Jornal O Globo
O governo russo afirmou na quarta-feira ter assumido o controle total da região de Luhansk. no leste da Ucrânia, no momento em que as tropas do país se preparam para uma nova ofensiva terrestre. É a terceira vez desde 2022 que Moscou afirma ter conquistado por completo a região, um de seus principais objetivos do conflito. "Unidades do grupo militar ocidental concluíram a libertação da República Popular de Luhansk", disse o Ministério da Defesa russo, em comunicado, acrescentando que houve avanços na vizinha Donetsk, outro ponto central da ofensiva de Vladimir Putin no país vizinho. Número recorde na guerra: Estudo revela que Rússia lançou mais de 6 mil drones contra a Ucrânia em março Efeito colateral: Ucrânia enfrenta escassez de mísseis devido à guerra no Oriente Médio, afirma Zelensky A maior parte das duas regiões está sob controle de fato russo desde 2014, quando teve início a guerra civil ucraniana, e ambas serviram como bases para as incursões das tropas no território do país. Em 2022, Donetsk e Luhansk, assim como Zaporíjia e Kherson, foram unilateralmente anexadas à Federação Russa, um ato não reconhecido pela comunidade internacional. Em publicação no Telegram, uma brigada ucraniana que atua na área afirmou que uma pequena área de Luhansk, próxima à região de Kharkiv, de cerca de 80 km², segue sob seu controle. "Simbolicamente, em 1º de abril, o Ministério da Defesa russo anunciou mais uma vez a completa captura da região de Luhansk por suas tropas. Na realidade, as forças ucranianas — unidades da Terceira Brigada de Assalto — permanecem no território da região", escreveu a unidade do Exército ucraniano na rede social. "Não nos juntamos aos 'parabéns' pelo feriado profissional dos propagandistas russos, porque estamos na defesa das últimas linhas de defesa da região de Luhansk!" Em meio à guerra: Ucrânia auxilia bases dos EUA no Oriente Médio e afirma que 11 países pediram cooperação de Defesa A Rússia havia anunciado o controle total de Luhansk em outras duas ocasiões: em julho de 2022, no que foi apresentada como uma das grandes vitórias russas no conflito; e em julho de 2025, já em meio ao contexto de um conflito travado nas trincheiras. Para alguns blogueiros militares pró-Kremlin, as idas e vindas da propaganda oficial não passam de tentativa de esconder a "incompetência" do comando militar. O anúncio ocorre em meio aos primeiros sinais de uma nova ofensiva militar russa, que coincide com a primavera no Hemisfério Norte, centrada na conquista de Donetsk e na manutenção de posições ao longo dos 1,2 mil km da linha de frente. Hoje, há 700 mil militares russos em solo ucraniano, mas isso não é garantia de sucesso em uma guerra de atrito, que cobra milhares de vidas em avanços simples, por vezese de alguns quilômetros. Guerra na Ucrânia, quatro anos: Cada vez mais isolado e com economia sob pressão, Putin vê projeto de poder global ruir Em paralelo, a Rússia quer aproveitar que as atenções da Europa e dos EUA estão voltadas ao Irã para elevar sua posição quando as negociações de paz com Kiev forem retomadas (o que não parece provável a curto prazo). Na terça-feira, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse ter recebido de intermediários americanos um ultimato para que retire suas tropas do leste do país em dois meses, sob ameaça de medidas "ainda mais severas" — um dia depois, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que Zelensky "deveria tomar uma decisão hoje", que "poderá salvar muitas vidas e, mais importante, interromper essa fase ativa da guerra". — E então a Ucrânia tem dois meses para sair. E então a guerra terminará. E se a Ucrânia não sair, a Rússia tomará Donbas (leste ucraniano), e então os termos serão diferentes. Uma pergunta lógica é: se o único objetivo deles é Donbas, por que eles dizem que irão mais longe se conseguirem tomar Donbas? Ou seja, a questão não é Donbas — disse Zelensky ao portal Unian. — Acredito que a Rússia está pressionando os Estados Unidos hoje porque as eleições estão se aproximando. É evidente que os EUA precisam tomar diversas medidas, tanto interna quanto internacionalmente. Esperamos sinceramente que a Rússia volte a priorizar a lógica em vez da emoção nas negociações.
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