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A Guerra do Riso | Collector
A Guerra do Riso
Jornal O Globo

A Guerra do Riso

Além dos drones, a grande surpresa e o maior sucesso da guerra têm sido a espetacular produção de esquetes humorísticos em IA do Irã, debochando de Trump, ridicularizando suas bravatas, fazendo rir milhões de pessoas não só nos Estados Unidos, mas no mundo inteiro, com animações de alto nível em vários estilos, demonizando Trump como uma criança gorducha e um boneco de Lego, em sequências de animações com bonecos de Putin, Xi Jinping, Kim Jong-un e Modi se juntando a um aiatolá iraniano para pegar Trump e Netanyahu em truques e armadilhas em que a comédia é a crítica da realidade da guerra. Todo dia sai um novo. Os americanos, e o mundo, descobriram que os iranianos têm um humor agudo e refinado, digno de um povo como os persas, que têm três mil anos de história. Com 70% dos americanos contra a guerra, as animações iranianas fazem muito sucesso entre os antitrumpistas, fazendo os Estados Unidos rirem de si mesmos. E refletirem sobre a roubada em que Trump os meteu, sobre a inutilidade e o custo da guerra. O riso tem poder. Pode levar à desmoralização pela exposição ao ridículo e a denúncias de caráter em forma de piadas e memes mortíferos como um míssil. Certas personalidades ficam marcadas para sempre com uma piada. Com certeza Trump é o político mais odiado da história moderna desde Hitler, e justamente por isso se tornou o maior alvo de charges, piadas e animações que percorrem as redes sociais como um rastilho de pólvora. Sem matar nem ferir, o humor tem o poder de destruir egos e reputações, contra ele não há armas nem bombas. O humor só pode ser combatido com humor. E humor tem que ser de oposição, é difícil fazer humor a favor, especialmente de políticos e governos tirânicos como o de Trump. Na guerra da informação, a desinformação é fundamental. Enquanto as fake news explodem de lado a lado mas fazem poucos estragos, os escrachos, os deboches e as provocações criados por artistas iranianos estão se tornando parte importante da narrativa da guerra, ridicularizando o poderio americano, surpreendendo o Ocidente com a capacidade destrutiva de seu humor. Nos Estados Unidos, os comediantes cáusticos dos talk shows tornaram Trump o presidente mais ridicularizado da história americana. Cartazes debochados e ofensivos marcaram as passeatas do “No Kings” que reuniram nove milhões de pessoas nas principais cidades americanas. Mas nada comparável aos vídeos iranianos com seu domínio da IA e sua imaginação. Vários são didáticos sobre os motivos da guerra, que podem ser entendidos até por crianças. Enquanto Trump diz que a guerra já está ganha, mas tenta desesperadamente acabar com ela, antes que ela acabe com ele, o Irã não quer nem papo, segue detonando mísseis e chuvas de drones sobre alvos americanos. Cada dia que passa lhes custa um bilhão de dólares, devasta a aprovação de Trump e indica derrota avassaladora dos republicanos em novembro — e o seu imediato impeachment. Ironicamente, Trump queria a troca do regime iraniano, mas é o seu que está sendo trocado.

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