Jornal O Globo
Em 2025, mais de 780 mil mulheres no Brasil tiveram seus casos de violência doméstica e familiar levados à Justiça, o maior número desde 2016, início da série histórica disponível. O levantamento da Predictus, empresa especializada em dados judiciais, mostra não apenas um aumento das denúncias, mas também uma maior judicialização desses casos ao longo da última década. Pede desculpas quando não teve culpa? Cuidado, você pode ser vítima de Darvo, prática que distorce a realidade e mina a autoestima Você está vivendo um relacionamento tóxico? Entenda porque é tão difícil romper esse ciclo e lidar com seus impactos emocionais O impacto da violência vai além do ambiente doméstico e se reflete muitas vezes no trabalho. Faltas frequentes, mudanças de comportamento, isolamento ou queda no desempenho podem ser sinais de que algo não vai bem. Por isso, algumas empresas têm buscado criar redes de apoio para colaboradoras em situações de risco, oferecendo acolhimento e acompanhamento psicológico. Uma dessas iniciativas é o Núcleo de Enfrentamento à Violência (NEV), criado em 2017 pela psicóloga Fátima Macedo, que atua há mais de 20 anos na promoção da saúde mental corporativa na América Latina. O núcleo oferece acolhimento, orientação e acompanhamento para pessoas que enfrentam violência no ambiente profissional, incluindo casos de violência doméstica, assédio moral ou sexual, racismo e violência urbana. Em nove anos, o NEV já realizou mais de 1,8 mil atendimentos, sendo 95% voltados para mulheres. Segundo Fátima, o núcleo surgiu após um caso de feminicídio envolvendo uma gerente de empresa, que motivou a criação de mecanismos de apoio para outras mulheres no trabalho. "Quando as empresas se engajam na prevenção da violência, elas oferecem às colaboradoras ferramentas para identificar o ciclo de violência e uma rede de apoio qualificada, sem que sejam penalizadas por buscar ajuda", explica a psicóloga Viviane Luz. Sinais de alerta no trabalho Gestores e colegas devem observar sinais de que algo não vai bem, como: Faltas frequentes ou justificativas repetidas para ausências; Choro constante ou mudanças de comportamento sem motivo aparente; Queda no desempenho ou isolamento; Ligações ou mensagens insistentes do parceiro durante o expediente; Recusa a participar de eventos do trabalho; Dores crônicas ou hematomas sem explicação convincente. "Não se deve ignorar esses sinais. Demonstrar disponibilidade para ouvir e estabelecer uma conversa acolhedora pode ser o primeiro passo para que a vítima se sinta segura para pedir ajuda. O setor de saúde ou recursos humanos pode avaliar alternativas de apoio de forma conjunta", orienta Fatima.
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