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Veja tudo o que se sabe sobre a queda de avião no litoral do RS que deixou quatro mortos | Collector
Veja tudo o que se sabe sobre a queda de avião no litoral do RS que deixou quatro mortos
Jornal O Globo

Veja tudo o que se sabe sobre a queda de avião no litoral do RS que deixou quatro mortos

As causas da queda de um avião de pequeno porte caiu na cidade de Capão da Canoa, no litoral norte do Rio Grande do Sul, nesta sexta (3), ainda serão investigadas pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa). Segundo especialistas, problemas no motor são uma hipótese inicial, já que a aeronave caiu pouco após decolar, mas há outros motivos possíveis. Saiba mais: Casal de empresários e pilotos são as vítimas de acidente aéreo no Rio Grande do Sul Veja as imagens: Vítima de acidente no Rio Grande do Sul fez vídeo de dentro de avião pouco antes da queda Local do acidente em Capão da Canoa Editoria de Arte Quem eram as vítimas O acidente resultou na morte dos dois passageiros, o casal de empresários Déborah Belanda Ortolani e Luis Antonio Ortolani, além do sócio da empresa de aviação a que pertencia a aeronave, Renan Saes, e o piloto Nelio Pessanha. Segundo informações de jornais do Rio Grande do Sul, o casal Ortolani era sócio da Feira do Bordado de Ibitinga, em São Paulo, destino da viagem desta sexta. De acordo com a Defesa Civil de RS, as informações preliminares dos documentos do plano de voo e dos familiares presentes no local dão conta de que o casal dividia residência entre Xangri-Lá (RS) e Ribeirão Preto (SP). A Feira do Bordado de Ibitinga é um dos principais eventos do setor têxtil do país, realizada anualmente na cidade paulista conhecida como a “capital nacional do bordado”. O evento é organizado com participação da prefeitura e de entidades do comércio local. De acordo com o jornal NSC Total, os Ortolani eram sócios e administradores da feira, que também tem edições em Porto Alegre. Os dois seguiam a página da feira da capital gaúcha nas redes sociais. Já Renan Saes era sócio da Peluzzi Aviation, que trabalha com compra e venda de aeronaves, além de consultoria no setor. O avião do acidente seria da empresa. Pouco antes do acidente aéreo, Renan Saes publicou um vídeo, em suas redes sociais, com imagens da vista da janela de um avião. Não há confirmação se trata-se da mesma aeronave, mas a mídia foi publicada momentos antes da queda, que ocorreu às 10h38 desta sexta. O avião estava sendo pilotado por Nelio Pestana, a quarta vítima da tragédia. Como foi o acidente O acidente aconteceu logo após a decolagem do aeroporto municipal da cidade. O avião caiu a apenas cerca de uma quadra de distância, na Avenida Valdomiro Cândido dos Reis, em um restaurante. De acordo com comunicado do Corpo de Bombeiros, "Conforme informações preliminares, a aeronave estaria voando em baixa altitude, momento em que passou a perder altura e veio a cair". O órgão também explicou que o avião veio de São Paulo, parou em Criciúma (SC) para abastecer, e chegou em Capão da Canoa para buscar o casal, antes de retornar a São Paulo. As imagens captadas por câmeras de segurança mostram o momento que o avião colide com uma casa, uma loja e um restaurante, que estava fechado, em uma área residencial de Capão da Canoa. Outros vídeos feitos por moradores mostram fumaça e fogo após a queda da aeronave. Os moradores vizinhos foram retirados por conta do risco de explosões e, até o momento, não foram registrados feridos em relação, informou a Defesa Civil. Initial plugin text Initial plugin text A Defesa Civil do Rio Grande do Sul afirmou que, segundo os documentos do plano de voo, o avião seguiria para o aeroporto de Itápolis (SP), o mais próximo de Ibitinga, cidade onde ocorre a Feira de Ibitinga. O que aconteceu com o restaurante atingido Comunicado do restaurante Dom Inacio, atingido no acidente Reprodução / Redes Sociais O dono do restaurante atingido afirmou, em entrevista à TV Globo, que o estabelecimento deveria