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O que tem no lado oculto da Lua? Descubra característica do 'verso' de satélite explorado pela Artemis II | Collector
O que tem no lado oculto da Lua? Descubra característica do 'verso' de satélite explorado pela Artemis II
Jornal O Globo

O que tem no lado oculto da Lua? Descubra característica do 'verso' de satélite explorado pela Artemis II

A missão Artemis II marcou um momento histórico ao realizar a maior aproximação da Lua por humanos desde a Apollo 17, em 1972, ao mesmo tempo em que trouxe novos detalhes sobre o enigmático lado oculto do satélite natural — região que não pode ser vista da Terra e que permanece central para os planos de exploração futura. Veja: Artemis II faz maior aproximação lunar em cinco décadas e começa a viagem de volta à Terra Voltar à Lua é só o começo: após Artemis II, Estados Unidos e China entram em nova fase da disputa espacial “A Terra lá fora parece um pequeno crescente. É magnífico”, afirmou o comandante da missão, Reid Wiseman, durante o momento em que a cápsula Orion atingiu seu ponto máximo de aproximação, a cerca de 6,5 mil quilômetros da superfície lunar. Imagem capturada da transmissão ao vivo da Missão Artemis II mostra a Terra, em formato crescente, vista da órbita lunar Reprodução/Nasa A jornada de 10 dias, considerada a mais longa já realizada por uma tripulação humana no espaço profundo, levou os astronautas a uma travessia pela face oculta da Lua — região marcada por um fenômeno crítico: o blecaute de comunicações. Durante 41 minutos, a nave ficou isolada da Terra, repetindo um dos maiores desafios históricos da exploração espacial. — Continuaremos nossa jornada ainda mais longe no espaço antes que a Mãe Terra consiga nos trazer de volta a tudo o que nos é caro, mas, acima de tudo, escolhemos este momento para desafiar esta geração e a próxima a garantir que este recorde não dure muito tempo — afirmou Jeremy Hansen. Artemis II: Astronauta relata sensação de 'cair do céu' em missão rumo à Lua; 'Realmente fenomenal' Um lado oculto — e diferente Apesar do nome popular, não existe um “lado escuro” permanente da Lua. Metade do satélite está sempre iluminada pelo Sol, mas devido à rotação sincronizada com a Terra, apenas um lado é visível daqui. O chamado lado oculto é, na verdade, o hemisfério voltado para longe do nosso planeta. Diagrama que mostra fases da Lua Nasa Irregular e repleta de crateras O lado oculto da lua possui crosta mais espessa, o que impediu a formação de grandes “mares” de lava, comuns no lado visível. A porção também abriga estruturas gigantes como a Bacia Polo Sul-Aitken, uma das maiores crateras do Sistema Solar — A Lua que estamos vendo não é a mesma Lua que você vê da Terra — disse Christina Koch. — A Lua é realmente um corpo celeste com seu próprio propósito no Universo. Não é apenas um cartaz no céu que passa despercebido. Galerias Relacionadas Irmãs no espaço? Separadas por 50 anos, Artemis herda prédio, engenharia e até a física das missões Apollo Mais seco do que se imaginava Uma das descobertas mais relevantes recentes, baseada em análises de amostras coletadas por missões robóticas chinesas, indica que o lado oculto da Lua é significativamente mais seco do que o lado voltado para a Terra. Enquanto o solo lunar próximo contém cerca de 350 mililitros de água por metro cúbico, na face oculta esse volume pode ser de 10 a 100 vezes menor. A diferença pode estar relacionada à formação do satélite: enquanto o lado visível teria sido aquecido pela Terra ainda incandescente, o lado oposto esfriou mais rapidamente. Essa distribuição desigual de água tem implicações diretas para futuras bases lunares e para a produção de combustível e oxigênio no espaço. Lágrimas, abraços e risos: astronauta de reserva revela bastidores do centro de controle da Nasa durante a missão Artemis II Imagens inéditas e fenômenos raros Durante o sobrevoo, os astronautas registraram imagens detalhadas de regiões como o Mare Orientale e observaram fenômenos raros, como um eclipse solar visível apenas do espaço. — A Terra é tão brilhante lá fora, e a Lua está ali, pairando diante de nós, esse orbe negro bem à nossa frente — descreveu Victor Glover. — O brilho da Terra é muito nítido e cria uma ilusão visual impressionante. Os tripulantes também destacaram o “terminador” — a linha que separa luz e sombra na superfície lunar — onde contrastes extremos revelam detalhes do relevo. — Existem ilhas de terreno lá fora que estão completamente cercadas pela escuridão — disse Glover. — Esse terminador é a coisa mais impressionante que já vi. Recordes e legado A missão também quebrou recordes históricos. A nave ultrapassou a distância da Apollo 13, atingindo mais de 406 mil quilômetros da Terra. — Ao ultrapassarmos a maior distância já percorrida por humanos a partir do planeta Terra, fazemos isso honrando os esforços e feitos extraordinários de nossos antecessores — declarou Hansen. A tripulação ainda prestou homenagem ao astronauta Jim Lovell, que participou das missões Apollo 8 e 13, e morreu em 2025. — Tenho orgulho de passar esse bastão para vocês enquanto orbitam a Lua e lançam as bases para missões a Marte — disse Lovell em mensagem gravada. Corrida espacial e futuro A Artemis II é vista como etapa fundamental para o retorno de humanos à superfície lunar até o fim da década — em meio à crescente competição com a China, que pretende enviar astronautas ao satélite até 2030 e já opera a estação espacial Tiangong. — O tempo está correndo nesta competição entre grandes potências, e o sucesso ou o fracasso serão medidos em meses, não em anos — afirmou Jared Isaacman. Além da disputa geopolítica, o lado oculto da Lua surge como peça-chave para o futuro da ciência: sua posição protegida das interferências da Terra o torna ideal para observações astronômicas profundas — e potencial local para bases permanentes. A missão, que retorna à Terra no dia 10, não apenas reaproxima a humanidade da Lua, mas também revela que, mesmo após décadas de exploração, seu lado mais distante ainda guarda mistérios fundamentais sobre a origem e o futuro da presença humana no espaço.

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