Jornal O Globo
O Barcelona goleou o Real Madrid por 6 a 0 pelo jogo de volta da Champions League Feminina, na quinta-feira (2), acumulando um agregado de 12 a 2 e ampliando a dominância no El Classico, com 24 vitórias e apenas uma derrota desde 2020. E enquanto as catalãs consolidam cada vez mais sua hegemonia local, o rival ainda caminha para igualar forças. A disparidade entre a dupla espanhola não é só tática, ela reflete o estágio e cada projeto. De um lado, o Barça assumiu o time em 2002 e profissionalizou em 2015, e do outro, o Real só foi ter sua equipe em 2019, quando comprou e incorporou o Deportivo Tacón. Esses marcos temporais ajudam a explicar o cenário, mas não são tudo. — O Barcelona hoje é o modelo a ser batido: já opera de forma consolidada, com receitas próprias que passam dos €22 milhões. Eles não só gastam mais — com uma folha de €13 milhões, quase o dobro da do Real — como gastam melhor, porque reinvestem todo o excedente para manter um ecossistema que já funciona há quase uma década. — explicou Monica Esperidião, CSO da FSports, que mora na Espanha há 10 anos e se especializou em futebol feminino. Apesar de ter quase 20 anos a menos que o projeto rival, o Real Madrid conquistou objetivos importantes nesse período. Atualmente, o departamento já apresenta lucro, diferente do de basquete, que existe há mais tempo, como apontou Esperidião. — O Real Madrid, com apenas seis anos de projeto, está naquela fase agressiva de construção de marca. A receita deles é metade da do Barça, mas o dado curioso é que a seção feminina já é lucrativa, gerando mais de €3 milhões de lucro. Isso é raro no futebol feminino e mostra que o Real está priorizando o equilíbrio contábil e a sustentabilidade antes de tentar 'comprar' o título a qualquer custo. Em outros planos, contudo, o time ainda deixa a desejar. Neste jogo, o Camp Nou recebeu 60.067 torcedores, público recorde na temporada (incluindo o futebol masculino). O Santiago Bernabéu, por sua vez, nunca recebeu jogos do time feminino e, segundo Florentino Perez, presidente do time madridista, isso só acontecerá depois do primeiro título da equipe. Alexia Putellas, estrela do Barcelona, comemora seu gol contra o Real Madrid pela Champions League, no Camp Nou German parga/FC Barcelona Contudo, se as diferenças fora de campo estão aos poucos diminuindo com o fortalecimento do valor de marca do Real Madrid, dentro das quatro linhas ainda se vê um longo trajeto a ser percorrido pelo clube merengue. — E os últimos resultados na Champions mostram isso. Enquanto o Barcelona capta os patrocínios mais valiosos por ser a referência global — o que retroalimenta sua vantagem — o Real ainda paga o 'pedágio' da pressa, investindo muito em contratações novas que ainda não têm o mesmo entrosamento e o know-how do esquema catalã. No fim das contas, o 12 a 2 no agregado é o retrato do agora. O sucesso comercial do Real Madrid aponta para um potencial de médio prazo, mas, no mais alto nível competitivo, o dinheiro atrai o talento, mas é o tempo de projeto que ainda dita quem levanta a taça. Além do sucesso na competição continental, o time das estrelas Aitana Bonmatí, atual melhor do mundo, e Alexia Putellas, conquistou as últimas seis temporadas da Liga F e estão com uma mão na taça para levar mais uma. Estão ainda na final da Copa da Rainha e na semifinal da Champions, em que enfrentarão o Bayern de Munique nos dias 25 de abril e 2 de maio.
Go to News Site