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Páscoa: por que chocolate pode ser perigoso para cães
Jornal O Globo

Páscoa: por que chocolate pode ser perigoso para cães

Com a chegada da Páscoa, o aumento da circulação de chocolates nas residências brasileiras acende um alerta para tutores de animais de estimação. Embora a data seja tradicionalmente associada a momentos de confraternização e consumo de doces, especialistas destacam que o período também exige cuidados específicos com cães, devido ao risco de ingestão acidental de substâncias tóxicas. Páscoa: chocolate pode piorar a acne? Entenda o impacto na pele Pets ansiosos e destrutivos? Veja os hábitos que podem estar prejudicando o comportamento deles O cenário é reforçado pelo crescimento nas vendas do setor: a expectativa é que o varejo movimente R$ 3,57 bilhões em 2026, alta de 2,5% em relação ao ano anterior, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Nesse contexto, o contato dos pets com chocolate se torna mais provável e potencialmente perigoso. De acordo com Denise Neves, especialista em comportamento canino e sócia da Dog Corner, o alimento pode provocar diferentes níveis de intoxicação. "O chocolate é perigoso porque contém substâncias como teobromina e cafeína, que os cães metabolizam com dificuldade. Isso pode provocar desde alterações gastrointestinais até quadros mais graves, como tremores, arritmias e convulsões. Chocolates mais escuros e com maior teor de cacau costumam representar mais risco", afirma. Os sinais clínicos podem surgir poucas horas após a ingestão e variam conforme a quantidade consumida, o tipo do produto e o porte do animal. "Os sinais mais comuns incluem vômito, diarreia, agitação, sede excessiva, respiração ofegante e aumento da frequência cardíaca. Em casos mais graves, o pet pode apresentar tremores, alterações neurológicas, arritmias e convulsões", explica. Não há, segundo a especialista, uma dose considerada segura. "O risco depende de fatores como tipo de chocolate, quantidade ingerida e porte do animal. Mesmo pequenas quantidades podem ser preocupantes, especialmente em cães menores ou quando se trata de chocolate amargo ou com maior concentração de cacau", alerta. Filhotes e animais de pequeno porte estão entre os mais vulneráveis. "Uma quantidade menor já pode representar uma dose tóxica relevante para o peso corporal, e esses animais tendem a descompensar mais rapidamente", acrescenta. Diante da suspeita de ingestão, a orientação é buscar atendimento imediato. "O ideal é procurar orientação veterinária na mesma hora. Não é recomendado esperar os sintomas aparecerem, porque a conduta precoce faz diferença no prognóstico", orienta Denise. A especialista chama atenção ainda para erros recorrentes por parte dos tutores. "É comum que se espere pelos sinais clínicos, que se subestime a quantidade ingerida ou que se tente resolver a situação em casa sem orientação profissional. Outro equívoco frequente é acreditar que, se o animal aparenta estar bem logo após a ingestão, não há risco", diz. Durante o período, os cuidados devem ir além do alimento. Manter ovos de Páscoa, doces e embalagens fora do alcance dos animais é fundamental, assim como orientar crianças e visitantes. "Também é importante evitar que ofereçam alimentos inadequados aos pets", afirma. Materiais como papéis, plásticos e fitas também representam ameaça. "Eles podem ser mastigados e ingeridos, aumentando a chance de engasgos, irritação gastrointestinal e até obstrução intestinal, especialmente em animais mais curiosos ou que têm o hábito de destruir objetos", destaca. Para incluir os pets nas celebrações de forma segura, a recomendação é optar por produtos apropriados. "Os tutores podem apostar em petiscos próprios para cães, snacks naturais indicados para a espécie ou itens desenvolvidos especialmente para eles. O mais importante é evitar a adaptação da alimentação humana e lembrar que o que é seguro para humanos nem sempre é adequado para os animais", conclui.

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