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95% das mulheres cearenses relatam ter medo de sofrer algum tipo de violência, revela pesquisa Nino Caré/Pexels O medo de sofrer algum tipo de violência atinge 95% das mulheres cearenses, segundo a pesquisa ‘Mulher Coragem, os medos e demandas das mulheres cearenses por segurança”. O levantamento foi realizado pela Ipsos-Ipec, em parceria com o Diário do Nordeste e o Instituto Patrícia Galvão. Os diversos tipos de violência, como sexual, física e psicológica, são levados em conta no levantamento. Do total de entrevistadas, mais da metade relatou já ter passado por algum episódio de violência. ✅ Clique e siga o canal do g1 Ceará no WhatsApp A pesquisa entrevistou 2.032 mulheres, com idades a partir dos 16 anos, em 77 cidades do Ceará, entre os dias 1º e 14 de outubro de 2025. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Medos da violência Na pesquisa, as entrevistadas foram perguntadas sobre diferentes tipos de violência que elas mais têm medo de sofrer. O principal medo enfrentado pelas mulheres é o de sofrer violência sexual. No levantamento, 61% das entrevistadas relataram temer passar por este tipo de violência - que inclui episódios de assédio, toques sem consentimento, importunação sexual e estupros. Em segundo lugar, com 47% das respostas, aparece o medo de sofrer alguma violência física. Outro destaque é o medo de sofrer violência psicológica, relatado por 43% das entrevistadas. A violência doméstica, temida por quase uma em cada quatro mulheres, se refere aos diversos tipos de violência cometidos no contexto da própria casa da mulher, no ambiente doméstico e familiar. Tipos de violência mais temidos pelas mulheres cearenses: 61% - Violência sexual: assédio, toques sem consentimento, importunação sexual e estupro. 47% - Violência física: agressão, empurrão, tapa ou espancamento. 43% - Violência psicológica: ameaça, xingamento, ofensa, bullying, assédio moral e isolamento. 24% - Violência doméstica: violência física, psicológica, patrimonial ou sexual ocorrida dentro da sua própria casa, no ambiente doméstico/familiar. 19% - Violência virtual: cyberbullying, ataque em redes sociais, exposição de fotos, ameaças online ou recebimento de nudes sem consentimento. 17% - Violência policial: abordagem abusiva, uso excessivo da força ou agressão por agentes de segurança e policiais. 12% - Violência institucional: mau atendimento, discriminação ou desrespeito em órgãos públicos, como as delegacias gerais. 11% - Violência patrimonial: quebra de objetos, furto e roubo, retenção de documentos por pessoas fora de suas relações íntimas e familiares. 3% - Não temem sofrer esses tipos de violência 2% - Não souberam ou não responderam Mais da metade já sofreu violência Mais da metade das mulheres cearenses já sofreu algum tipo de violência, aponta estudo Marcelo Camargo/Agência Brasil O estudo também perguntou às mulheres se elas já sofreram algum tipo de violência. A resposta foi “sim” para 51% das entrevistadas. Dentre os tipos de violência vivenciados, o mais frequente foi a violência psicológica. Tipos de violência já vivenciadas pelas mulheres cearenses: 28% - Violência psicológica; 16% - Violência física; 15% - Violência sexual; 11% - Violência doméstica; 9% - Violência virtual; 6% - Violência patrimonial; 8% Violência institucional; 3% - Violência policial; 48% - Não sofreram nenhum desses tipos de violência. A violência psicológica foi mais prevalente em todas as faixas etárias, sendo maior entre mulheres de 16 a 24 anos (37%) e menor entre mulheres acima dos 60 anos (16%). Impunidade dos agressores é fator mais apontado Dentre os fatores que, na opinião das mulheres ouvidas pela pesquisa, mais contribuem para a insegurança e a violência contra as mulheres no Ceará, a impunidade dos agressores aparece em primeiro lugar. Fatores que contribuem para insegurança e violência contra as mulheres: 37% - Impunidade dos agressores; 29% - Pouco policiamento; 28% - Cultura machista; 27% - Vícios (álcool, drogas) dos agressores; 26% - Falta de segurança dentro do transporte público; 