Jornal O Globo
A missão Artemis II, que chegou nesta quinta-feira à órbita lunar e sobrevoou pela primeira vez o lado escuro do satélite natural, já se tornou um marco da história da exploração espacial. Além do pioneirismo da iniciativa e do simbolismo de uma viagem à Lua, a missão ainda possui outro elemento marcante: os trajes de sobrevivência que estão sendo utilizados pelos astronautas Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, da NASA, e Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadense (CSA), durante o voo. As roupas, que foram apresentados na sala de preparação do Centro Espacial Kennedy, na Flórida, fazem parte de um novo modelo feito sob medida para os tripulantes do foguete SLS (Space Launch System) e da cápsula Orion. Artemis II: Missão entra em órbita lunar e se prepara para recorde histórico de distância da Terra; entenda Veja também: astronautas vão ficar incomunicáveis, e missão terá 40 minutos de 'silêncio absoluto'; saiba quando O programa Artemis tem como objetivo levar astronautas de volta à Lua para promover descobertas científicas, gerar benefícios econômicos e estabelecer as bases para futuras missões tripuladas a Marte. Os trajes da Artemis II chamam atenção pela cor laranja vibrante, uma medida de segurança pensada para facilitar a visualização dos astronautas em caso de resgate. A tonalidade, conhecida como “laranja internacional”, é utilizada desde 1981 em lançamentos e reentradas, justamente por aumentar a visibilidade em situações críticas — especialmente no mar, onde equipes de resgate aéreo precisam localizar rapidamente tripulantes. Praticidade e tecnologia: Conheça traje laranja usado por astronautas da Artemis II Divulgação: Nasa Esses momentos — lançamento e retorno à Terra — são os únicos em que haveria chance de evacuação com possibilidade de resgate. Em cenários extremos, como pousos forçados no oceano, a cor intensa ajuda a identificar astronautas à deriva. Vídeo: Nasa transmite ‘banho espacial’ de astronauta na Artemis II e web reage: 'Em ótima forma' Além disso, os trajes contam com tiras cruzadas azuis de alta visibilidade, projetadas para oferecer pontos de apoio fáceis para equipes de resgate. Embora raras, situações de emergência já ocorreram na história da exploração espacial. Galerias Relacionadas Um dos casos mais emblemáticos aconteceu em 1961, durante o Projeto Mercury, quando o astronauta Gus Grissom quase morreu afogado após a escotilha de sua cápsula se abrir inesperadamente após o pouso no mar. Na época, ele usava um traje prateado, semelhante aos utilizados por pilotos de testes de alta altitude, e não um traje laranja — padrão que só seria adotado anos depois. Resgates em água são considerados os cenários mais prováveis, já que lançamentos e retornos costumam ocorrer próximos a regiões costeiras. Ainda assim, os astronautas são preparados para sobreviver em diferentes ambientes, como áreas tropicais e desertos, comuns nas rotas de reentrada próximas à linha do Equador. Artemis II: astronautas observam 'Grand Canyon' da Lua e avançam para sobrevoo histórico Seguindo essa lógica, os trajes da Artemis II foram equipados com itens de sobrevivência, como alimentos, faca, dispositivos de flutuação, espelhos de sinalização e outros suprimentos básicos. Também incluem sistemas de comunicação, resfriamento líquido e materiais resistentes ao fogo. Diferentemente dos antigos trajes da NASA — que tinham tamanhos padronizados e ficaram conhecidos como “pumpkin suits” (trajes de abóbora) pelo formato pouco ajustado —, os novos modelos foram feitos sob medida para cada astronauta, garantindo maior conforto e eficiência. Apesar da evolução dos trajes laranja, os tradicionais uniformes brancos continuam em uso nas caminhadas espaciais e deverão ser utilizados novamente quando astronautas voltarem à superfície lunar, previsto para 2028. A escolha da cor branca se deve à sua capacidade de refletir radiação e manter os astronautas resfriados, além de proporcionar alta visibilidade contra o fundo escuro do espaço.
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