Jornal O Globo
Houve um burburinho, na última quinta-feira (2), durante o café da manhã no hotel onde se hospeda grande parte dos artistas que se apresentam na mostra principal do Festival de Curitiba, no Centro da capital paranaense. A tartaruga Jonathan, animal terrestre mais velho do mundo, com 190 anos, teria morrido, diziam aos cantos. A notícia impactou sobretudo Rafael Souza-Ribeiro, ator do monólogo "Jonathan", do qual ele assina o texto, e que é inspirado na trajetória do réptil ancião. Com duas indicações ao Prêmio Shell, a peça faz a última de duas sessões (a primeira foi na quinta) nesta sexta-feira (3), no Teatro Sesc da Esquina, às 20h30. Depois, verificou-se que a notícia era falsa. Jonathan, a tartaruga, ufa!, está vivíssimo. Rafael Souza-Ribeiro no monólogo 'Jonathan' Annelize Tezzoto / Divulgação Mais de 300 atrações Esta é uma das histórias que permeiam as tramas em cartaz na 34ª edição do Festival de Curitiba, que começou na última terça-feira (31/3) e que tem mais de 300 atrações espalhadas por vários palcos da cidade. O evento vai até o dia 12 de abril. A festa de abertura do festival foi sediada na Pedreira Paulo Leminski, na segunda (30/3). No caminho do hotel até o espaço, a numerosa família que compõe a companhia Carroça de Mamulengos, de Juazeiro do Norte (CE), foi se divertindo no ônibus que fazia o transporte. "Fulano roubou pão na casa do João...", brincavam. Milton Cunha apresentou 'Samba: as escolas e suas narrativas' na festa de abertura do Festival de Curitiba Matteo Gualda / Divulgação O grande anfitrião da noite foi Milton Cunha, que apresentou sua aula-show "Samba: as escolas e suas narrativas", uma grande homenagem ao carnaval do Rio de Janeiro. "Quero perguntar ao tradutor de libras como ele traduziria 'Bum bum paticumbum prugurundum'", brincou Milton, numa referência ao enredo apresentado pelo Império Serrano no desfile das escolas de samba do Rio de 1982. Milton repetiu o espetáculo no dia seguinte. Em meio ao público presente para o festival, há um convidado ilustre: Antônio Pitanga. O ator de 86 anos embarcou na última segunda (30), no aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, acompanhado da filha, a atriz Camila Pitanga, e do genro, o professor e crítico teatral Patrick Pessoa, que é um dos curadores do Festival de Curitiba. Antônio Pitanga veio lendo no avião o livro "As almas do povo negro", do sociólogo, historiador, escritor e ativista americano W.E.B. Du Bois (1968-1963). Antônio Pitanga durante exibição especial do seu filme 'Malês', no Cine Passeio Divulgação O ator está curtindo a programação do evento, mas também veio a trabalho. Nesta quinta-feira (2), ele participou de uma exibição especial do longa "Malês", no Cine Passeio, no Centro de Curitiba. Dirigido e protagonizado por Pitanga, o filme conta a história da Revolta dos Malês, insurreição de africanos muçulmanos que eclodiu em Salvador, na Bahia, em janeiro de 1835, com a intenção de acabar com a escravidão. Depois da sessão, houve bate-papo com o diretor. Quem abriu os trabalhos no Guairinha, teatro anexo ao imponente Guaíra, foi o Grupo Galpão, de Belo Horizonte, que levou para o Festival de Curitiba a montagem "(Um) Ensaio sobre a cegueira", com direção e dramaturgia de Rodrigo Portella baseado na obra de José Saramago. As sessões, na terça-feira (31) e na quarta (1), tiveram ingressos esgotados. Antes da primeira sessão começar, um dos atores do espetáculo fez um pedido encarecido ao público: que desligassem "os celulares que já nos escravizam no dia a dia". '(Um) Ensaio sobre a cegueira', do Grupo Galpão, lotou sessões no Guairinha Maciel Maringas / Divulgação De acordo a jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, o ator Eduardo Moscovis interrompeu seu monólogo "O motociclista no Globo da Morte", no sábado passado (28/3), no Teatro Vivo, em São Paulo. Moscovis teria pedido para um espectador que mexia no celular deixasse a plateia. Com texto de Leonardo Netto e direção de Rodrigo Portella, a peça estrelada pelo ator carioca tem quatro sessões esgotadas no Festival de Curitiba, neste sábado e neste domingo (4 e 5/4, às 19h00 e às 21h). Uma estreia aguardada com expectativa no festival é "Na marca do pênalti", monólogo de Walter Casagrande em que ele conta sua trajetória pessoal e profissional, marcada por altos e baixos. Casão chegou no hotel na manhã desta sexta-feira (3), e deu show de simpatia na coletiva de imprensa. Chegou a chorar quando lembrou de Sócrates: "Foi a primeira vez que disse 'eu te amo' a alguém, foi pra ele". O ex-jogador de futebol, escritor e comentarista contou que sua peça não tem roteiro definido e que, portanto, não houve ensaios. A estreia é nesta sexta, às 20h30, no Guaíra. Além dos 28 espetáculos que compõem a Mostra Lucia Camargo, principal recorte da programação do Festival de Curitiba, há outras dezenas de peças que correm paralelas no Fringe, a mostra alternativa do festival, focada em produções independentes. Uma delas é "Analfabetos", com texto de Paula Goja inspirado "na densidade psicológica" de Ingmar Bergman, diz a sinopse. No palco, uma grande conhecida do público: Guta Stresser, famosa pela personagem Bebel, de "A grande família". A peça está marcada para acontecer no dia 10 de abril, às 20h, o Teatro Paiol. A programação completa do Festival de Curitiba está no site oficial do evento. * Ricardo Ferreira viajou a convite do Festival de Curitiba
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