Jornal O Globo
Neste dia 2 de abril é celebrado o Dia Mundial da Conscientização do Autismo, que inaugura também o Abril Azul, quando se busca dar visibilidade ao Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) ao redor do mundo. É comum vermos monumentos iluminados pela cor azul, em referência à data, como já aconteceu com o Cristo Redentor e com a Torre Eiffel. Mas os especialistas ressaltam que é preciso levar essa atenção também para o cotidiano, especialmente para os pais de bebês nos primeiros anos de vida. Descanso: Por que o sono fica mais superficial à medida que envelhecemos, e como isso afeta a saúde Licença-paternidade pelo mundo: Na Suécia, prazo para casal chega a 480 dias; nos EUA, nem mãe tem direito; veja como é pelo mundo Com um diagnóstico precoce, é possível que os pais façam intervenções que vão melhorar a qualidade de vida da criança no futuro. É que destaca a psicóloga Camila Canguçu, supervisora do Programa de Atenção ao Transtorno do Espectro do Autismo (Pratea) da Faculdade de Medicina da Unicamp. — Este diagnóstico é importante, porque o cérebro da criança, nos primeiros anos, tem uma plasticidade muito alta. Ou seja, é um período em que ela está muito mais sensível à aprendizagem. Então, quando a intervenção começa cedo, conseguimos promover ganhos muito significativos em comunicação, interação social, autonomia e qualidade de vida. Hoje já temos evidências robustas mostrando que a intervenção precoce está associada a melhores desfechos no desenvolvimento da criança — explica a especialista. Camila também ressalta que os sinais de que o bebê pode ser autista já são observados ainda no primeiro ano de vida, mas ficam mais evidentes entre os 12 e 18 meses. Ela elenca uma série de observações que podem ser vistas até os 3 anos de idade. — Isoladamente elas podem parecer apenas características individuais. O que faz diferença é o conjunto, a frequência e o impacto no desenvolvimento — alerta. Veja 9 sinais que podem antecipar o diagnóstico de autismo: Pouca resposta ao nome Dificuldade em manter contato visual Menor interesse em interações sociais Ausência ou atraso na comunicação Não apontar com o dedo Não compartilhar interesses Não tentar se comunicar Brincar de forma mais repetitiva ("Por exemplo, enfileirando objetos ou rodando a rodinha de um carrinho em vez de brincar com ele") Falta de busca pelo outro ("Não é só uma criança mais tímida, é uma criança que, muitas vezes, não engaja socialmente da forma esperada para a idade") Se uma criança for diagnosticada, há uma série de comportamentos que podem evitar momentos de crise. É importante procurar um psiquiatra ou neurologista infantil para uma primeira avaliação, além de uma psicóloga especializada, que pode ajudar no acolhimento das famílias. — Os tratamentos possíveis são intervenções na análise do comportamento aplicada com psicólogas especializadas, assim como fonoaudiólogas, terapeutas ocupacionais, nutricionistas e acompanhamento médico. Mas esse plano de intervenção junto a uma equipe multidisciplinar depende da necessidade de cada criança. Existe também o acompanhamento com psicopedagogas para auxiliar nas questões de aprendizagem acadêmica — completa a psicóloga, que também dá exemplos para reduzir a ansiedade da criança. Veja como evitar crises em crianças autistas: Avisar antes das mudanças: “Daqui a 5 minutos vamos guardar os brinquedos e tomar banho”. Isso ajuda a criança a se preparar e reduz resistência. Usar rotina visual: um quadro com imagens do que vai acontecer no dia (acordar, escola, almoço, brincar) traz previsibilidade e diminui a ansiedade. Oferecer pausas: se a criança está em um ambiente muito estimulante, como um shopping ou festa, combinar pequenos momentos de descanso pode evitar sobrecarga. Dar escolhas simples: “Você quer colocar o tênis ou a sandália?” Isso aumenta a sensação de controle e reduz oposição. Observar sinais de cansaço: se a criança começa a ficar irritada ou agitada, antecipar uma pausa antes que a crise aconteça. Ajustar o ambiente: reduzir barulho, luz forte ou excesso de estímulos quando possível. Ensinar formas de comunicação: ajudar a criança a pedir ajuda, dizer que quer parar ou que está incomodada, mesmo que seja com gestos ou figuras.
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