Jornal O Globo
A delicatessen Delly Gil, localizada na Cobal do Leblon, se manifestou após a repercussão de uma denúncia de intolerância religiosa feita pela chef carioca Monique Benoliel. O caso veio à tona durante a semana do Pessach — período em que judeus celebram a libertação dos hebreus da escravidão no Egito — e mobilizou a Federação Israelita do Rio de Janeiro (Fierj), que notificou extrajudicialmente o estabelecimento. Dias após a denúncia, a empresária Lívia Pirozzi, filha do dono da loja, afirmou que ela e o pai vêm sendo alvo de hostilidade e ameaças desde que o episódio ganhou repercussão. Segundo ela, a família está abalada e sob efeito de medicação. — Estamos sendo ameaçados. Tem cliente distribuindo cartaz no estacionamento, nos chamando de nazistas. Nossa loja sempre atendeu a todos sem nenhuma discriminação. O que aconteceu foi um mal-entendido — disse. Lívia contestou a versão apresentada pela chef e negou que o pai tenha se recusado a atender clientes judeus. De acordo com a empresária, o comerciante, de 63 anos, apenas teria decidido deixar de vender produtos "mais tradicionais" por questões operacionais. — Ele jamais destratou ninguém e em nenhum momento disse que não queria atender clientes judeus. O que ele explicou foi que não queria mais trabalhar com produtos judaicos, porque são difíceis de armazenar e vender — afirmou. A empresária acrescentou que pretende procurar a Fierj para pedir desculpas e esclarecer o que classificou como um mal-entendido. Segundo Lívia, a delicatessen trabalha com uma grande variedade de mercadorias, e os itens específicos de determinadas culinárias nunca foram o foco principal do negócio. Ela afirmou que há, por exemplo, três prateleiras dedicadas a produtos asiáticos e orientais, que chegam de fornecedores em São Paulo, mas cuja comercialização também não é a especialidade da loja. A denúncia foi feita após Monique Benoliel relatar ter sido surpreendida ao pedir um produto típico consumido durante o Pessach, o matzá — pão sem fermento tradicional da celebração. Segundo a chef, o proprietário teria reagido de forma agressiva, afirmando estar “cansado dos judeus” e que não venderia mais produtos desse tipo, o que fez o ambiente “congelar por um instante”. O episódio foi levado à Federação Israelita, que deu prazo de três dias para que a loja apresente uma manifestação formal. Apesar da repercussão, a Delly Gil segue funcionando normalmente.
Go to News Site