Jornal O Globo
A prevenção do câncer em cães e gatos tem se voltado para uma abordagem holística, na qual dieta, controle ambiental e práticas de cuidado desempenham papéis complementares. Diversas organizações veterinárias indicam que essas medidas podem contribuir para reduzir a ocorrência ou progressão do câncer em cães e gatos por meio de estratégias nutricionais e de manejo diário. Na medicina veterinária, a nutrição evoluiu de um componente básico para uma ferramenta fundamental na prevenção. De acordo com pesquisas da Sociedade de Câncer Veterinário (VCS), um planejamento alimentar adequado pode reduzir ou retardar significativamente o aparecimento do câncer. O objetivo dessas intervenções é fortalecer o sistema imunológico e diminuir os processos inflamatórios persistentes associados à progressão tumoral. Alimentos funcionais e componentes nutricionais relevantes A Associação Americana de Medicina Veterinária (AVMA) indicou que a incorporação de certos alimentos na dieta diária pode influenciar a saúde celular a longo prazo. Entre os elementos destacados por especialistas em nutrição animal estão: Vegetais crucíferos (brócolis, couve e espinafre): contêm sulforafano, um composto associado à redução de processos inflamatórios e à interação com células cancerígenas. Mirtilos e frutas vermelhas escuras: fornecem antocianinas e flavonoides, substâncias relacionadas à neutralização de radicais livres e à proteção do material genético celular. Ácidos graxos ômega-3 (peixes oleosos e óleo de salmão): contribuem para a regulação de processos inflamatórios, considerados relevantes em ambientes onde tumores podem se desenvolver. Cúrcuma e óleo de coco: a curcumina está associada a efeitos anti-inflamatórios, enquanto o óleo de coco fornece lipídios com funções metabólicas e estruturais. 5. Fontes de betacaroteno: alimentos como cenoura e batata-doce contêm vitaminas A e C, que estão ligadas à função do sistema imunológico. Fatores de risco, manejo alimentar e prevenção abrangente Além da seleção alimentar, as abordagens preventivas consideram a redução de componentes que podem influenciar o desenvolvimento de doenças. As diretrizes do Grupo de Trabalho sobre Câncer em Animais de Estimação indicam que certos tumores podem se alimentar de açúcares e amidos, levando a recomendações para limitar carboidratos refinados e produtos ultraprocessados com aditivos artificiais. Essas recomendações incluem o uso de alternativas naturais, como proteínas cozidas na forma de petiscos, e uma distribuição de macronutrientes em que os carboidratos não excedam 15% da dieta total. A Associação Mundial de Veterinária de Pequenos Animais (WSAVA) destaca que o controle do peso corporal é um elemento relevante, devido à relação entre obesidade e um ambiente inflamatório que pode aumentar o risco de câncer. Limitar a exposição a substâncias externas, como fumaça de tabaco ou pesticidas domésticos, também é recomendado. Por fim, exames veterinários regulares são considerados um componente fundamental na detecção precoce. A identificação precoce de anormalidades permite a intervenção nos estágios iniciais, o que influencia o prognóstico geral do animal de estimação.
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