estar funcionando no momento do acidente, mas que ele decidiu há apenas dois dias que fecharia na Semana Santa para obras. Portanto, não houve feridos da parte do restaurante, que estava vazio. - Estamos em choque - afirmou Douglas Roos, dono do Dom Inácio. - Livramento, agradecimento a Deus, porque a minha família e os meus colaboradores não estavam ali dentro no momento, onde poderiam estar, e agora é trabalhar para reconstruir de novo. Qual era o modelo do avião De acordo com informações divulgadas, o acidente envolveu uma aeronave monomotor, modelo Piper JetPROP DLX, de prefixo PS-RBK. Um avião considerado "moderno" e "seguro" segundo especialistas ouvidos pela reportagem. Local do acidente Divulgação / Defesa Civil RS Quais as principais suspeitas do acidente Henri Bigatti, engenheiro e ex-gerente da ANAC de Aeronavegabilidade Continuada, explicou que acidentes que acontecem logo após a decolagem têm tendência estatística de serem causados por problemas no motor do avião, e que isso deve ser o foco inicial da investigação. O avião, um monomotor, saiu do Aeródromo de Capão da Canoa, onde a pista é pequena, diz o especialista, mas que isso não deveria ser um problema. - Na decolagem o avião usa muito o motor e qualquer falha pode ser crítica. Era uma aeronave que, nas condições normais, decola nessa pista sem problema algum, por isso é preciso investigar bem o que falhou - afirmou Bigatti, que acrescenta a hipótese de colisões com aves. - Na região litorânea, esse risco sempre existe. Se ocorreu, o piloto teria dificuldade em reagir. Local do acidente em Capão da Canoa Divulgação / Defesa Civil RS Balanço ambiental: Marina Silva deixa ministério com queda no desmatamento, mas tem gestão marcada por reveses políticos Feriado de Páscoa: sol atrai milhões ao litoral e rodovias paulistas registram lentidão Entenda: tenente-coronel da PM-SP réu por feminicídio pode perder aposentadoria? O especialista em gerenciamento de riscos Gerardo Portela explicou que, pelas imagens, foi possível perceber que o avião estava na chamada posição de "estol" no momento da colisão. Essa classificação é dada quando a aeronave está com o "nariz" para cima, indicando não haver mais sustentação, ou seja, não possuía velocidade mínima para seguir voo e passa a cair. As causas, explica, podem ser muitas, mas a primeira hipótese é alguma falha no motor, seja por problema de mau funcionamento ou por uso de combustível inadequado. Isso pode ter prejudicado a velocidade no momento da decolagem, diz Portela. - Se essa velocidade mínima não for alcançada, pode ser até que o avião decole, mas ele não decola com a velocidade necessária para o motor conseguir manter o voo. Então, essa é uma possibilidade. Não tem nenhum sinal de fogo pelas imagens. Então, aparentemente, não tinha nada em chamas no na aeronave -- afirma Portela, que destaca que o número de acidentes envolvendo aviação privada no Brasil precisa ser bem fiscalizado. Initial plugin text O especialista chamou a atenção para o fato do avião ter feito escalar ao longo do voo. Depois de sair de São Paulo, parou em Criciúma antes de chegar em Capão da Canoa. Por isso, ele disse que é preciso verificar o plano de voo para identificar se todas as informações, como quantidade de passageiros, peso total, tipo e quantidade de combustível estavam bem calculados. Outra preocupação é saber se o piloto estava bem descansado. O especialista também comentou informações não confirmadas de que o avião teria batido em um poste após a decolagem. Se houver um poste no caminho, é um erro grave do aeródromo, diz Gerardo Portela. -- Pode ter sido mal funcionamento do motor, um abastecimento errado, uma falha na alteração de passageiros, de carga, deixando a aeronave mais pesada do que precisava. Pode ter sido uma falha de decolagem, pode ter sido um um desvio errado, um movimento errado do piloto, um toque em algum obstáculo. Enfim, são muitas possibilidades -- resume Portela.

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