Jornal O Globo
O Exército de Israel confirmou nesta terça-feira a morte de quatro soldados em combate no sul do Líbano, durante uma operação realizada na noite de segunda-feira, segundo o jornal israelense Haaretz. Ao mesmo tempo, o governo anunciou que pretende manter tropas no país após o fim da guerra e impedir o retorno de mais de 600 mil civis deslocados, medida que pode levar à criação de um novo “território ocupado” no Oriente Médio, segundo alerta da ONU. Expansão territorial: com origens bíblicas, ideia de 'Grande Israel' expõe busca por hegemonia e turbina discurso messiânico da extrema direita Após ameaças de Trump: Irã avança com plano de pedágio no Estreito de Ormuz enquanto sofre ataques e retalia contra Israel e alvos no Golfo De acordo com as forças israelenses, os militares, integrantes do Batalhão de Reconhecimento Nahal, morreram em um confronto a curta distância com homens armados. Durante a retirada dos feridos, tropas também foram alvo de um míssil antitanque, sem registro de novas vítimas. Os quatro soldados foram identificados como o capitão Noam Madmoni, de 22 anos, o sargento Ben Cohen, de 21, o sargento Maxsim Entis, de 21, e o sargento Gilad Harel, também de 21 anos. Outros três soldados ficaram feridos, um em estado grave e dois com ferimentos moderados. As mortes elevam para dez o número de militares israelenses mortos em combates no sul do Líbano desde o início da guerra com o Irã, em 28 de fevereiro. Initial plugin text No domingo, o Exército já havia informado a morte de outro soldado em confrontos na região, indicando a intensificação dos combates na fronteira norte de Israel. O primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, lamentou as mortes e afirmou que os militares “lutaram bravamente na linha de frente para proteger comunidades e cidadãos”. Plano de ocupação Em meio à intensificação da ofensiva, o governo israelense afirmou que não permitirá o retorno de mais de 600 mil libaneses deslocados do sul do país e indicou que pretende ampliar o controle militar sobre a região. ‘A guerra arrancou uma parte de mim’: civis relatam medo e impotência sob bombardeios após um mês de conflito no Oriente Médio O ministro da Defesa, Israel Katz, disse nesta terça-feira que todas as casas em vilarejos próximos à fronteira com Israel serão demolidas “como em Rafah e Beit Hanoun”, em referência a áreas da Faixa de Gaza onde houve destruição em larga escala durante a guerra. Segundo Katz, a medida tem como objetivo “remover permanentemente ameaças” nas áreas próximas à fronteira e garantir a segurança dos moradores do norte de Israel. Ele afirmou que os civis deslocados não poderão retornar “até que a segurança esteja garantida”. "Ao final da operação, as Forças Armadas de Israel se estabelecerão em uma zona de segurança dentro do Líbano, em uma linha defensiva contra os mísseis antitanque, e manterão o controle de toda a região até o Litani", o rio que corre quase 30 km ao norte da fronteira entre os dois países, afirmou Katz em um vídeo divulgado por seu gabinete. Segundo o ministro, a presença militar deve continuar mesmo após o fim da guerra. Premier israelense: Netanyahu afirma que Israel alcançou 'mais da metade de seus objetivos' em guerra contra o Irã e não prevê fim para o conflito Pouco depois, o Exército israelense fez um aceno de contenção e afirmou que a missão é atingir a infraestrutura do Hezbollah nos vilarejos, e não destruir indiscriminadamente as casas. Segundo a força, áreas sem presença do grupo não serão alvo de ataques. Ainda assim, na segunda-feira, os militares já haviam indicado a intenção de destruir casas na primeira linha de vilarejos próximos à cerca de fronteira e impedir o retorno de moradores, em uma estratégia descrita como semelhante à política de “terra arrasada” aplicada em cidades da Faixa de Gaza. As Forças Armadas também informaram ter registrado uma redução nos disparos a partir do Líbano nas últimas 24 horas, com 30 lançamentos, além de outros nove vindos do Irã. Parte dos ataques, segundo os militares, teve como alvo tropas israelenses posicionadas no sul do Líbano. Confira antes e depois da destruição em áreas do Irã Estimativas da área de defesa indicam que cerca de 585 mil pessoas já deixaram o sul do Líbano, o equivalente a aproximadamente 70% da população ao sul do rio Litani e também entre os rios Litani e Zahrani. Além disso, cerca de 621 mil pessoas deixaram o subúrbio sul de Beirute, conhecido como Dahieh, onde dois bairros estão praticamente vazios e outros cinco registram fuga de 30% a 70% dos moradores. O Líbano foi arrastado para o conflito após o Hezbollah atacar Israel em resposta à morte do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, no primeiro dia da ofensiva conjunta de Estados Unidos e Israel contra o país. Desde então, ataques israelenses ao Líbano mataram mais de 1.200 pessoas, segundo o Ministério da Saúde libanês. O Exército israelense afirma ter eliminado cerca de 850 combatentes do Hezbollah. 'Uma população traumatizada, vulnerável e com medo': o retrato da guerra no Líbano pelo olhar de quem está na linha de frente Segundo o governo, não há planos de evacuar os moradores do norte de Israel, decisão tomada antes do início da atual campanha no Líbano. Crise humanitária A escalada do conflito também gerou preocupação na comunidade internacional. O chefe de assuntos humanitários da ONU, Tom Fletcher, alertou nesta terça-feira para o risco de criação de um novo “território ocupado” no Oriente Médio, desta vez no Líbano. Durante reunião de emergência do Conselho de Segurança, Fletcher questionou como a comunidade internacional deve se preparar diante do deslocamento em massa e da possibilidade de ocupação prolongada da região. Ele também levantou dúvidas sobre a proteção de civis, citando a trajetória recente das operações militares israelenses. Guga Chacra: Uma nova ocupação do Sul do Líbano? Fletcher descreveu um cenário de “ansiedade e tensão” no país, com ataques aéreos frequentes e presença constante de drones, especialmente nos subúrbios da capital, Beirute. Segundo a ONU, mais de 1,1 milhão de pessoas foram deslocadas nas últimas quatro semanas, incluindo cerca de 370 mil crianças. Mais de 200 mil cruzaram a fronteira com a Síria no mesmo período. — Há um ciclo de deslocamentos forçados, o que aumenta as ameaças, especialmente para mulheres e meninas em lugares distantes e superlotados — alertou o representante. (Com AFP)
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