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Trump faz primeiro pronunciamento na TV desde o início da guerra contra o Irã, há mais de um mês
Jornal O Globo

Trump faz primeiro pronunciamento na TV desde o início da guerra contra o Irã, há mais de um mês

O presidente dos EUA, Donald Trump, faz em instantes seu primeiro pronunciamento na TV desde o início da guerra contra o Irã, no dia 28 de fevereiro, no momento em que a Casa Branca alterna ameaças de "obliteração" com mensagens positivas sobre negociações de um cessar-fogo. De acordo com a imprensa americana, citando fontes do governo, o presidente deve reiterar que o conflito vai acabar em até três semanas (como sinalizou nos últimos dias), criticar a Otan, a principal aliança militar do Ocidente, e fazer alguns autoelogios. — Hoje (quarta-feira) à noite, farei um pequeno discurso às nove horas, e basicamente direi a todos o quão ótimo eu sou, o ótimo trabalho que fiz, o trabalho fenomenal que fiz — disse Trump durante um almoço na Casa Branca. — Mas falando sério, se vocês não tivessem a mim, se tivessem um presidente diferente, vocês não teriam Israel. Mudança de conceito: Trump afirma que houve mudança de regime no Irã e prevê acordo para encerrar conflito Impasse interno: Suprema Corte levanta dúvidas sobre constitucionalidade de decreto de Trump que prevê vetar cidadania por nascimento Uma marca da “Operação Fúria Épica” é a confusão sobre o que exatamente quer Donald Trump com uma guerra que incendiou o Oriente Médio e envolveu direta e indiretamente todo o mundo. Em público, Trump insiste que há negociações em curso com os iranianos, e chegou a dizer que “a nova presidência do regime” havia pedido um cessar-fogo, sem dizer exatamente a quem se referia, condicionando o fim dos bombardeios à reabertura do Estreito de Ormuz, fechado desde o começo do mês passado — hoje, há cerca de 400 navios aguardando para fazer a travessia. O Irã nega que haja conversas diretas e diz que não fez qualquer comunicação sobre a suspensão dos combates. Segundo fontes ouvidas pela rede CNN, o vice-presidente, JD Vance, relatou aos países que servem como intermediários entre Teerã e Washington que Trump está “impaciente” por um acordo . Apelo a Washington: Papa faz apelo direto a Trump por fim da guerra e critica líderes que 'alimentam violência' Em uma carta ao povo americano, publicada nesta quarta-feira, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, perguntou se os seus interesses estavam sendo atendidos com a ofensiva de Trump, citando os ataques a hospitais, escolas e infraestruturas vitais e as ameaças do presidente dos EUA. “Além de constituírem um crime de guerra, tais ações acarretam consequências que se estendem muito além das fronteiras do Irã”, afirmou Pezeshkian. “Elas geram instabilidade, aumentam os custos humanos e econômicos e perpetuam ciclos de tensão, semeando ressentimentos que perdurarão por anos. Isso não é uma demonstração de força; é um sinal de perplexidade estratégica e de incapacidade de alcançar uma solução sustentável.” 'Acho que o MAGA está morrendo': Movimento jovem dos EUA reflete sobre futuro em evento conservador Na terça-feira, a China, maior compradora de petróleo do Golfo Pérsico, e o Paquistão, principal mediador entre os beligerantes, lançaram uma proposta de cessar-fogo de cinco pontos, a começar pela suspensão imediata das hostilidades e medidas para que o conflito não se espalhe ainda mais. Além do Golfo, Israel abriu uma frente de batalha no Líbano, centrada no grupo Hezbollah, mas que se encaminha para uma ocupação de parte do território do país árabe. A proposta estabelece o início de negociações de paz assim que possível, focadas na “soberania, integridade territorial, independência nacional e segurança” do Irã e dos países da região; a proteção a alvos não militares; a garantia de segurança às vias de transporte naval, especialmente o Estreito de Ormuz;. e a primazia da Carta das Nações Unidas. Depende de aprovação de Trump: Pentágono se prepara para semanas de operações terrestres no Irã, diz jornal Em outra frente, Trump voltou a ameaçar deixar a Otan, diante da recusa dos demais membros em se juntarem à guerra contra o Irã e a uma força-tarefa naval para desbloquear Ormuz. Nesta quarta-feira, ele chamou a organização de "tigre de papel", e seu secretário de Estado, Marco Rubio, dissera na véspera que a relação com a aliança seria reavaliada após o fim do conflito. — Tivemos alguns aliados muito bons por lá. Tivemos alguns aliados muito ruins na Otan. Fizemos alguns pedidos, e você sabe, gastamos trilhões de dólares na Otan... para ser honesto, eu estava perguntando porque queria ver o que eles fariam — disse Trump no almoço na Casa Branca. Initial plugin text Na segunda-feira, o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, vai a Washington conversar com Trump, mas poucos acreditam que a maior potência militar do planeta buscará a porta de saída. O Congresso afirma que tal decisão depende do apoio da maioria absoluta do Senado, o que é improvável hoje, e se o presidente decidir seguir em frente, uma batalha judicial inédita no país estaria prestes a começar. Ao ser ouvido pela rede CNN, um diplomata europeu citou ameaças anteriores, mencionando o filme "Feitiço do Tempo", quando o personagem de Bill Murray vive o mesmo dia indefinidamente.

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