Jornal O Globo
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, deixa o cargo nesta quarta-feira para disputar as eleições em São Paulo, sem ter ainda a definição se será vice na chapa de Fernando Haddad ao governo paulista ou disputar uma vaga no Senado no estado. Em seu discurso de despedida, Marina afirmou que ainda não decidiu seu futuro eleitoral, mas que está à disposição para “cumprir sua missão”. A ministra afirmou que pode concorrer ao Senado, mas que o tema ainda não está definido. Além disso, Marina afirmou que, por enquanto, espera que a Justiça decida a seu favor na disputa que trava com o grupo político de Heloísa Helena, que atualmente comanda a Rede Sustentabilidade. A ministra usou uma metáfora futebolística para sua definição de partido, ao dizer que a situação “está na fase de prorrogação ou dos pênaltis”. Marina deixa a pasta com um legado de redução do desmatamento, recuperação das operações de fiscalização do Ministério do Meio Ambiente e a realização da COP30 no Brasil. Por outro lado, a ministra não conseguiu emplacar sua proposta de criar a Autoridade Nacional de Segurança Climática, entidade que coordenaria ações federais para o enfrentamento às mudanças climáticas e incidentes como secas e inundações. A ministra também se contrapôs à posição de colegas de Esplanada como Alexandre Silveira, ministro de Minas e Energia, a favor da exploração de petróleo na Foz do Amazonas, mas foi voto derrotado. Em sua gestão, o Ibama concedeu licença à Petrobras para a perfuração de um poço exploratório localizado em águas profundas do Amapá, a 500 quilômetros da foz do Rio Amazonas e a 175 quilômetros da costa, na Margem Equatorial brasileira. Marina transmite o cargo a João Paulo Capobianco, homem de confiança da ministra há décadas e seu atual secretário executivo. A gestão seguirá na linha de continuidade, disse.
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