Jornal O Globo
A Argentina declarou 'persona non grata' o conselheiro e encarregado de negócios interino do Irã, Mohsen Soltani Tehrani, e ordenou que ele abandone o país em um prazo de 48 horas, informou nesta quinta-feira o Ministério das Relações Exteriores. A medida é uma resposta a um comunicado do Ministério das Relações Exteriores iraniano com "acusações falsas, ofensivas e improcedentes" contra a Argentina e suas autoridades, explica um comunicado. Guerra no Oriente Médio: Irã promete ataques 'devastadores' e nega enfraquecimento militar Presidente ameaçado: Economia e escândalos provocam queda de popularidade de Milei na Argentina A embaixada iraniana em Buenos Aires é chefiada por um encarregado de negócios desde agosto de 1994, segundo pesquisa do especialista em relações internacionais Paulo Botta, publicada pela Universidade Nacional de La Plata. Tehrani era o principal representante diplomático do Irã na Argentina desde 2021. A Argentina "não tolerará agravos, nem interferências de um Estado que não cumpriu de maneira sistemática suas obrigações internacionais e que persiste em obstruir o avanço da justiça", acrescenta o texto. O governo argentino ressaltou ainda a "persistente recusa" do Irã em cooperar com a Justiça no caso do atentado contra a Associação Mutual Israelita Argentina (AMIA), em 1994, assim como a violação de ordens internacionais de detenção e extradição. Em 17 de março de 1992, uma caminhonete repleta de explosivos que avançou contra a embaixada de Israel deixou 22 mortes e mais de 200 feridos. Dois anos mais tarde, outro ataque contra a mutual judaica AMIA matou 85 pessoas. A Justiça argentina atribui os dois atentados, que permanecem impunes, ao Irã. "Esta decisão, contrária à prática usual do governo argentino e aparentemente tomada sob a influência do regime de ocupação sionista genocida e dos Estados Unidos, não é apenas uma clara violação dos princípios fundamentais da Carta da ONU e do direito internacional, mas também é considerada um erro estratégico e um insulto imperdoável à nação iraniana", respondeu o governo iraniano em comunicado. Initial plugin text Há dois dias, a Argentina havia declarado a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) como "organização terrorista", uma posição alinhada com os interesses dos Estados Unidos e de Israel, aos quais o presidente, Javier Milei, oferece seu total respaldo na guerra no Oriente Médio. Em janeiro, Buenos Aires designou de forma semelhante a Força Quds, um braço da IRGC do Irã. Milei afirmou que, de acordo com investigações judiciais locais, membros da Guarda Revolucionária Islâmica participaram do planejamento e da execução dos dois atentados na década de 1990. O atual líder da IRGC, Ahmad Vahidi, é identificado pela justiça argentina como um dos responsáveis pelo atentado à AMIA. Em comunicado, o Irã classificou a decisão da Argentina em relação à IRGC como "ilegal e infundada" e a considerou "um insulto imperdoável à nação iraniana".
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