Jornal O Globo
Christina Marie Plante, que desapareceu aos 13 anos no Arizona em 1994 e foi localizada após quase 32 anos, vive sob outro nome e afirmou às autoridades que não pretende retomar o passado. Hoje aos 44 anos, ela disse que deixou para trás o período anterior de sua vida. De acordo com a capitã Jamie Garrett, responsável por localizá-la, Plante saiu de casa por vontade própria e contou com ajuda de familiares. 'Pegadinha' de 1º de abril sobre morte da tartaruga mais velha do mundo viraliza e é desmentida Turistas pressionados a fingir sintomas: Fraude em resgates de helicóptero no Everest leva à acusação de 32 e revela esquema milionário A declaração muda o rumo de uma investigação que, por décadas, tratou o caso como possível sequestro. — Essa foi uma informação da qual não tínhamos conhecimento antes de localizá-la. Acreditávamos que tinha sido sequestrada — diz o subxerife do Condado de Gila James Lahti. A investigadora Garrett relatou surpresa ao confirmar a versão: “Fiquei perplexa”. Ela disse ainda que, ao conversar com Plante, mencionou que o desaparecimento foi tratado como crime durante anos, com a “impressão de que alguém havia te sequestrado”. Segundo ela, Plante deixou a cidade porque não estava satisfeita com a vida que levava. — Acho que ela não estava feliz com onde vivia e com quem vivia, e fugiu. A investigadora relata, ainda, que a mulher não queria ser encontrada e indicou que não pretende revisitar o passado. Ela afirmou que o período anterior não faz mais parte de sua vida atual e que hoje tem sua própria família. — Ela disse que isso foi há muito tempo, que era uma vida antiga. Ela está na vida adulta. Ela tem a família dela agora. Isso não é algo em que ela sequer pensa — diz Garrett. Hipótese de disputa de guarda O novo relato reforça uma linha antiga da investigação. O ex-subxerife Terry Hudgens, que atuou no caso na década de 1990, afirmou que o desaparecimento pode ter sido resultado de uma disputa de guarda. Segundo ele, o pai tinha a guarda da adolescente, mas ela queria viver com a mãe. Um encontro teria sido combinado enquanto Plante caminhava em direção a um estábulo e, a partir dali, mãe e filha seguiram para o aeroporto em Phoenix, deixando o estado — “e talvez o país”. — Era uma disputa de custódia — afirmou Hudgens. Décadas sem respostas Apesar dessa versão, o caso nunca foi oficialmente encerrado. Lahti confirmou que a investigação inicial foi conduzida por Hudgens, mas afirmou que o processo seguiu aberto e ainda está em apuração. — Ainda estamos no processo de apurar o que aconteceu e, à medida que novas informações surgirem, forneceremos atualizações — disse. Plante desapareceu em maio de 1994, em Star Valley, após sair de casa em direção a um estábulo onde ficava seu cavalo. Antes disso, segundo relatos da época, ela teria comentado com amigos sobre a possibilidade de fugir, embora ninguém tenha levado a sério. Na ocasião, ela vivia com um tio e uma tia, que chegaram a oferecer recompensa de 10 mil dólares por informações. O caso foi incluído em bancos nacionais de pessoas desaparecidas e revisitado periodicamente, sem avanços por décadas. A localização foi anunciada nesta semana pelo xerife Adam Shepherd e teve repercussão nacional. As autoridades não informaram como Plante foi encontrada nem onde viveu ao longo dos anos, alegando respeito à privacidade.
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