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Dólar abre em queda com rumores sobre fim de guerra no Irã | Collector
Dólar abre em queda com rumores sobre fim de guerra no Irã
Jornal de Brasília

Dólar abre em queda com rumores sobre fim de guerra no Irã

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) O dólar abriu em queda nesta quarta-feira (1º), com rumores sobre o fim da guerra no Irã impulsionando a desvalorização da moeda norte-americana e fortalecendo ativos de risco. O movimento impactou o pregão da última terça-feira (31), quando o dólar fechou em queda de 1,25%, cotado a R$ 5,180, e a Bolsa subiu 2,71%, a 187.461 pontos. Às 9h55, a moeda americana caía 0,21%, a R$ 5,167, em linha com o movimento do exterior. Lá fora, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar em relação a outras seis moedas fortes, recuava 0,41%, a 99,48 pontos. O pregão da véspera encerrou março, mês marcado pela escalada da guerra no Irã. O conflito levou à interrupção das atividades no estreito de Hormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo e do gás natural consumidos no mundo. A guerra no Oriente Médio tem influenciado decisões de política monetária ao redor do mundo. O tema foi citado tanto pelo Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA) quanto pelo Banco Central do Brasil nas decisões deste mês, diante do risco de pressão inflacionária global. O cenário também elevou a procura por ativos de segurança, como o dólar e a renda fixa, e contribuiu para perdas nas Bolsas ao longo de março. Com o movimento desta terça-feira, no entanto, as perdas acumuladas no mês foram parcialmente reduzidas. No Brasil, o Ibovespa encerrou março com queda de 0,70%, enquanto o dólar acumulou alta de 0,90% no período. Nesta terça-feira, analistas mantiveram a guerra no Oriente Médio no radar. Pela manhã, o Wall Street Journal afirmou, em reportagem, que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estaria disposto a encerrar o confronto militar com o Irã. Segundo a publicação, que ouviu assessores próximos ao presidente, a decisão ocorreria mesmo com Teerã mantendo o controle do estreito de Hormuz. O governo Trump deixaria uma eventual operação para reabrir a via para um momento posterior. A reportagem também afirma que Trump e seus auxiliares avaliam que uma missão desse tipo estenderia o conflito além do prazo de quatro a seis semanas estipulado pelo presidente. Também nesta terça-feira, o Irã afirmou ter "vontade necessária" para pôr fim à guerra com os Estados Unidos e Israel, mas condicionou o avanço a garantias de que o conflito não se repita. A declaração foi dada pelo presidente do país, Masud Pezeshkian. Diante desse cenário, Lucca Bezzon, analista de inteligência de mercado da StoneX, vê um movimento de correção da moeda norte-americana. "Reflete a possibilidade de encerramento do conflito. Isso representaria uma derrota para os Estados Unidos, mas tenderia a amenizar os temores relacionados tanto à desaceleração da economia quanto à aceleração inflacionária", diz. Segundo Cristiane Quartaroli, economista-chefe do Ouribank, a expectativa de uma possível trégua animou os analistas. "Trouxe um ambiente mais favorável ao aumento do apetite por risco. Isso se reflete no câmbio —com o dólar em queda— e também na curva de juros, que cede um pouco por conta desse cenário". As taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros), que medem a expectativa do mercado em relação ao futuro das taxas Selic e CDI (usado como referência para remunerar investimentos), caíram em bloco. A taxa do DI para janeiro de 2028 fechou em 13,765%, com queda de 34 pontos-base ante o ajuste de 14,10% da sessão anterior. O mercado de juros futuros tem avançado nas últimas semanas pelo temor da alta do petróleo impactar a inflação no Brasil, o que pode levar o Copom (Comitê de Política Monetária) a manter os juros elevados por mais tempo. Na segunda, o presidente do BC (Banco Central), Gabriel Galípolo, abordou o tema. Ele afirmou que a manutenção da taxa em patamares elevados criou uma "gordura" que permitiu que o colegiado iniciasse o ciclo de afrouxamento na reunião deste mês mesmo em meio à disrupção econômica causada pela guerra no Irã. Esse mesmo fator, disse ele, possibilita que o Copom aguarde os próximos desenrolares do conflito para decidir sobre o rumo dos juros. "Agora, mais do que nunca, temos de separar o ruído do sinal. Isso será ainda mais importante para guiar as reações que o BC deve ter. O BC sempre vai continuar agindo de forma serena e parcimoniosa", afirmou ele, também reafirmando que é "normal" que a autarquia esteja mais inclinada para o lado conservador. Apesar do otimismo do pregão, o conflito, em si, tem continuado. Nesta terça, o Exército de Israel afirmou estar preparado para mais semanas de combates na guerra contra o Irã, um dia depois que o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu anunciou que já alcançou mais da metade de seus objetivos. Na segunda-feira, a estatal de petróleo do Kuwait disse que um de seus superpetroleiros foi atingido pelo Irã enquanto estava ancorado no porto de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Segundo a empresa, a embarcação pegou fogo e há o risco de um vazamento de petróleo nas águas do golfo Pérsico. A guerra começou em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel atacaram o Irã, que retaliou. Desde então, o conflito se espalhou pela região do Oriente Médio.

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