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Lula reduz participação de mulheres em ministérios enquanto tenta atrair eleitorado feminino
Jornal O Globo

Lula reduz participação de mulheres em ministérios enquanto tenta atrair eleitorado feminino

O ministério do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficou ainda mais masculino após as trocas desta semana, com a saída de seus auxiliares para disputar as eleições deste ano. Antes da mudança, eram 28 homens e dez mulheres na Esplanada petista. Agora, elas ocupam oito pastas enquanto eles, 30. A mudança ocorre em meio a uma tentativa do petista de atrair o eleitorado feminino. Quando Lula subiu a rampa para seu terceiro mandato, seu governo tinha 11 mulheres e 26 homens à frente de 37 ministérios. O petista começou seus dois primeiros mandatos com 4 mulheres no primeiro escalão. Nesta sexta-feira, com o fim do prazo da desincompatibilização, foram oficializadas mudanças em 16 ministérios. Ainda não há clareza de quem substituirá Gleisi Hoffmann na chefia da Secretaria de Relações Institucionais (SRI) —a deputada irá concorrer a uma vaga ao Senado pelo Paraná. Apesar disso, os principais cotados para o cargo são homens: o deputado José Guimarães (PT-CE), o senador Otto Alencar (PSD-BA) e o ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias. Ao longo desse terceiro mandato, Lula foi cobrado por sua base a dar mais espaço às mulheres, já que, apesar de representar avanços comparados a seus dois primeiros governos, a composição do gabinete ainda está longe da paridade de gênero. Nesta semana, deixaram o governo, além de Gleisi, as ministras Simone Tebet (Planejamento e Orçamento), que concorrerá ao Senado em São Paulo; Marina Silva (Meio Ambiente), que deve concorrer a uma vaga na chapa de Fernando Haddad ao governo de São Paulo; Macaé Evaristo (Direitos Humanos), que será candidata a deputada estadual em Minas Gerais; Anielle Franco (Igualdade Racial) que buscará se eleger deputada federal pelo Rio; e Sônia Guajajara (Povos Indígenas), que sairá candidata à Câmara por São Paulo. Entre os substitutos já anunciados dessas cinco ministras, três são homens: Bruno Moretti, no Planejamento; João Paulo Capobianco, novo ministro do Meio Ambiente; e Eloy Terena, que será ministro dos Povos Indígenas. No Ministério dos Direitos Humanos, assumiu Janine Mello dos Santos, atual secretária executiva da pasta; e no da Igualdade Racial, entra Rachel Barros de Oliveira, que também era a número 2 de Anielle. Por outro lado, duas ministras vão substituir titulares homens: Miriam Belchior (Casa Civil) e Fernanda Machiaveli (Desenvolvimento Agrário), que entram no lugar de Rui Costa e Paulo Teixeira, respectivamente. Além delas, seguirão na Esplanada as ministras Esther Dweck (Gestão e Inovação), Luciana Santos (Ciência e Tecnologia), Márcia Lopes (Mulheres) e Margareth Menezes (Cultura). A participação de mulheres no governo com essas trocas é superior à do Ministério de seu antecessor, Jair Bolsonaro (PL), no mesmo período. A montagem de Bolsonaro em ano eleitoral e após o prazo de desincompatibilização era de 22 homens e somente uma mulher — antes, havia três ministras, que deixaram os cargos para disputar eleições: Damares Alves, Flávia Arruda e Tereza Cristina. Coordenadora da bancada feminina na Câmara, a deputada petista Jack Rocha (ES) diz que é importante reconhecer o avanço e o protagonismo das ministras que fizeram parte do governo. Ela afirma que elas são lideranças extremamente comprometidas com a agenda das mulheres no país e que “não ocuparam esses espaços apenas por composição política, mas por presença, influência, agenda e trajetória”. —Ao mesmo tempo, é um fato que ainda estamos aquém do que a democracia brasileira exige. As mulheres são maioria na sociedade e não podem seguir sendo minoria nos espaços de decisão. A redução do número de ministras acende um alerta: a presença das mulheres no governo não pode ser episódica, precisa ser estruturante. Jack Rocha afirma ainda que a saída de ministras mulheres “gera uma lacuna relevante”, mas diz que a busca por paridade nesses espaços é um desafio da sociedade como um todo e não está restrita somente ao Executivo, mas também no Parlamento e no Judiciário. Eleições De olho nas eleições, o Palácio do Planalto acredita que é possível avançar entre as mulheres —o eleitorado feminino representa 52,5% do total, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada no último dia 17, o eleitor médio mais suscetível a mudar de voto são mulheres (49%). Desde o fim do ano passado, o presidente incorporou ao seu discurso o enfrentamento ao feminicídio e determinou que o combate à violência contra a mulher seja uma das prioridades da gestão neste ano, em uma prévia do uso do tema como bandeira eleitoral na campanha à reeleição. O desafio, no entanto, são os altos índices de feminicídios registrados no país. O senador Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula na disputa, também tem investido no eleitorado feminino. Em falas públicas recentes, acenou para o segmento. Em ato na avenida Paulista, em São Paulo, por exemplo, o pré-candidato afirmou que mulheres seriam “de verdade, abraçadas e protegidas, sem hipocrisia” em um eventual governo seu. O entorno de Flávio considera ainda que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro será um ativo político relevante para ampliar o diálogo com as mulheres e diminuir a rejeição ao nome do senador.

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