Jornal O Globo
O secretário de Estado do governo dos Estados Unidos, Marco Rubio, anunciou nas suas redes sociais a prisão de duas sobrinhas do general iraniano Qasem Soleimani. O militar foi morto por um ataque americano em Bagdá, no Iraque, em 2020, e era considerado peça chave da Guarda Revolucionária do Irã. No fim de 2023, o regime iraniano chegou a condenar o governo americano a pagar US$ 50 bilhões por perdas e danos pela morte do chefe militar. Segundo Rubio, Hamideh Soleimani Afshar e sua filha tinham uma vida de luxo nos Estados Unidos e possuíam green card. Resgate é de alto risco: Desaparecimento de piloto eleva temor de nova crise de reféns entre EUA e Irã Conflito no Oriente Médio: Nova escalada com Hezbollah reforça plano israelense de controle de sul do Líbano Ainda de acordo com o secretário, o visto das duas mulheres foram revogados e, no momento, elas estão sob custódia do ICE, o Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos, aguardando para serem deportadas. "Ela também é uma defensora declarada do regime iraniano, que comemorou ataques contra americanos e se referiu ao nosso país como o 'Grande Satã'. O governo Trump não permitirá que nosso país se torne um lar para estrangeiros que apoiam regimes terroristas anti-americanos", escreveu Rubio. Os iranianos revolucionários que se dizem contrários ao imperialismo americano comumente chamam o país de "Grande Satã", como citado pelo secretário, enquanto Israel, principal aliado dos Estados Unidos no Oriente Médio, é chamado de "Pequeno Satã". Na guerra travada entre os três países na região, Israel e Estados Unidos já mataram dezenas de líderes e figuras importantes do regime iraniano, entre eles o então líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, e Ali Larijani, figura central com atuação no Conselho Supremo de Segurança Nacional e no Parlamento. Quem era Soleimani Qasem Soleimani, morto aos 62 anos, foi um dos homens mais poderosos do país persa. Ele liderou as operações militares iranianas no Oriente Médio como comandante da Força Quds, unidade de elite da Guarda Revolucionária do Irã. Ele morreu enquanto sua comitiva deixava o aeroporto de Bagdá, junto a integrantes de uma milícia iraquiana. Na ocasião, o ataque ocorreu poucos dias após manifestantes invadirem a embaixada dos EUA em Bagdá. De acordo com o Pentágono, Soleimani teria aprovado os ataques. Naquela época, os manifestantes protestavam contra um bombardeio direcionado às bases do grupo Kataib Hezbollah no Iraque e na Síria, em que 25 pessoas morreram. Os Estados Unidos afirmaram, por sua vez, que a ofensiva foi uma resposta a um ataque de míssil contra uma base militar no Iraque que matou um civil americano. Com a morte de Soleimani, as tensões entre Washington e Teerã aumentaram, e o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, afirmou que “uma vingança severa” aguardava os “criminosos” responsáveis. O major-general Qasem Soleimani era visto como a segunda pessoa mais poderosa do Irã, depois do aiatolá Khamenei. De acordo com a correspondente da BBC Lyse Doucet, ele era visto como o mentor dos planos mais ambiciosos do país no Oriente Médio, e como o verdadeiro ministro das Relações Exteriores do país em questões de guerra e paz. Desde 1998, Soleimani liderava a Força Quds, que administra operações clandestinas no exterior. A influência da organização foi observada nos conflitos na Síria, onde aconselhou as forças leais ao presidente Bashar al-Assad, armou milhares de milicianos xiitas muçulmanos e lutou ao lado deles. No Iraque, também apoiou um grupo xiita paramilitar que ajudou a combater o Estado Islâmico. Esses conflitos transformaram general Soleimani em uma espécie de celebridade no Irã. Segundo Doucet, ele foi considerado o “principal arquiteto da guerra do presidente Bashar al-Assad na Síria, do conflito no Iraque, da luta contra o Estado Islâmico e de muitas outras batalhas”.
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