Jornal O Globo
Excluído do campeonato saudita por decisão técnica e sem disputar a Liga dos Campeões da Ásia devido à guerra no Oriente Médio, Darwin Núñez encontra refúgio na seleção uruguaia para demonstrar que seu faro de gol permanece intacto, de olho na Copa do Mundo de 2026. Ser deixado de fora do campeonato saudita para dar lugar ao veterano francês Karim Benzema no Al-Hilal complicou as coisas para o camisa 9 da Celeste. Leia também: presidente da federação argentina de futebol é acusado de sonegação fiscal e não pode deixar o país Repescagem: técnico do Iraque quer impedir que guerra afete atletas e diz que ida à Copa pode mudar 'percepção que pessoas têm' do país A suspensão da Liga dos Campeões da Ásia prejudicou ainda mais a preparação do ex-jogador do Liverpool para a Copa do Mundo da América do Norte, que começa em dois meses e meio. "Pessoalmente, estou bem, fisicamente também me sinto bem", e feliz "por aproveitar esses dias, os treinos, os jogos", disse Darwin antes do amistoso que o Uruguai empatou em 1 a 1 com a Inglaterra na sexta-feira, em Wembley. Ben White (81') abriu o placar para os ingleses, e Federico Valverde empatou de pênalti nos acréscimos (90+4'). Darwin entrou em campo aos 87 minutos. O empate foi um alívio para o Uruguai, que enfrentará a Argélia em Turim nesta terça-feira, em seu último amistoso antes de Marcelo Bielsa anunciar a convocação definitiva para a Copa do Mundo. Antes da partida contra a Inglaterra, Darwin reafirmou seu total comprometimento com a seleção, apesar de não marcar um gol pelo Uruguai há quase dois anos. "Sou um camisa 9, como sempre digo, mas estou disponível para jogar onde o técnico decidir", disse ele à AUF TV, reconhecendo que "é sempre bom para um atacante marcar gols". A Copa do Mundo de Darwin? Para Ruben Sosa, ex-atacante que jogou pelo Uruguai na Copa do Mundo de 1990 na Itália, a fase atual de Darwin é comum na carreira de artilheiros. "Acontece com todos nós quando a bola não entra; o gol parece encolher e o goleiro parece maior", disse à AFP o ex-jogador de Lazio, Inter de Milão e Borussia Dortmund, entre outros. Darwin, de 26 anos, "não jogou muitas partidas, mas treinou bem". "Para mim, [a Copa do Mundo da América do Norte de 2026] será a Copa do Mundo dele, porque ele chega descansado e com aquela frustração de todos o criticarem por não marcar gols", comentou Sosita, campeão da Copa América com o Uruguai em 1987 e 1995. Sem os gols de Luis Suárez e Edinson Cavani, os dois maiores artilheiros da história da Celeste, Núñez assumiu o papel de herdeiro. Mas, após começar as eliminatórias com uma enxurrada de gols, o desempenho de Darwin caiu e, depois de marcar contra a Bolívia na fase de grupos da Copa América de 2024, ele passou por um longo período, que incluiu uma suspensão de vários jogos, sem marcar. Faltando pouco mais de 70 dias para o início da Copa do Mundo, o gol ainda não chegou. Valverde, a "carta na manga" de Bielsa Comandado por Marcelo Bielsa, o Uruguai superou a crise desencadeada pela goleada de 5 a 1 sofrida para os Estados Unidos no final do ano passado. Essa pesada derrota ameaçou encerrar abruptamente a era Bielsa, que admitiu que sua personalidade reservada, às vezes excêntrica, cria dificuldades em seu relacionamento com os jogadores. O Uruguai estreia no dia 15 de junho contra a Arábia Saudita, em um Grupo H que também inclui Cabo Verde e a poderosa Espanha. Para Sosa, Darwin será a resposta com gols para uma equipe que tem Valverde, estrela do Real Madrid, como líder e peça-chave para abastecer o ataque com talento. "Valverde é a carta na manga do Uruguai, o líder, o capitão [...] ele tem um chute de fora da área, é rápido, está em ótima forma física; podemos esperar que ele lidere o Uruguai no torneio", enfatizou Sosa. A Argélia servirá como um teste para Bielsa encontrar seu ataque ideal. O treinador afirmou ter "grandes expectativas" para Darwin, mas alertou que está abordando a contribuição do atacante "com cautela" devido à sua falta de ritmo de jogo.
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