Revista Oeste
“Esta é a vossa hora e o poder das trevas” (Lucas 22:53) O passageiro mais assíduo nos jatinhos de Vorcaro continua sem nenhuma vergonha de praticar os seus abusos de autoridade. Seu voto pela manutenção da prisão de Filipe Martins é o mais recente capítulo na história indecente do assalto togado ao país. E deverá ser seguido por Zanin e Carmen Lúcia, os submissos, e por Flávio Dino, o stalinista igualmente vingativo. O caso de Filipe Martins já ultrapassou a esfera do Direito há algum tempo. O que se vê aí é coisa inteiramente distinta: um experimento de poder conduzido a céu aberto, com a tranquilidade de quem não se sente minimamente obrigado a prestar contas, sequer mesmo à realidade dos fatos. Como se sabe, o “Careca do Master” determinou a última prisão preventiva de Filipe baseado na alegação de que o réu acessara o LinkedIn, violando as restrições impostas. Mas a defesa apresentou registros técnicos demonstrando o contrário — que não houve o acesso no período indicado . Em qualquer ambiente onde ainda exista algum resquício de lógica, isso encerraria a discussão. Não no Brasil de Moraes, que mentiu para prender o ex-assessor de Bolsonaro da primeira vez, voltou a mentir para prendê-lo da segunda vez e insiste na mentira para mantê-lo preso. + Leia mais notícias de Política em Oeste Tendo o Direito se retirado pela porta dos fundos — e ido beber uísque milionário na taverna londrina de Vorcaro —, a prisão preventiva foi convertida em puro instrumento de afirmação de autoridade. Não importa mais o risco concreto, a necessidade cautelar ou a proporcionalidade da medida. Importa demonstrar quem manda — e até onde esse mando pode ir. É o Direito reduzido à sua forma mais primitiva: a vontade do mais forte travestida de decisão técnica. Ninguém sai da masmorra de Moraes senão por sua vontade. O STF de Moraes O Supremo Tribunal Federal, que deveria funcionar como anteparo contra esse tipo de distorção, tornou-se, ao menos em casos como este, o seu principal veículo. Os demais ministros são cúmplices da completa desmoralização da corte, hoje desprezada por seis entre dez brasileiros , como mostrou pesquisa recente da Atlas Intel. E o mais perturbador não é apenas a decisão em si, mas o precedente que ela estabelece. Porque, uma vez admitido que se pode manter alguém preso com base em uma alegação falsa, a porta está aberta para qualquer abuso. Em Arquipélago Gulag , Soljenítsin mostrou o que acontece quando a verdade factual perde relevância diante da necessidade de sustentar uma decisão. O momento decisivo de consolidação de uma patocracia não é quando a mentira aparece, mas quando ela passa a estruturar toda a segunda realidade imposta pelo regime à sociedade. Não há dúvidas de que, sob Moraes e seus camaradas, o Brasil é uma patocracia consolidada. https://www.youtube.com/watch?v=RxamkqoRyhc O post Na masmorra de Alexandre de Moraes apareceu primeiro em Revista Oeste .
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