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Costurar, desenhar: especialistas explicam como os trabalhos manuais reduzem a ansiedade e a depressão | Collector
Costurar, desenhar: especialistas explicam como os trabalhos manuais  reduzem a ansiedade e a depressão
Jornal O Globo

Costurar, desenhar: especialistas explicam como os trabalhos manuais reduzem a ansiedade e a depressão

Em meio à rotina acelerada e ao excesso de estímulos digitais, práticas antigas têm ganhado destaque para reduzir a ansiedade. Costurar, pintar, desenhar, bordar ou até montar peças artesanais passaram a ocupar espaço nas discussões sobre saúde mental por proporcionarem benefícios e bem-estar. Os 6 sintomas que podem sinalizar o câncer de intestino em estágio inicial que você não deve ignorar Lua de Mel: por que ficamos em estado de êxtase nessa fase do casamento? A biologia explica — Os trabalhos manuais são uma forma prática de organizar a mente. Hoje, estamos o tempo todo no celular, nas redes sociais, mas produzimos e criamos pouco. Pensamos milhares de coisas e não focamos no momento presente. Quando você realiza um trabalho manual, dá atenção ao que está executando e isso diminui a ruminação mental. Essas atividades trazem uma sensação de controle e o ritmo repetitivo acalma o sistema nervoso. A ansiedade perde força — explica o psicólogo especializado em psicoterapia cognitivo-comportamental Douglas Oliveira. Para a a psicóloga clínica e ludoterapeuta Hanna Santos, as pessoas estão buscando caminhos para reduzir a ansiedade: — Percebemos que alguns recursos que eram utilizados lá atrás têm voltado. Bordados, pinturas e costuras acalmam o sistema emocional e esses movimentos ajudam a aliviar o estresse pois estimulam o cérebro a aprender algo novo. A pessoa entra em um estado de concentração profunda, que diminui a ansiedade e aumenta o bem-estar . Estudo publicado em 2025 na Revista Australiana de Terapia Ocupacional analisou atividades artesanais, como tricô, costura, cerâmica e bordado, e revelou que essas práticas melhoram significativamente o humor e a satisfação entre os participantes. Os benefícios foram observados em diferentes perfis, incluindo pessoas com ansiedade, depressão, doenças crônicas e demência. Segundo a pesquisa, os efeitos positivos podem surgir rapidamente. Em alguns casos, atividades curtas, de cerca de 10 minutos, já foram suficientes. A mente ansiosa sofre por causa da incerteza do futuro. E, quando o paciente está realizando uma atividade manual, tem uma previsibilidade do que vai ser o resultado final e isso não gera novos estímulos. Atividades simples, como pegar um caderninho de desenho para pintar, ouvir música clássica e até modelagem, ajudam a reduzir a ansiedade. De acordo com Santos, os movimentos repetitivos ajudam a regular o ritmo do corpo, na concentração, na respiração e na diminuição dos batimentos cardíacos. Para além dos benefícios individuais, a prática em grupo fortalece vínculos sociais, aumenta a sensação de pertencimento e cria redes de apoio emocional, apontou um estudo publicado na Revista de Ciências Ocupacionais, que analisou o uso do tricô como ferramenta de promoção de saúde mental. A arteterapeuta e psicóloga Ana Cristina Costa diz que as atividades em grupo são indicadas, principalmente, para aquelas pessoas que necessitam de um espaço de acolhimento. — Quando você escuta o outro, é como se você também tivesse a possibilidade de escutar você mesmo naquele momento — explica. É importante frisar que trabalhos manuais não são terapia, mas atividades terapêuticas que impulsionam a terapia. —Passar atividades para manter o paciente no momento presente são recomendações psicológicas. Realizar atividades como desenhar, escrever em um diário e executar trabalhos manuais fazem o paciente focar no agora, e isso traz regulação emocional — ressalta Oliveira. Arteterapia No campo da psicologia, existem técnicas voltadas a expressar sentimentos e emoções por meio de atividades artísticas. Uma das mais conhecidas é a arteterapia, onde o experiencial, aquilo que a pessoa vivencia, pode ser expressado por meio da arte. Enquanto o hobby foca no bem-estar, a arteterapia é conduzida por um profissional Freepik A arteterapia tem ganhado espaço como uma abordagem complementar no cuidado com a saúde mental, utilizando recursos como desenho, pintura, colagem e outras formas de expressão criativa para promover bem-estar. De acordo com o Ministério da Saúde, a prática integra as chamadas Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) e é utilizada como ferramenta terapêutica para estimular a expressão de sentimentos, reduzir o estresse e favorecer o equilíbrio emocional. Segundo o ministério, a prática pode ser aplicada em diferentes contextos, como unidades básicas de saúde, hospitais e Centros de Atenção Psicossocial (Caps), sendo reconhecida como uma estratégia complementar no cuidado integral do paciente. — A arteterapia é uma forma de facilitar a expressão emocional, é um recurso terapêutico, principalmente quando as palavras não dão conta. Recursos expressivos, como o desenho, a pintura em tinta guache ou aquarela, e colagem, possibilitam a expressividade lúdica, no intuito de ajudar os pacientes a se conectarem com as suas emoções de uma forma mais gentil e consciente. Eu sempre enfatizo que na arteterapia o importante não é o que você produz, mas o que você acessa internamente. Nem tudo que sentimos conseguimos expressar, então a arte atua como um facilitador desse processo terapêutico — afirma Costa. Segundo uma revisão de 2025, desenhar e pintar ajudam a melhorar a autoestima, a consciência corporal e a expressão emocional. Isso ocorre porque essas práticas permitem que sentimentos difíceis sejam externalizados sem a necessidade de verbalização, algo importante em casos de trauma ou dificuldade de comunicação emocional. — A arteterapia se diferencia do hobby. Embora sejam atividades manuais e possam trazer benefícios, a arteterapia tem um diferencial: é conduzida por um profissional com a intencionalidade terapêutica, existe todo um cuidado na escuta, na condução e na integração. A arteterapia contribui muito para os quadros de ansiedade, depressão, dificuldade de expressar as emoções e de nomear o que está sentindo, sendo um facilitador para processos de autoconhecimento, luto e estresse. Pode ser indicada tanto para pessoas que estão em sofrimento emocional, quanto para quem busca se conhecer melhor — diz Ana Cristina Costa. *estagiária sob supervisão de Constança Tatsch

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