Jornal O Globo
A escritora Andréa del Fuego é a primeira brasileira confirmada na 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), que acontece entre 22 e 26 de julho. Autora de romances como “A pediatra” (protagonizado por uma médica manipuladora que odeia crianças) e “Os malaquias” (vencedor do Prêmio José Saramago), Andréa tem obras publicadas em 12 países, como Alemanha, França e Argentina. Vladimir Safatle: 'Passamos do fascismo restrito ao generalizado' 'Viveu várias vidas numa só': Nova biografia de Guimarães Rosa destaca trajetória multifacetada do autor de 'Grande sertão' Em nota enviada à imprensa, a curadora da Flip, a crítica literária Rita Palmeira, descreveu Andréa como “uma das escritoras mais talentosas da sua geração” e “uma narradora versátil e sofisticada”. “O convite para que ela participe do Programa Principal traduz o reconhecimento, por parte da Flip, da importância da sua obra no cenário da literatura brasileira contemporânea”, afirmou Palmeira. Andréa é a segunda atração confirmada nesta edição da Flip. A primeira foi o escritor argelino Kamel Daoud, autor de “Língua interior”, romance vencedor do Prêmio Goncourt que trata da guerra civil que opôs radicais islâmicos ao governo nacionalista da Argélia entre 1992 e 2002. O livro é narrado por Aube, que, durante a guerra, sobreviveu a uma tentativa de degola que a deixou com uma cicatriz de 17 cm no pescoço e lhe roubou a voz. “Língua interior” é o monólogo interior da personagem, ou melhor, seu diálogo com a menina que carrega no ventre e deseja abortar. Debate: Pode o bom gosto servir de antídoto para a avalanche de conteúdo ruim produzido por IA? Desde 2023, o autor vive exilado na França — a legislação argelina proíbe textos que explorem “as feridas da tragédia nacional”, isto é, da guerra civil. Em entrevista ao GLOBO, Daoud disse que, se voltar ao país, pode acabar na cadeia. — Hoje, na Argélia, os islamistas que fizeram a guerra estão livres e há escritores e intelectuais na prisão e no exílio. Não é possível criar um futuro assim — protestou. Autora homenageada Este ano, a autora homenageada da Flip é a poeta Orides Fontela (1940-1998). Autora de livros como “Transposição” (1969), “Helianto” (1973) e “Rosácea” (1986), a escritora paulista se destacou por sua poesia cerebral, de inspiração filosófica, e atenta ao mundo natural (pássaros, flores e rios são frequentes em seus versos). Fontela venceu troféus literários de prestígio como o Jabuti, em 1983, por “Alba”, e o prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), em 1996, por “Teia”, a última obra que publicou em vida. Seus versos evocam o zen-budismo, do qual ela se aproximou a partir de 1972, e contrastam as paisagens do interior com a vida na cidade. Devido à oposição entre sua inteligência refinada e a precariedade material em que vivia, chegou a ser descrita como uma “aristocrata selvagem”. Sua obra está sendo republicada pela editora Hedra.
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