Jornal O Globo
O governador em exercício do Rio, o desembargador Ricardo Couto, já fez algumas mudanças no primeiro escalão, como no Gabinete de Segurança Institucional (GSI), e tem vontade aprofundar as trocas. No entorno dele, afirma-se que a dificuldade tem sido atrair nomes de peso para áreas estratégicas, como a Fazenda. Há dois entraves principais: a incerteza sobre a duração do governo interino e os salários, vistos como pouco competitivos para profissionais atualmente na iniciativa privada. Flagrantes de irregularidades no tráfego de bicicletas se acumulam nas ruas do Rio à espera de regulamentação De volta ao passado: Grupo Astra, jóqueis e expressões da era do ex-chefe da Polícia Civil Hélio Luz ressurgem após a saída de Castro A expectativa agora se concentra no próximo dia 8, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) deve definir o modelo da eleição para o mandato-tampão no Rio. Enquanto isso, Couto faz as mudanças consideradas possíveis. As mais recentes exonerações saíram anteontem em edição extra do Diário Oficial. Na Controladoria-Geral do Estado (CGE), Demetrio Abdennur Farah Neto foi exonerado para dar lugar ao advogado Bruno Campos Pereira, que era subsecretário de Contabilidade. No Instituto de Segurança Pública (ISP), saiu a delegada Marcela Ortiz e entrou a pesquisadora e economista Bárbara Caballero de Andrade. Couto também exonerou Bráulio do Carmo Vieira da Secretaria Extraordinária de Representação em Brasília. Para a vaga, escolheu o advogado Gustavo Alves Pinto Teixeira, ex-desembargador do Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ). O novo secretário do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) do Estado do Rio, Lisandro Leão, assumiu a pasta nesta semana em meio à instabilidade política do governo fluminense. Diante da possibilidade de novas eleições em breve, mesmo sem saber por quanto tempo permanecerá no cargo, o delegado decidiu fazer um pente-fino em diferentes áreas da estrutura sob seu comando. A revisão inclui programas como o Barricada Zero, contratos da pasta e nomeações para cargos de confiança. Aeronaves e palácios A ideia é mapear o funcionamento do gabinete. Cabe ao GSI a segurança pessoal do governador e de seus familiares, além da proteção dos palácios do Executivo e das residências oficiais. O órgão também é responsável pelas aeronaves do governo do estado e, desde o ano passado, passou a abrigar o programa Barricada Zero, criado na gestão de Cláudio Castro (PL), que renunciou em 23 de março. A iniciativa tem como objetivo retirar barreiras erguidas em favelas para dificultar a ação policial. Embora o GSI não atue diretamente nas operações, coordena o planejamento e a articulação com as forças de segurança e com as prefeituras envolvidas. A execução fica a cargo, principalmente, da Polícia Militar. A avaliação em curso, porém, não significa, necessariamente, o fim do projeto. Segundo dados do estado, nos últimos quatro meses o Barricada Zero alcançou 227 comunidades, retirou 14 mil toneladas de entulho e resultou na prisão de 90 pessoas. Já entre os contratos que estão sendo revistos está o de jatinhos particulares que ficam à disposição para viagens do governador e de outras autoridades do Rio. Conforme revelou O GLOBO nesta semana, o táxi aéreo a serviço do Palácio Guanabara já consumiu R$ 17,4 milhões em três anos, foi renovado em um dos últimos atos do mandato de Castro e opera com uma lista secreta de destinos e passageiros. As mudanças no gabinete, com orçamento anual de R$ 64 milhões, começaram a aparecer no Diário Oficial nesta semana. Desde segunda-feira, 24 pessoas foram exoneradas, de cargos de chefia a funções de assistência. A maior parte dos desligados é formada por agentes de segurança: dez policiais civis da ativa ou aposentados, seis PMs da ativa ou da reserva, um policial federal aposentado e uma bombeira militar.
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