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Andréia Horta é dona de uma carreira construída com critério. De Elis Regina, em Elis (2016), papel que ela mesma define como divisor de águas, a Zenilda em "Três Graças", novela das 9 da TV Globo, a atriz acumulou personagens marcadas por conflito, julgamento e transformação, sempre guiada por uma bússola muito particular: só entra numa história se tiver algo a dizer ou a aprender com ela. Agora, com Zenilda, a advogada traída ao mesmo tempo pelo marido, Santiago (Murilo Benício), e pela melhor amiga de infância, Arminda (Grazi Massafera), volta a conquistar o público num arco que virou fenômeno nas redes. "O que realmente me guia é a possibilidade de dizer algo que importa ou de aprender com aquilo que ainda não sei", diz. É essa bússola que explica um percurso construído com critério e, segundo ela mesma, com muitos nãos pelo caminho. "Ao longo da minha carreira, disse muitos nãos. Alguns trabalhos que aceitei talvez não precisasse ter feito, mas é a própria experiência que vai trazendo essa sabedoria." Zenilda é, de certa forma, uma resposta ao tipo de narrativa que Andréia não quer mais fazer. "Narrativas que abordam a violência sem questioná-las não me interessam mais", diz. O que a interessa é a jornada. "O que realmente me interessa em uma personagem é a jornada dela: que tipo de experiência poderei viver como pessoa ao atravessar aquela história." Nesse sentido, Zenilda entrega exatamente o que ela busca, inclusive no arco de transformação que a personagem começa a viver na novela, ao retomar a carteira da OAB e voltar a advogar depois de anos longe da profissão. Selecionar uma imagem O arco mobilizou o público de um jeito que a própria atriz não esperava. "Zenilda não enxergava as violências que sofria na relação com a suposta amiga e com o marido. O público via desde o início e torcia para que ela fosse capaz de lutar contra isso. Essa empatia é revolucionária. Mexe com as pessoas, as faz pensar em suas próprias vidas." Para ela, a reação nas redes diz algo mais profundo sobre o que o público busca hoje na ficção. "Quando o público se emociona é porque ele compreendeu alguma coisa importante que desloca ou inaugura um pensamento. Isso é muito valioso." Andréia Horta Divulgação/Catarina Ribeiro Quando se fala em repertório, o nome de Elis Regina aparece quase inevitavelmente. "Talvez Elis tenha sido um divisor de águas nas escolhas que fiz a partir dali", conta. Desde então, a atriz acumulou mulheres reais e fictícias, cada uma com suas próprias contradições. "Já interpretei algumas mulheres reais, algumas muito conhecidas, outras nem tanto, e isso é sempre mais difícil, mais delicado. A personagem real acaba sendo um porto de onde você parte, porque atuar é navegar." Essa ideia de navegação aparece também quando ela fala sobre o teatro, onde se formou e onde diz ter aprendido o que ainda orienta seu trabalho hoje. "Em um processo colaborativo, todos os trabalhos importam e afetam o seu. É uma dança, uma troca, em que o que importa é sempre o que for melhor para a cena." A cena, para ela, é quase um lugar sagrado. "É o meu parque de diversões, um lugar para pensar o mundo, mergulhar na nossa humanidade. Um lugar de pura verdade. E isso só acontece quando você está ali, realmente presente e aberto." Fora das telas, Andréia vive um momento especial. Mãe de Yolanda, de 1 ano, fruto do relacionamento com o ator Ravel Andrade, ela reorganizou a rotina sem abrir mão de nenhuma das duas frentes. "Além de estar trabalhando quase todos os dias da semana, tenho uma filha de um ano, portanto quando estou em casa meu tempo tem sido para ela. Quando ela dorme, estudo e faço exercício. Hoje sei que tempo é tesouro." O próximo capítulo já está gravado. Andréia retorna como Jerusa na segunda temporada de "Cidade de Deus: A Luta Não Para", prevista para o segundo semestre na Max. A série, que expande o universo do clássico de Fernando Meirelles, é também um projeto que ela abraça como atriz e como cidadã. "O que mais me instiga é a possibilidade de refletirmos sobre como os poderes paralelos atuam no Rio de Janeiro e sobre como isso impacta diretamente a vida da população mais vulnerável. A série toca em uma questão muito profunda: qual é, afinal, a responsabilidade do Estado diante dessa realidade." Revistas Newsletter Canal da Vogue Quer saber as principais novidades sobre moda, beleza, cultura e lifestyle? Siga o canal da Vogue no WhatsApp e receba tudo em primeira mão!
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