Jornal O Globo
O Banco Central deve chamar o BRB para explicar o plano de ação para fechar o rombo aberto pelas operações com o Banco Master nos próximos dias caso a instituição do Distrito Federal descumpra mesmo o prazo de entrega do balanço, que termina nesta terça-feira. Se desobedecer o prazo de publicação dos resultados, o BRB já fica sujeito a multas tanto do ponto de vista da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) devido às regras para empresas abertas quanto do BC. No caso da CVM, a multa é diária, no valor de R$ 1 mil e já vem sendo cobrada em virtude do descumprimento do balanço do terceiro trimestre do ano passado. Se a empresa ficar 12 meses inadimplente, pode perder o registro de companhia aberta. O BC vinha cobrando que o BRB entregasse junto com o balanço um plano de ação concreto para resolver o buraco bilionário causado pelas operações com o Master. Ao desfazer a compra de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito, suspeitas de fraude, o BRB herdou diversos ativos do Master, cujo lastro também é duvidoso. Pelas contas do BC no fim do ano passado, era estimado um buraco de ao menos R$ 5 bilhões. Já o presidente do BRB, Nelson de Souza, afirmou em fevereiro que o banco estimava uma necessidade de reserva de recursos para fazer frente a possíveis perdas de R$ 8,8 bilhões e um aporte do controlador, o governo do DF, de R$ 6,6 bilhões. Até o momento, não está claro, contudo, como será feita essa capitalização. O governo do DF aprovou a alienação prévia de nove imóveis públicos para contribuir com a solução, que têm valor total preliminarmente estimado em R$ 6,6 bilhões. O plano A do BRB era constituir um fundo imobiliário com as propriedades, cujas cotas seriam compradas por investidores privados, mas parte deles tem problemas jurídicos. O governo do DF também formalizou um pedido de empréstimo de R$ 4 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
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