Jornal O Globo
Depois de temporadas dominadas por texturas mais naturais e despretensiosas, o cabelo volta a um lugar de acabamento preciso, quase como um acessório de luxo. O brilho espelhado, alinhado e contínuo ganha força nas passarelas, nas redes e, principalmente, no desejo de um visual que traduz cuidado e sofisticação sem excessos. O chamado liquid hair não fala apenas de estética, mas de uma nova relação com o fio: mais saudável, mais bem tratado e com aparência impecável. Para entender esse movimento e como ele se traduz na prática, ouvimos Romeu Felipe e Ulisses Petri, do ROM Concept, em São Paulo, que ajudam a decodificar o que está por trás desse brilho quase líquido. O chamado liquid hair não fala apenas de estética, mas de uma nova relação com o fio Reprodução/Instagram O brilho como novo código de luxo O efeito espelhado não surge por acaso: ele acompanha uma mudança clara no olhar sobre beleza e acabamento. “Liquid hair é aquele cabelo com brilho contínuo, quase espelhado, que reflete luz de forma uniforme da raiz às pontas”, explica Romeu Felipe. “Ele voltou com força porque hoje existe uma valorização muito maior da saúde e da naturalidade, não é mais sobre transformar o fio, e sim sobre revelar a melhor versão dele.” Essa ideia de sofisticação mais sutil também aparece na leitura de Ulisses Petri, que complementa que “não é só brilho, é uniformidade de reflexão”. Para ele, o retorno do liquid hair acompanha um novo conceito de luxo: “menos textura ‘bagunçada’ e mais acabamento polido, saudável, intencional.” Entre tratamento e finalização Se o resultado final é altamente visual, a construção dele começa de forma quase invisível: na saúde do fio. É por isso que, segundo Ulisses, “sem cutícula alinhada, sem fibra íntegra, não existe brilho espelhado real, só efeito temporário”. A finalização, nesse caso, funciona como um refinamento: “ela organiza, direciona e intensifica esse brilho, mas não sustenta sozinha.” Se o resultado final é altamente visual, a construção dele começa de forma quase invisível: na saúde do fio Getty Images Romeu segue a mesma linha e reforça que o efeito ultra glossy “é, principalmente, resultado de tratamento”. Como ele explica, “se o cabelo estiver poroso ou danificado, não existe produto que entregue esse brilho espelhado sozinho: a finalização entra para potencializar, não para corrigir.” Técnica é tudo Para transformar um fio saudável em um cabelo com brilho espelhado, a técnica faz toda a diferença, e começa ainda no lavatório. “No salão, a gente trabalha com protocolos que focam em alinhamento e selagem de cutícula”, diz Romeu. Ele destaca tratamentos como acidificação, gloss capilar e reconstruções leves como base desse resultado, além de uma escova bem executada, com polimento térmico. Ulisses amplia esse olhar ao trazer a importância das tecnologias mais recentes: “tratamentos com peptídeos, reposição lipídica e técnicas que reorganizam a fibra fazem toda a diferença”. Na finalização, ele reforça, “é direção, controle de calor e escolha certa de produtos – é técnica, não só produto.” Um efeito, múltiplas texturas Embora o imaginário do liquid hair ainda esteja muito associado aos fios lisos, o efeito pode (e deve) ser adaptado. Ulisses explica que “nos lisos, o efeito espelhado é mais evidente porque a superfície é contínua”, enquanto em cabelos ondulados e cacheados o brilho “aparece de forma fragmentada, acompanhando a curvatura”. Embora o imaginário do liquid hair ainda esteja muito associado aos fios lisos, o efeito pode (e deve) ser adaptado. Reprodução/Instagram Romeu complementa que a chave está na finalização: “definir bem os cachos, controlar o frizz e usar produtos mais leves que tragam brilho sem pesar”. No fim, ambos concordam: não se trata de mudar a textura, mas de elevar o potencial natural de cada fio. O brilho que se constrói no dia a dia Se o salão entrega o impacto imediato, é a rotina que sustenta o efeito ao longo do tempo. “Em casa, o segredo é constância”, diz Romeu, que recomenda um cronograma equilibrado, uso de leave-ins e óleos leves, além de atenção a detalhes simples, como temperatura da água e enxágue correto. Ulisses reforça essa lógica com um olhar mais técnico: “manter o ‘liquid hair’ exige rotina inteligente e controle de agressões”. Menos excesso de calor, menos química desnecessária e mais equilíbrio. Porque, como ele resume, “esse brilho não vem de excesso de produto… vem de um fio saudável e bem finalizado.”
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