Jornal O Globo
A Petrobras reafirmou sua política de preços de combustíveis, em comunicado entregue à CVM, o órgão regulador do mercado, na noite de quinta-feira. Segundo o comunicado, a petroleira vem seguindo essa estratégia comercial “mesmo em um cenário de forte elevação das cotações internacionais dos derivados de petróleo, intensificado por tensões geopolíticas recentes no Oriente Médio”. Pacote em xeque: Governo enfrenta resistências em várias frentes a pacote para conter preços de gás, diesel e frete Efeitos da guerra: EUA dobram para US$ 40 bilhões garantias para navios atravessarem o Estreito de Ormuz, com novos parceiros de seguros A atual política de preços de combustíveis da Petrobras, apresentada formalmente em maio de 2023, chegou a ser bandeira de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 2022. Nos discursos, o então candidato falava em “abrasileirar” os preços da Petrobras. “Os reajustes de preços continuam sendo feitos sem periodicidade definida, evitando o repasse para os preços internos da volatilidade conjuntural das cotações internacionais e da taxa de câmbio, conforme prática usual da Petrobras que considera as suas melhores condições de refino e logística. Quando necessários, os reajustes são realizados com base em análises técnicas e em linha com a governança da Companhia”, diz o comunicado. Efeito colateral: Conflito no Oriente Médio pressiona preços globais de alimentos, diz a FAO Dias após o início dos ataques dos EUA e de Israel contra o Irã, a Petrobras já havia anunciado que manteria a política de preços, conforme declarações da presidente da estatal, Magda Chambriard. Resposta a questionamento O comunicado da noite de quinta-feira foi uma reposta à CVM. O órgão regulador questionou a companhia sobre a publicação de uma reportagem, no site Brazil Journal, sobre a defasagem entre os preços dos combustíveis cobrados pela Petrobras nas refinarias e os praticados no mercado internacional. Diante da política de segurar o “repasse para os preços internos da volatilidade conjuntural das cotações internacionais”, sempre que o barril de petróleo dispara, essa defasagem aumenta, ou seja, a tabela das refinarias da estatal fica mais barata do que o cobrado lá fora. Em tese, a empresa perde com a defasagem, daí porque a CVM questionou se a diretoria não deveria ter informado acionistas e investidores em geral sobre o cenário. Além de reafirmar a política de preços, o comunicado da Petrobras diz não “reconhecer” as estimativas de defasagem de preços, corriqueiramente calculadas e divulgadas por empresas do setor e analistas de mercado.
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