Jornal O Globo
.Moradores do Joá, na Zona Sudoeste do Rio, afirmam que o Clube Costa Brava está sendo usado irregularmente para festas e eventos realizados por terceiros. Nesta terça-feira (31), o início da montagem de estruturas de grande porte e palcos no local reacendeu a preocupação das associações Sociedade de Amigos do Joá (Sajo) e Alto Joá, que afirmam haver eventos previstos para este fim de semana, entre quinta-feira e sábado. Procurado, o clube informou, no entanto, que a cobertura montada esta semana será usada apenas numa cerimônia de casamento. Sobre as demais reclamações, não respondeu. Agrofloresta: Horta comunitária na Barra vira alvo de disputa após ação de limpeza Cerco Sudoeste: Projeto do 31º BPM reduz índices de diferentes crimes em Barra, Recreio e Vargens Segundo as entidades de moradores, o clube é alugado há anos para casamentos, formaturas e eventos corporativos, atividades que, segundo os moradores, não estariam previstas na licença de funcionamento. Advogado das associações e coordenador do Grupo Ação Ecológica (GAE), o ambientalista Rogério Zouein explica que protocolou, no primeiro semestre do ano passado, um pedido de cassação do alvará, que ainda não teve definição. — Já faz cerca de cinco meses que não temos qualquer informação sobre o andamento. É um processo que continua sem resposta — afirma. De acordo com Zouein, há cerca de dez anos o Costa Brava promovia eventos com venda de ingressos ao público externo, funcionando, na prática, como uma casa de festas. Após reuniões com o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, essa prática foi suspensa, e o clube passou a alugar o espaço para terceiros realizarem grandes festas privadas. — Durante muitos anos houve venda de ingressos. Depois de reuniões com o Ministério Público, esse tipo de evento foi interrompido. Mas, na prática, passou-se a alugar o espaço para terceiros realizarem festas de grande porte — explica. O advogado e ambientalista afirma ainda que, além dos eventos internos, o clube possui uma área externa destinada originalmente a praça pública, que a prefeitura lhe cedeu há mais de 20 anos para a implantação de duas quadras de futebol para uso dos associados. De acordo com ele, o clube também vem explorando comercialmente essas quadras de forma ilegal, alugando-as por hora, sete dias por semana, e provocando barulho intenso que afeta a vizinhança da Joatinga. — A Coordenação de Licenciamento e Fiscalização interditou o clube sob esse aspecto, proibindo locações comerciais dessas quadras. Mas eles continuam a desobedecer à interdição — denuncia. As reclamações de moradores em relação ao barulho das festas, diz ele, são frequentes. — Recebo constantemente queixas das duas associações sobre festas e barulho infernal. Já houve casos de, às 5h da manhã, ainda haver som alto e perturbação da vizinhança — relata. — É um descumprimento reiterado. Enquanto os eventos podem gerar receitas elevadas, as multas aplicadas são muito baixas e acabam não tendo efeito. Lado B da aventura: Veja 5 programas pouco explorados, entre a Floresta da Tijuca e Guaratiba, para fazer no outono no Rio Para ele, a situação é ainda mais grave por se tratar de uma área predominantemente residencial. Moradores relatam que os eventos ocorrem principalmente nos fins de semana e têm causado impactos diretos na rotina da vizinhança. — O que existe ali é tolerado como clube social, desde que não cause impacto. Mas não como casa de festas — afirma. — Teve morador de mais de 80 anos que precisou ir para um hotel porque não conseguia dormir. Além do barulho, as festas e os jogos nas quadras aumentam a circulação de veículos na região, acrescenta. Há relatos de que o som chega a penetrar nas residências, mesmo com isolamento acústico e vidro blindado. O caso é acompanhado pelo Ministério Público, por meio de procedimento investigatório em andamento na 2ª Promotoria de Justiça de Meio Ambiente da Capital. Zouein defende uma atuação mais rigorosa do poder público. — A prefeitura poderia adotar medidas mais efetivas, inclusive judiciais, diante do descumprimento das regras — diz. O que diz o clube Procurada, a administração do Clube Costa Brava respondeu que "em razão do feriado prolongado e devido às previsões climáticas, foi feito uma cobertura para as comemorações da Sexta-Feira Santa e Domingo de Páscoa, com a celebração de uma cerimônia de casamento". Sobre as demais queixas das associações de moradores, não respondeu. O que diz a prefeitura Já a Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop) informou que o Costa Brava está com alvará ativo junto ao município. O local chegou a ter a licença suspensa, explica, mas esta foi reativada após o clube cumprir uma série de exigências estabelecidas na assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta com o MPRJ. Ainda de acordo com a pasta, a Coordenadoria de Licenciamento e Fiscalização (CLF) enviou equipes ao local nesta quarta-feira e confirmou que a estrutura que está sendo montada é para um casamento, o que não demanda autorização prévia da prefeitura. Sobre as queixas de que outros eventos de grande porte estão sendo feitos por terceiros no clube e sobre o aluguel das quadras esportivas, não respondeu. Initial plugin text
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