com que eventos no Oriente Médio ou em universidades estrangeiras reverberem quase instantaneamente no Brasil, especialmente nas redes sociais. A máquina digital do antissemitismo Em 2025: 800 dos 989 casos ocorreram on-line apenas 189 foram offline . As redes sociais são o principal campo de batalha: Instagram: 37% dos casos; X (Twitter): 13,8%; Facebook: 11,6%; e YouTube, WhatsApp e outras plataformas completam o quadro. O discurso antissemita está se tornando mais difuso, menos explicitamente violento e mais integrado ao debate cotidiano. Ou seja: mais difícil de identificar, mas também mais persistente. O discurso se infiltra na vida real O antissemitismo vai além das fronteiras das redes sociais. O relatório completo traz casos concretos que ilustram a transição do discurso para a ação: um rabino hostilizado durante a COP por ser associado automaticamente a Israel; comentários públicos afirmando que “Hitler estava certo”; e uma funcionária demitida no Rio Grande do Sul por ser judia, com justificativa ligada ao conflito no Oriente Médio. Um dos avanços do relatório completo é mostrar que o antissemitismo está dentro das empresas. Os dados são contundentes: 46% dos judeus já sofreram antissemitismo no trabalho ; 19% relatam episódios diretos no ambiente profissional ; e 52% já ouviram piadas sobre judeus . Mais grave ainda: apenas 14% dizem que o tema é tratado de forma consistente nas políticas de diversidade ; e só 15% das empresas têm políticas claras sobre o tema . Ou seja: há um descompasso entre a retórica corporativa de inclusão e a realidade prática. Outro ponto novo do relatório completo é a forma como os próprios judeus reagem ao fenômeno: educação e esclarecimento lideram as estratégias; produção de conteúdo e debate aparecem em seguida; e ativismo físico é residual. E onde isso acontece? nas redes sociais; no círculo social próximo; e dentro da própria comunidade. O relatório também detalha o conteúdo das manifestações. Há defesa explícita do nazismo, desumanização de judeus, generalizações coletivas e teorias conspiratórias O post Casos de antissemitismo se espalham nas redes sociais apareceu primeiro em Revista Oeste .

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