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Show de Bruce Springsteen em Minneapolis se torna protesto contra violência da política de imigração de Trump | Collector
Show de Bruce Springsteen em Minneapolis se torna protesto contra violência da política de imigração de Trump
Jornal O Globo

Show de Bruce Springsteen em Minneapolis se torna protesto contra violência da política de imigração de Trump

Bruce Springsteen tem um talento raro para capturar momentos cruciais da cultura e cristalizá-los em canções. O orgulhoso filho de Nova Jersey fez isso em 2001 com “American Skin (41 Shots)”, sobre o assassinato de Amadou Diallo, um homem negro desarmado, pela polícia. Fez isso em 2002 com “The Rising”, um álbum sobre recuperação e resiliência após o ataque ao World Trade Center, e novamente em 2006, quando sua performance de canções como “We shall overcome” e “My city in ruins” em Nova Orleans, após o furacão Katrina, emocionou a plateia do Jazz & Heritage Festival. Vídeo: Bruce Springsteen toca música de protesto em ato contra Trump; veja apresentação Carta aberta: Madonna, Jane Fonda, Pedro Pascal e outros artistas pedem fechamento de centro de detenção da ICE no Texas Em 2026, ele capturou o espírito da época com “Streets of Minneapolis”, uma ode à la Dylan escrita e lançada poucos dias depois de agentes do ICE terem matado a tiros Renee Nicole Good e Alex Pretti nas Cidades Gêmeas. Springsteen e a E Street Band tocaram a nova música na terça-feira, na primeira noite da turnê “Land of hope and dreams”, em Minneapolis, como parte de uma abertura eletrizante de cinco músicas, exceto por “Darkness on the edge of town”, a faixa-título de seu álbum de 1978 sobre opressão e depressão. — No inverno passado, tropas federais trouxeram morte e terror para as ruas de Minneapolis — disse Springsteen, de 76 anos, ao Target Center lotado. — Eles escolheram a cidade errada. A força, a solidariedade do povo de Minneapolis, de Minnesota, foi uma inspiração para todo o país. Sua força e seu comprometimento nos mostraram que isto ainda é a América. E isso não vai ficar assim. A multidão de quase 18 mil pessoas ergueu celulares acesos, criando um mar de estrelas enquanto cantava em o refrão “ICE out now!” (“Fora ICE agora”) cada vez mais alto. Vaiaram os nomes Noem (de Kristi Noem, ex-secretária do Departamento de Segurança Interna do governo Trump) e Miller (de Stephen Miller, chefe de gabinete adjunto, defensor de políticas contra imigrantes) e aplaudiram Good e Pretti. Perto dali, um homem chorava. — Esta noite, pedimos a todos vocês que se unam a nós na escolha da esperança em vez do medo, da democracia em vez do autoritarismo, do Estado de Direito em vez da ilegalidade, da ética em vez da corrupção desenfreada, da resistência em vez da complacência, da união em vez da divisão e da paz em vez da guerra — pediu Springsteen. Bruce Springsteen canta do lado de fora do Capitólio do Estado de Minnesota durante o dia nacional de protesto "No Kings" em Saint Paul, Minnesota, em 28 de março de 2026 Kerem Yucel / AFP ‘Purple Rain’ A última palavra, gritada em coro, foi a primeira da música de abertura, o hino de protesto de 1970 “War”, de Edwin Starr. O cover foi seguido por outra canção antiguerra, “Born in the USA”, de Springsteen. O sucesso de 1984 é usado atualmente pela União Americana pelas Liberdades Civis (Aclu) em sua campanha de apoio ao caso que debate a concessão de cidadania por nascimento e filhos de imigrantes, que começou a ser debatido na Suprema Corte ontem. Por quase três horas, Springsteen não saiu do palco. Depois de apagar as luzes brevemente, ele voltou à frente do público ao som de notas que provavelmente todos ali reconheceram. “Para o maestro”, disse ele, e a banda tocou “Purple Rain”. Ele fez um discurso final, falando sobre a liberdade de discordar: — Volto a pensar nas últimas palavras de Renée Good antes de morrer. Que Deus a abençoe. Springsteen encerrou o show com uma canção de outra lenda de Minnesota: “Chimes of freedom”, de Bob Dylan.

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