20% - Falta de empatia/solidariedade; 19% - Falta de segurança nos pontos de ônibus e terminais; 14% - Espaços públicos abandonados; 12% - Falta de segurança dentro do transporte individual por aplicativos (Uber, táxi, etc.); 11% - Despreparo dos agentes da polícia; 10% - Falta de iluminação pública adequada; 8% - Falta de canais de denúncia eficazes; 3% - Não sabe/ Não respondeu. A pesquisa ressalta, ainda, que a cultura machista foi apontada majoritariamente entre mulheres com idades entre 16 e 24 anos (37%) e entre 25 e 34 anos (36%). Para mulheres acima de 60 anos, este fator foi apontado apenas para 16%. Conforme o levantamento, este aspecto revela diferenças geracionais, visto que as entrevistadas mais jovens enfatizam o machismo, enquanto as mais idosas tendem a minimizar este fator. Ambientes e a sensação de insegurança A pesquisa também abordou as situações nas quais as entrevistadas afirmaram que se sentem seguras sendo mulheres. Dentre os resultados, um destaque é que elas se sentem mais seguras em suas próprias casas e nas residências de amigos e parentes. Por outro lado, os espaços públicos são aqueles que despertam uma maior sensação de insegurança. Ambientes nos quais as mulheres se sentem mais seguras: 39% - No dia a dia de modo geral; 83% - Na sua casa; 66% - Na casa de amigos/ parentes; 48% - No trabalho; 29% - Na escola/ faculdade/ universidade; 18% - No transporte individual por aplicativo (Uber, 99, táxi); 16% - No ambiente virtual/na internet; 13% - Na rua/ em praças/parques; 10% - No transporte público ou enquanto aguarda nos pontos de ônibus ou terminais. Quando perguntadas sobre o medo de sofrer violência durante os deslocamentos pelas cidades, aspectos diferentes surgiram como resultados para transporte público e os transportes por aplicativo. Nos transportes públicos, o medo mais frequente é de ser assaltada, roubada ou furtada (59%). Já quando utilizam transportes por aplicativo, o medo mais relatado é o de ser estuprada (50%). Outros fatores relacionados aos ambientes que as mulheres frequentam foram: O maior medo no ambiente doméstico é de sofrer agressões físicas (37%), enquanto ser assaltada, roubada ou ter a casa invadida aparece em segundo lugar (28%). Nos espaços públicos, o maior medo relatado é de ser assaltada, roubada ou furtada (52%), enquanto sofrer assédio sexual ou importunação vem em segundo lugar (45%). No trabalho, o medo mais frequente é de sofrer assédio moral (40%), seguido pelo medo de assédio sexual e importunação (33%). Nos ambientes educacionais, 35% das mulheres sentem medo de sofrer assédio sexual e importunação por parte dos colegas. Entre mulheres de 16 a 24 anos, este percentual foi de 42%. Nos ambientes virtuais, a maioria relata medo de receber mensagens indesejadas com conteúdo sexual (46%). Este aspecto fica à frente do medo de sofrer golpes ou fraudes (39%). A necessidade de autoproteção foi apontada de forma homogênea entre as faixas etárias, revelando um medo generalizado entre mulheres de todas as idades. Confira outros destaques do levantamento: Quando perguntadas sobre quais características as definem como mulheres, a maior parte das entrevistadas se identificou como batalhadora (57%), esforçada (50%) e corajosa (49%). Família (44%), fé e espiritualidade (21%) e saúde e bem-estar (15%) foram elencados como valores mais importantes para a vida das entrevistadas. 40% das mulheres afirmaram que mudam hábitos em suas rotinas por medo ou insegurança por serem mulheres. Na maioria dos casos (68%), elas evitam sair sozinhas de casa, principalmente à noite. Dentre os canais de denúncia e apoio às mulheres, os mais conhecidos são o contato da Polícia Militar (71%), a Delegacia da Mulher (57%) e o Disque 180 (56%). Para diminuir o medo e a insegurança, a maioria acredita que é necessário aumentar o policiamento nas ruas (56%), aumentar a segurança dentro dos transportes coletivos (36%) e capacitar agentes de polícia para atender casos de violência e assédio contra a mulher (29%). Assista aos vídeos mais vistos do Ceará:
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