Jornal O Globo
A polarização entre Bolsonaro e Lula já vem desde 2018. Naquela ocasião, Bolsonaro teve a vantagem de que Lula estava preso e não pode se candidatar. Agora, Bolsonaro está preso, não pode se candidatar e colocou seu filho, Flavio. É uma disputa que já vem vindo há algum tempo. A postura de Caiado desde 1989, primeira vez que se candidatou, vem evoluindo - era muito radical, da UDR - e hoje pode-se dizer que é um candidato de centro-direita. Não é bolsonarista, embora tenha iniciado sua campanha anunciando uma anistia. Já marca uma posição que pode desagradar eleitores que não são nem bolsonaristas, nem petistas, mas pode agradar aos bolsonaristas que não estão aceitando Flavio como candidato. É uma tentativa de entrar pelo centro-direita e pegar votos dos bolsonaristas e do eleitorado que não quer nenhum dos dois e vai tentar se colocar como esta alternativa. Acredito que a novidade seria Eduardo Leite, governador do Rio Grande Sul, mas entendo que Caiado tem mais história e mais nome na política do que Eduardo Leite, que seria menos agradável à direita - seria mais para o eleitor de centro-esquerda. Kassab deve ter feito estas contas. Uma chance grande de Caiado é se, durante a campanha, Flavio for desmontado pela oposição, e pela situação petista e pelos outros adversários. Ele tem telhado de vidro e se, por acaso, Flavio for atingido e começar a cair nas pesquisas, que a alternativa Caiado apareça como solução. A direita teve dificuldade de encontrar um candidato que se dispusesse a disputar. Tarcísio de Freitas estava disposto, mas Bolsonaro não tinha confiança na lealdade dele, o que eu acho um exagero, e optou por manter o nome da família. Flavio, por enquanto, está jogando parado. Não faz nada, não diz nada, e vamos ver como se sai quando começarem a falar sobre ele. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
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