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Nova geração de agências brasileiras atrai interesse internacional
Jornal O Globo

Nova geração de agências brasileiras atrai interesse internacional

O mercado publicitário brasileiro vive uma fase de reorganização que começa a ultrapassar a lógica tradicional da prestação de serviços e a chamar atenção fora do país. Em 2025, o investimento publicitário via agências no Brasil alcançou R$ 28,9 bilhões, alta de 10% em relação ao ano anterior, segundo o Cenp, em um movimento que reforça o peso econômico do setor e ajuda a explicar por que modelos mais orientados por eficiência, dados e retorno passaram a ganhar relevância. É nesse ambiente que a SnapUp, agência com atuação multinacional, passou a ser observada por grupos estrangeiros após estruturar um modelo de operação focado na gestão estratégica de recursos em marketing. Segundo fontes com conhecimento das conversas, a empresa entrou no radar de um grupo publicitário britânico interessado em adquirir participação relevante no negócio. As negociações não foram oficialmente confirmadas, mas, nos bastidores, a movimentação é vista como sinal de que uma nova geração de agências brasileiras começa a ser percebida também como ativo estratégico. O interesse não surge em um vazio. No plano global, o mercado publicitário foi estimado em US$1,19 trilhão em 2025, com crescimento de 8,9%, segundo a WARC, o que amplia a disputa por estruturas capazes de combinar criatividade, mídia, tecnologia e eficiência operacional em escala. Diferentemente do formato mais convencional de agência, centrado sobretudo na execução de campanhas, a SnapUp vem operando com uma lógica mais próxima à de organização e otimização de recursos. Na prática, isso significa integrar mídia, produção e performance sob uma perspectiva de retorno, previsibilidade e tomada de decisão, em vez de limitar a atuação à entrega pontual de peças e projetos. Victor Honorato Arquivo pessoal À frente da empresa, o cofundador Victor Honorato afirma que esse reposicionamento acompanha uma transformação mais ampla do setor. Segundo ele, o mercado publicitário passa por uma transição em que eficiência e inteligência de alocação ganham peso semelhante ao da criatividade. “O mercado publicitário ainda é muito baseado em prestação de serviço. O que estamos construindo é uma estrutura que pensa em investimento, performance e retorno como prioridade”, diz. Nos últimos meses, a companhia também ampliou sua atuação fora do Brasil, com projetos desenvolvidos em outros mercados, movimento que, na avaliação de executivos do setor, costuma aumentar a visibilidade de empresas locais diante de grupos internacionais. Em segmentos intensivos em dados, mídia e tecnologia, a expansão internacional frequentemente funciona como um indicativo de maturidade operacional e de potencial de escala. Outro elemento que alimentou as especulações foi uma recente alteração no capital social da empresa, ocorrida semanas antes de o interesse estrangeiro circular no mercado. Embora não haja confirmação pública de vínculo direto entre os fatos, esse tipo de ajuste costuma ser acompanhado com atenção por agentes financeiros e investidores por, em alguns casos, anteceder reorganizações societárias ou novas rodadas de capital. No Brasil, o ambiente para transações estratégicas permaneceu ativo ao longo de 2025. Levantamento da KPMG aponta que o mercado de fusões e aquisições mostrou resiliência no período, com 425 operações no terceiro trimestre e avanço da participação de private equity, em um cenário marcado por seletividade, digitalização e consolidação. Nesse contexto, o modelo adotado pela SnapUp passou a ser descrito por interlocutores do mercado como uma tentativa de aproximar a publicidade de estruturas mais sofisticadas de decisão, em que a agência deixa de ocupar apenas o papel de executora e passa a disputar espaço como plataforma de inteligência operacional. “A tendência é que as agências deixem de ser apenas executoras e passem a atuar como plataformas de decisão. Quem conseguir fazer isso primeiro, ganha escala”, afirma Honorato. Mais do que um episódio isolado, o caso ajuda a iluminar uma inflexão relevante no setor. Em um mercado cada vez mais pressionado por mensuração, produtividade e integração entre criação e resultado, agências capazes de traduzir verba em performance tendem a se tornar mais valiosas, tanto para anunciantes quanto para investidores. Os nomes envolvidos nas negociações seguem sob confidencialidade, e não houve confirmação oficial sobre a estrutura ou o estágio de uma eventual operação. Ainda assim, a movimentação em torno da SnapUp sugere que parte do mercado internacional já começou a olhar para o Brasil não apenas como origem de campanhas criativas, mas como celeiro de modelos publicitários mais sofisticados e financeiramente escaláveis.

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