Jornal O Globo
Com a chegada da Páscoa, o coelho sempre surge como um dos seus símbolos tradicionais, em supermercados, lojas, filmes, entre outros espaços. Mas de onde e como o animal ganhou este significado? Existem diferentes versões para o seu simbolismo, tanto dentro como fora do cristianismo. Ainda dá tempo: ative ‘modo coelhinho da Páscoa’ no WhatsApp Páscoa: comer chocolate pode mesmo fazer bem para você; veja o que dizem os estudos Atualmente, o coelho é associado à fertilidade, já que tem uma gestação que dura apenas 30 dias e muitos de seus criadores cruzam os animais de cinco a sete vezes ao ano. No entanto, a lebre e o coelho já foram associados pelo catolicismo à virgindade e à castidade, já que acreditava-se que o animal não fazia reprodução sexuada para ter tantos filhotes, portanto seria como a Virgem Maria da Bíblia. Até o Renascimento, houve obras que ligavam a mãe de Cristo ao animal, como o quadro "Madonna del Coniglio" (traduzido como "A Virgem e o coelho"), de 1530, do pintor Tiziano Vecellio. Com o tempo, a lebre foi sendo substituída pelo coelho nas tradições cristãs, já que é um animal menos selvagem e mais domesticável, o que facilita a associação a uma tradição familiar. Também dentro do cristianismo, há uma lenda que diz que um coelho teria ficado preso no túmulo de Cristo, portanto, quando Maria Madalena encontrou a sepultura aberta, o animal já teria visto a ressurreição de Jesus, fazendo dele o primeiro a testemunhar o tal milagre e responsável por levar a novidade ao mundo, especialmente às crianças. No Brasil, no entanto, o costume de associar o coelho à Páscoa vem apenas do início do século XX. Versão também fora do catolicismo Fora das tradições cristãs, também há versões para os coelhos nesta época do ano. Na tradição alemã, existe a figura da Osterhase, uma lebre que escondia ovos enfeitados para que as crianças achassem. O animal trazia os ovos sempre no equinócio da primavera do Hemisfério Norte, período próximo da Páscoa Cristã. Além disso, o coelho é conhecido por ser um dos primeiros animais que sai da toca ao fim do inverno, o que também é associado ao renascimento. A lenda da lebre teria sido levada por imigrantes alemães aos Estados Unidos, a partir do século XVIII, onde se espalhara. No entanto, como são mamíferos, os coelhos também não botam ovos, que no caso da Páscoa, também estão associados à renovação e ao renascimento. Mas há também uma explicação pagã para isso. Relatada pelo monge anglo-saxão Beda, que viveu no século VIII e é considerado o pai da história inglesa, a deusa germânica Eostre (também conhecida como Eastre ou Ostara, palavra também próxima de easter, que significa Páscoa em inglês) é a senhora da fertilidade e das primaveras, quando a natureza renasce. Diz a mitologia germânica que ela transformou um pássaro em coelho, mas o animal não gostou da sua nova forma e pediu para voltar a ser uma ave. A deusa atendeu ao pedido, fazendo com o que o animal lhe desse ovos de presente como agradecimento. A deusa também foi associada à Páscoa pelos Irmãos Grimm, escritores alemães famosos pelos contos de fadas e literatura infantil. Jacob Grimm observou que, na Inglaterra do século XVIII, o mês de abril era chamado de eosturmonath, o que traduziu como mês de Eostre, para argumentar que uma tradição pagã ligada à primavera fora assimilada pelo cristianismo e associada à ressurreição.
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