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Como os Estados Unidos destruíram avião lotado de civis no Estreito de Ormuz | Collector
Como os Estados Unidos destruíram avião lotado de civis no Estreito de Ormuz
Jornal O Globo

Como os Estados Unidos destruíram avião lotado de civis no Estreito de Ormuz

O iraniano Mohsen Rezaian, piloto veterano formado nos Estados Unidos, com mais de 7 mil horas de experiência, comandava o voo 655 da Iran Air lotado, com 290 almas a bordo. Depois de sair de Teerã, o avião parou em Bandar Abbas, no Sul do Irã, onde fez uma escala antes de continuar a viagem para Dubai, nos Emirados Árabes, seu destino final. Trinta segundos após decolar de Bandar Abbas, quando sobrevoava o Estreito de Ormuz, o avião foi destruído no ar por dois mísseis americanos. Estreito de Ormuz: Por que passagem marítima é tão importante para o mundo? Plano de cessar-fogo: Estados Unidos e Irã recebem proposta elaborada por Paquistão Era manhã de 3 de julho de 1988. A guerra entre Irã e Iraque caminhava para o fim. Os Estados Unidos, que apoiavam os iraquianos, vinham patrulhando o Estreito de Ormuz, entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, no litoral do Irã, para proteger navios petroleiros que passavam pelo canal. O navio de guerra americano USS Vincennes havia acabado de escoltar uma embarcação e estava perseguindo lanchas iranianas que tinham atacado um helicóptero militar com armas pequenas. Instagram: Siga nosso perfil, com fotos de cem anos de jornalismo Foi então que a tripulação do USS Vincennes viu o Airbus A300 pilotado por Rezaian voando na direção do navio e o confundiu com uma aeronave inimiga. A torre de controle de Bandar Abbas chegou a desejar boa viagem ao voo 655, cujo comandante respondeu com "obrigado" e "bom dia". Meio minuto depois, o avião foi atingido. Ninguém sobreviveu. Entre as 290 pessoas a bordo, havia 65 crianças. USS Vincennes: Navio americano destruiu avião comercial com dois mísseis Reprodução O Estreito de Ormuz já era uma importante passagem comercial de produtos derivados do petróleo. O governo iraniano não tinha determinado o fechamento do canal, como vem fazendo desde o início do atual bombardeio realizado por Estados Unidos e Israel no país. Mas, mesmo assim, incidentes com navios cargueiros geravam preocupação. Depois que um petroleiro americano se chocou com uma mina, os Estados Unidos realizaram ataques contra a infraestrutura energética e militar do Irã. Guerra e fome: Conflito pode deixar 45 milhões de pessoas em insegurança alimentar Donald Trump: Chefe da Casa Branca coleciona ameaças de cometer crimes de guerra Na manhã do dia 3 de julho de 1988, de acordo com a Casa Branca, a tripulação do USS Vincennes identificou o voo 655 da Iran Air como uma possível ameaça e mandou diversos alertas para o avião, que não respondeu a nenhum deles. Foi então que o comandante William C. Rogers III autorizou os disparos, matando 290 civis que não tinham nada a ver com o conflito. Segundo o regime iraniano, por outro lado, aquele foi um ataque deliberado dos EUA contra uma aeronave comercial. O capitão William Rogers III, comandante do navio que derrubou avião Reprodução/Marinha dos Estados Unidos O governo do então presidente americano, Ronald Reagan, no final de seu segundo mandato, tentou defender a ação. O vice-presidente dos EUA, George H.W. Bush, que viria a ser eleito presidente naquele mesmo ano, disse que a destruição do voo 655 tinha sido um incidente de guerra e afirmou que o USS Vincennes agira de acordo com a situação. Para a Casa Branca, o governo iraniano foi irresponsável ao permitir o trânsito de um avião repleto de civis sobre uma zona de conflito. Em 1996, os Estados Unidos aceitaram pagar US$ 131,8 milhões ao Irã como indenização devida às famílias das vítimas mortas pelo USS Vincennes, em um acordo para arquivar uma acusação movida pelas autoridades do país na Corte Internacional de Justiça. Mas a Casa Branca nunca fez um pedido de desculpas formal. A tripulação do USS Vincennes recebeu a Medalha de Ação de Combate por seus serviços no conflito. William Rogers recebeu a Legião do Mérito por comandar a embarcação. Selo iraniano com representação do ataque em 1988 Reprodução

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